“É preciso olhar para as situações que nos incomodam e atuar de forma coletiva”

Participante do Crescer com Proteção, Luana dos Santos, 15 anos, acredita no engajamento de jovens e adolescentes para mudar a realidade

UNICEF Brasil
11 março 2021
Participante do Crescer com Proteção, Luana dos Santos, 15 anos, acredita no engajamento de jovens e adolescentes para mudar a realidade. Foto: Rosto de adolescente sorrindo e segurando uma publicação do lado do rosto
Arquivo pessoal

Uma passarela une realidades muito diferentes no município de Iguape, no Litoral Sul de São Paulo. De um lado, o centro histórico, com casarões e prédios antigos. Do outro, o bairro do Rocio, onde vive quase metade dos 30 mil habitantes da cidade, com problemas de infraestrutura e de estigmatização social. É nessas desigualdades que a estudante Luana Aparecida Rocha dos Santos, de 15 anos, quer intervir. Ela participa do Crescer com Proteção, uma iniciativa do UNICEF e do Ministério Público do Trabalho (MPT), em parceria técnica com o Instituto Camará Calunga e a Agenda Pública, em oito municípios da região. Luana faz parte de um grupo inicial de 32 adolescentes mobilizados nos municípios de Iguape, Ilha Comprida, Cananéia, Peruíbe, Itanhaém, Mongaguá, Praia Grande e São Vicente.

Sua história está ligada à ancestralidade negra, à relação com a terra e a vida comunitária. Seu pai nasceu na zona rural de Iguape, e sua mãe vem de uma comunidade quilombola em Iporanga, também no Vale do Ribeira. Seus avós seguem até hoje nessa região, lutando pelo reconhecimento de suas terras, pela valorização de suas práticas tradicionais de manejo e sua cultura ancestral.

Luana gosta de contar que viu a igreja de sua comunidade ser construída a partir da organização dos moradores. Sua participação em grupos e coletivos também começou cedo. Ainda no quarto ano do ensino fundamental, ingressou no grêmio estudantil da sua antiga escola. Chegou a ser presidente do grêmio e, junto com mais estudantes, mantinha diálogo com a direção da escola para atender às demandas da turma.

Nessa escola, no centro histórico, Luana encontrou condições melhores das da escola em que estuda no bairro do Rocio. Em 2020, no segundo ano do ensino médio, Luana viu na iniciativa Crescer com Proteção uma oportunidade de potencializar sua experiência de atuação coletiva. 

Devido à pandemia da Covid-19, as atividades da iniciativa vêm sendo realizadas exclusivamente pela internet. Nos encontros virtuais, Luana e os demais adolescentes mobilizados partilham suas histórias de vida com destaque para a percepção sobre seus direitos desrespeitados e o que podem fazer para mudar a situação. Apesar da diversidade no grupo, conseguem perceber pontos em comum, sobretudo a respeito das violações de direitos que vivenciam. Falam de tudo isso também em apresentações teatrais, música e outras formas de arte.

“É preciso olhar para as situações que nos incomodam e pensar de forma estratégica e coletiva como podemos transformar na prática”, diz Luana. Nesse sentido, ela está organizando com Thays, Ana Teresa e Samarah – também participantes do Crescer com Proteção em Iguape – maneiras para que outros jovens se integrem e formem uma articulação por melhores condições e garantia de direitos para a juventude. E assim, quem sabe, acabar com a distância de realidades entre cada um dos lados da passarela. Afinal, na visão de Luana, “ser jovem é imaginar um mundo de possibilidades. É acreditar que se pode fazer muito mais”.