Com apoio do UNICEF, encontro do Conselho Indígena de Roraima amplia debate sobre saúde mental entre jovens indígenas
Seminário, realizado em Raposa Serra do Sol, reuniu cerca de 250 participantes de diferentes povos para falar sobre saúde mental, identidade, espiritualidade e o direito de existir
Boa Vista, 02 de junho de 2026 - Durante cinco dias, 250 jovens indígenas de diferentes regiões se reuniram na comunidade Camará, na região do Baixo Cotingo, dentro da Terra Indígena Raposa Serra do Sol. O destino era o II Seminário Estadual sobre Saúde Mental e Bem Viver da Juventude Indígena, com o tema "Superando Meus Medos, Curando Minhas Dores". Ao longo da programação, participantes de diversas comunidades debateram temas relacionados à saúde mental, identidade cultural, fortalecimento das lideranças jovens, prevenção da violência e valorização dos saberes tradicionais como elementos fundamentais para o cuidado individual e coletivo.
A parceria entre o Conselho Indígena de Roraima (CIR) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) integra uma agenda de ações voltadas à promoção dos direitos de crianças, adolescentes e jovens indígenas em Roraima, com foco na participação social, na proteção integral e no fortalecimento das comunidades. Para o Especialista em Assuntos Indígenas do UNICEF, Ícaro Lavoisier, a participação da organização no seminário reforça o compromisso de apoiar a juventude indígena na construção de respostas concretas para os desafios relacionados à saúde mental nos territórios e em contexto urbano.
“Participamos deste seminário para escutar e construir junto com os jovens indígenas, compreendendo seus desafios, valorizando suas iniciativas e identificando caminhos para fortalecer as respostas às demandas de saúde mental. Ao longo desse processo, buscamos aproximar parceiros como o Distrito Sanitário Indígena Leste, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas e outras instituições estratégicas, contribuindo para que esses jovens tenham acesso ao apoio de que necessitam. Nosso papel é fortalecer espaços de diálogo para que esses jovens tenham o apoio que precisam, não para falar por eles, mas para garantir que suas vozes cheguem onde precisam chegar”, afirmou.
O vice-tuxaua geral do Conselho Indígena de Roraima, Paulo Justino, ressaltou a importância de ampliar o debate sobre a saúde mental da juventude indígena e de construir respostas coletivas para os desafios enfrentados nos territórios.
"O desequilíbrio mental e a falta de assistência têm acarretado graves problemas para a gente. Por isso, estamos aqui com o objetivo de buscar soluções coletivas, fortalecendo a juventude e o movimento indígena para superar esse processo que estamos enfrentando juntos", explicou.
O seminário terminou com a produção coletiva de um caderno de recomendações e de uma carta final, documentos que deverão orientar as ações do movimento de juventude indígena e de suas organizações parceiras. A coordenadora do Departamento da Juventude Indígena, Raquel Wapichana, resumiu o que espera que cada jovem carregue dali para frente.
"Queremos que os jovens saiam daqui com uma visão de futuro, que possam se tornar psicólogos, advogados, professores, lideranças e continuar fortalecendo a nossa luta dentro dos territórios. Também queremos que eles sejam multiplicadores desses conhecimentos, levando para suas comunidades informações que ajudem a enfrentar problemas como a depressão, a ansiedade e o suicídio.", destacou.
O II Seminário Estadual sobre Saúde Mental e Bem Viver da Juventude Indígena foi organizado pelo Departamento da Juventude Indígena Gabriel Ferreira Rodrigues, do Conselho Indígena de Roraima (CIR) e recebeu apoio institucional do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), Conselho Regional de Psicologia 20a Região, Distrito Sanitário Especial Indígena Leste (DSEI-Leste), Diocese de Roraima, Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI). Para essa ação, o UNICEF no Brasil contou com a parceria estratégica de Infinis – Instituto Futuro é Infância Saudável. Além disso, o UNICEF Brasil conta com a parceria de RD Saúde para a iniciativa Pode Falar.
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