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“Hoje ele tá forte, bonito e brincando”

Conheça a história do pequeno Gessé e a importância do cuidado indígena que salva vidas na Amazônia

UNICEF Brasil
Gesse
UNICEF/Alecio Cézar
24 julho 2025

Na comunidade indígena Umariaçu I, no Alto Solimões, coração da floresta amazônica, vive o pequeno Gessé, uma criança da etnia Ticuna que, aos dois anos e meio, superou um quadro de desnutrição infantil.  

Quem acompanha a trajetória do menino desde antes mesmo de seu nascimento é Eliana de Araújo, agente indígena de saúde do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI, do Alto Solimões, Polo Base Umariaçu I). “Desde a gravidez da dona Lucinha, a mãe dele, eu acompanho. No sexto mês de gestação, ela sofreu complicações e precisou ser levada para Manaus”, relembra.  

De volta à aldeia, a mãe passou a receber acompanhamento contínuo, com pesagens semanais, orientação alimentar com base na cultura local, medicamentos e muito cuidado. Segundo Clotilde Mendes Bastos, enfermeira do mesmo Polo Base, o caso do Gessé era muito crítico. “Ele não podia comer nada com gordura, nem tomar suco. Todo mundo ficava preocupado. Eu me perguntava: será que essa criança vai conseguir vencer? Até que conseguimos”, relembra.  

Hoje, com quase três anos, Gessé está “bem, forte, bonito, brincando", conta Eliana de Araújo, orgulhosa.  

Capacitação e cuidado diário fizeram a diferença 

A alimentação nos primeiros anos de vida é essencial para o crescimento saudável e para a prevenção de doenças. Ações como essa garantem que cada criança indígena tenha um começo de vida e um desenvolvimento mais saudáveis, com acesso à alimentação adequada e a cuidados essenciais para sua saúde.  

O acompanhamento recebido por Gessé não foi apenas fruto de dedicação individual da família. Ele é também resultado de um esforço coletivo de formação e fortalecimento da atenção básica à saúde no território. A comunidade indígena Umariaçu I, no Alto Solimões faz parte do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Alto Solimões que, junto à Secretaria de Saúde Indígena (SESAI), mantém uma cooperação com o UNICEF para a realização de capacitações.  

As atividades têm como base a metodologia Atenção Integrada às Doenças Prevalentes na Infância (AIDPI), cujo objetivo é promover uma rápida e significativa redução da mortalidade na infância por meio de formações destinadas a profissionais de saúde que atendem crianças nos serviços de atenção básica no Brasil.  O AIDPI aborda diferentes temáticas, sendo uma delas o enfrentamento à desnutrição infantil. O curso é ministrado diretamente nas comunidades, respeitando os saberes tradicionais e as práticas indígenas de cuidado. 

Os resultados das formações podem ser vistos no esforço diário da equipe de saúde local por meio da aplicação dos conhecimentos aprendidos e ancestrais e do uso de ferramentas simples — como balanças e discos de crescimento, que têm permitido identificar rapidamente o risco de desnutrição em crianças e acompanhar a recuperação com precisão. 

Clotilde é direta sobre os desafios enfrentados pela comunidade: a insegurança alimentar, a terra  pouco fértil para plantio, a pouca disponibilidade de água, o alto custo da farinha, o crescimento das famílias – e até a necessidade de um envolvimento mais próximo com as famílias, indo além do atendimento tradicional. "A própria equipe de saúde se junta para arrecadar alimentos, tentar ajudar e orientar. Explicamos o que pode e o que não pode comer, o que se deve ou não fazer”, explica.  

Ela também destaca a importância da capacitação – especialmente por causa de casos de sucesso como do Gessé. “Esse tipo de formação é fundamental. Ajuda muito, desde a prevenção até a cura. A gente aprende, por exemplo, que a diarreia pode causar desidratação, que leva à desnutrição. A capacitação é muito importante porque nos permite identificar casos assim e nos ajuda a acompanhar junto com os agentes de saúde”, finaliza. 

Para suas ações com foco no enfrentamento à desnutrição indígena, o UNICEF Brasil conta com a parceria de Odontoprev.