“O importante é ser gentil com você mesma”

Participante do projeto Promover para Prevenir, a jovem Maria Eduarda Paes Ramos, a Duda, fala da importância de cuidar da saúde mental

UNICEF Brasil
Uma jovem sorridente olha para a câmera
Arquivo pessoal
01 julho 2021

“Perceber que tudo bem ficar triste ou frustrada foi uma coisa muito nova pra mim”, conta Maria Eduarda Paes Ramos, 21 anos, moradora de Dourados (MS). Para ela, promover a saúde mental de jovem para jovem exige atenção às delicadezas para entender sobre o que se passa dentro de cada um de nós. Delicadeza, por exemplo, em perceber que é possível falar sobre situações desafiadoras ou nomear sentimentos desagradáveis “sem se sentir uma pessoa ruim ou uma pessoa menos boa”.

Estudante de Relações Internacionais na Universidade Federal da Grande Dourados, Duda está quase se formando. Muito atuante, é volunteer leader do Mato Grosso do Sul no projeto #tmjUNICEF e também embaixadora do projeto Saúde Planetária da USP, além de ser diretora de comunicação do site Dois Níveis. No final de 2020, entrou no mundo do trabalho graças ao movimento 1 Milhão de Oportunidades. Ela inclusive já contou essa parte de sua história aqui.

Duda se tornou estagiária da Asec Brasil/Movimento Saber Lidar, no projeto Promover para Prevenir em Saúde Mental de Adolescentes, realizado em parceria com o UNICEF no Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo. Graças a essa oportunidade, Duda descobriu o trabalho de promoção de saúde mental e emocional de adolescentes e jovens.

Duda reforça que a saúde mental e emocional impulsiona o desenvolvimento de cada adolescente, cada jovem. Não basta se deparar com oportunidades, é preciso estar confortável para acessá-las. Nesse aspecto, a saúde mental e emocional são cruciais. “Jovens precisam se permitir errar, falhar, ir com medo, aprender, arriscar. Tudo está muito conectado”.

Foi assim que uma oportunidade levou Duda por caminhos inesperados. “Eu quase não me inscrevi para o #tmjUNICEF. O UNICEF é muito grande. Senti medo. Medo de não saber. Mas, por estar no formato online, arrisquei”. E essa experiência foi alavancando muitas outras, como seu primeiro trabalho formal como estagiária.

Com o projeto, ela tem se empenhado no desafio de convidar mais jovens a que falem sobre o assunto, de forma aberta e sem julgamentos. “Os jovens estão precisando de espaços de escuta e de acolhimento, mas ainda olham para isso com estigma ou com desconfiança. Mas, ao falar de jovem pra jovem, isso gera mais identificação”.

Ao debater sobre saúde mental e emocional e entender sobre sentimentos e emoções, muita coisa foi mudando na vida pessoal de Duda e nos projetos dos quais ela faz parte. “Eu tenho tomado mais cuidado com o pessoal que trabalha comigo, principalmente em meio à pandemia da Covid-19. Cada um conhece alguém que ficou doente, e a gente pergunta ‘tá tudo bem?’, ‘vi que você não apareceu essa semana’, ‘se você precisar de um tempo...’. Sabe? Antes eu não tinha muito essa atenção. A gente só chegava, programava o trabalho e fazia. Hoje eu tenho mais cuidado com a saúde emocional das pessoas que fazem parte da equipe”.

Por isso, Duda reforça aquilo aprendeu no projeto: ser gentil com você mesma e seu processo. “Porque é um processo mesmo. Lidar com sentimentos e emoções é algo que não acaba nunca, mas conseguir nomear isso, com certeza, já altera muito”, explica a jovem.

Ela conta que saúde mental e emocional são assuntos delicados porque não há como fazer isso sem olhar para dentro de si. “Falar sobre isso exige oferecer apoio, oferecer o melhor conteúdo. Comunicar com o outro mexe com muita coisa dentro da gente. Exige estarmos bem preparadas”.

Quando estamos falando de jovens, em todas as suas diversidades, é importante ter atenção ao que é delicado para cada pessoa. “Quando não se tem o que comer na mesa, falar sobre sentimentos é a última coisa que um jovem está preocupado. E é um desafio comunicar com diferentes jovens porque os contextos criam desafios dos mais diversos”.

Sobre o projetoPromover para Prevenir em Saúde Mental de Adolescentes é uma iniciativa do UNICEF em parceria com a Asec Brasil/Movimento Saber Lidar focada no fortalecimento socioemocional e engajamento de adolescentes, jovens e profissionais da rede apoio psicossocial nos estados do Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo, promovendo cuidados com a saúde mental e o bem-estar em tempos de pandemia da Covid-19.