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Gestantes recebem apoio e acolhimento nos abrigos em Roraima

Grávida do seu segundo filho, a venezuelana Dayreni Hernandez, 19 anos, veio ao Brasil em busca de uma vida melhor para sua família

UNICEF Brasil
Foto mostra uma mulher jovem grávida para na porta de um trailer.
UNICEF/BRZ/Alécio Cezar
03 fevereiro 2023

Como muitos refugiados e migrantes da Venezuela, Dayreni Hernandez, de 19 anos, veio ao Brasil em busca de uma vida melhor. Chegou ao País há três anos, grávida de seu primeiro filho, junto com sua mãe e cinco irmãos, carregando somente uma sacola de roupa. Hoje, gestante de oito meses do segundo filho, ela recebe apoio do UNICEF no abrigo onde vive, em Boa Vista, Roraima, e planeja um futuro melhor para a família.

Em parceria com a Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (Adra), o UNICEF desenvolve atividades de saúde e nutrição voltadas a refugiados e migrantes, incluindo serviços de atenção primária à saúde e nutrição em locais de acolhimento e ocupações espontâneas em Roraima.

“Cheguei com 16 anos, grávida do meu primeiro filho. Tive todo o acompanhamento pré-natal aqui no abrigo. Deram-me vitaminas e vacinas para mim e meu filho, e me explicaram sobre os cuidados na gravidez e sobre violência contra as mulheres. Mudei muito a forma de pensar depois dessas conversas”, conta Dayreni.

Após passar por outro espaço, a família vive hoje no Waraotuma a Tuaranoko, abrigo onde moram famílias indígenas que integram o fluxo migratório. Nele, Dayreni recebeu, também, orientações e apoio para acessar os serviços de saúde do Sistema Único de Saúde, sendo vinculada a uma Unidade Básica de Saúde (UBS) do município e, assim, passou a receber atendimento universal, participando de programas vinculados à estratégia saúde da família, incluindo acompanhamento nutricional e pré-natal.

“Fizemos um trabalho de conscientização muito forte com a Dayreni, porque, nos primeiros meses da gestação, ela não queria fazer os exames de pré-natal”, relata Linda Peterson, monitora de saúde da Adra. “Para que ela se sentisse mais segura, agendamos um transporte para ela ir até a UBS. Hoje, ela faz todo o pré-natal e, depois do nascimento do bebê, nós continuaremos acompanhando”, diz a monitora.

O trabalho inclui também o acompanhamento nutricional. “Temos consultas mensais para que Dayreni consiga manter o peso ideal, não tenha complicações no parto e seus filhos se desenvolvam. Conversamos bastante para que ela compreenda a necessidade da ingestão da suplementação vitamínica e da alimentação”, fala Tessa Barbosa, nutricionista do projeto.

“No acompanhamento, me falaram que não posso comer muitos doces e que preciso tomar todas as vitaminas. Ao contrário da minha primeira gravidez, entendi que isso é importante para mim”, diz a jovem mãe.

Dayreni e a família estão entre as mais de 6 mil pessoas abrigadas atualmente no estado de Roraima, nas instalações da Operação Acolhida – resposta humanitária liderada pelo Governo Federal e parceiros, incluindo UNICEF, para responder ao fluxo migratório da Venezuela. Em todo o Brasil, vivem hoje 406 mil refugiados e migrantes venezuelanos.

A jovem Dayreni sonha em trabalhar e que os seus filhos frequentem a escola. “Aqui tenho roupas, comida e abrigo. Tinha muito medo do meu primeiro filho não ter nada. Mas, desde que cheguei aqui, ele teve todo o apoio e nunca faltou nada”, conclui.

Foto mostra uma mulher jovem grávida para na porta de um trailer, conversando com uma profissional de saúde, que segura uma prancheta.
UNICEF/BRZ/Alécio Cezar

Atendimento especializado
As grávidas que chegam ao abrigo recebem um atendimento culturalmente sensível com foco para a promoção da saúde, com ênfase para o pré-natal e o acompanhamento e cuidado nutricional. Em agosto de 2022, havia 27 gestantes indígenas no abrigo Waraotuma a Tuaranoko. “Temos muitos desafios, há uma resistência das mães, que têm medo de ir ao médico e são muito reservadas. Além da barreira cultural e linguística”, explica Linda.

Entre esses desafios, está também a atualização da carteira vacinal. “Muitas mães ainda não sabem muito sobre promoção da saúde. Então, fazemos rodas de conversa sobre a importância das vacinas, do aleitamento materno e da alimentação”, conta a enfermeira Natalia Meygan, que trabalha no abrigo.

Outro desafio é a alimentação. “No geral, as mães preferem consumir alimentos que são ricos em sódio, gordura e açúcar, por isso, mostro a elas a importância de escolher alimentos com maior valor nutricional”, diz Tessa. Para apoiar esse processo, as rodas de conversas são importantes para a conscientização e o aprendizado. O apoio prestado pelo UNICEF facilita que refugiados e migrantes da Venezuela tenham melhor conhecimento sobre seus direitos no âmbito da atenção primária a saúde no Brasil, acessando e recebendo ativamente um acompanhamento ativo periódico das equipes da estratégia saúde da família com foco no desenvolvimento infantil.

Em 2022, o UNICEF realizou 4.854 atividades de acompanhamento de gestantes refugiadas e migrantes em Roraima, sendo 10,7% com gestantes adolescentes com idade inferior a 18 anos.

Esse trabalho de saúde e nutrição só é possível graças ao apoio estratégico do Escritório para População, Refugiados e Migração do Departamento de Estado dos Estados Unidos (PRM, na sigla em inglês) e do programa Acelerador de Acesso a Tecnologias da Covid-19 sobre vacinas, tratamentos e diagnósticos (Access to COVID-19 Tools Accelerator).

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