“Eu fico feliz quando vou para a escola!”
Alice Gabrielly descobriu o prazer de aprender e vive suas primeiras descobertas no mundo da educação infantil, graças à Busca Ativa Escolar
Alice Gabrielly tem cinco anos e um mundo inteiro pela frente. Na Escola Municipal Francisco Alves de Oliveira, em Amapá (AP), onde cursa hoje o último ano da Educação Infantil, ela aprende sobre as cores, escuta histórias que a professora conta e participa de brincadeiras com os colegas. Entre massinhas de modelar, personagens do folclore brasileiro e muitos desenhos coloridos que enchem a sala, ela já escreve o próprio nome e se diverte com a atividade que mais gosta: brincar de amarelinha. “Na escola é muito divertido”, conta. Mas nem sempre foi assim.
Com quase quatro anos, Alice ainda não frequentava a Educação Infantil, porque sua avó não sabia que ela já podia ser matriculada. A situação só mudou durante um jogo de futebol, no campinho próximo à casa de Delmira Matta, coordenadora operacional da Busca Ativa Escolar em Amapá/AP - estratégia do UNICEF e parceiros para apoiar Estados e municípios a identificar crianças e adolescentes que estão fora da escola ou correm risco de abandono e tomar as medidas necessárias para garantir a matrícula e a permanência na escola, aprendendo.
“Perguntei se todo mundo estava na escola e se conheciam alguém que não estava. Então, o irmão respondeu que a Alice não estava matriculada”, relembra Delmira. Com apenas 6 anos na época, Christian sabia que a irmã ainda não ia à escola, e já demonstrava consciência sobre a importância da educação: “Eu estudo, ela tem que estudar também. É importante para ter um bom futuro”, diz ele, hoje com oito anos, sobre o motivo que o levou a falar da irmã.
A partir desse alerta, Delmira procurou a avó das crianças, explicou os direitos de Alice e orientou que ela fosse à escola. “A Delmira conversou comigo, me chamaram na escola e, poucos dias depois, ela foi matriculada”, lembra a avó. Desde então, a criança segue todos os dias para a escola, acompanhada dos irmãos.
A professora Sueli Duarte lembra bem dos primeiros dias: “Quando ela chegou, era muito tímida, quase não falava. No decorrer do tempo, ela começou a se desenvolver. Ela prestava atenção em tudo e fazia todas as atividades com prazer”, conta.
No Brasil, o direito à educação é garantido desde cedo: de zero a três anos, todas as crianças podem frequentar a creche, caso seja de interesse da família. A partir dos quatro anos até os 17, a matrícula escolar é obrigatória. Foi justamente por falta dessa informação que Alice quase perdeu parte importante do início da sua vida escolar.
Educação como prioridade
Para a secretária adjunta de educação, Ivanilda dos Santos, a história de Alice é um exemplo do desafio enfrentado no município de Amapá. “Nossa cidade é muito pequena, a maioria das crianças é filho de pescadores e agricultores. Além da história da Alice, encontramos outras crianças que também estão fora da escola. Em uma ação conjunta entre educação, saúde e assistência social, vamos até as casas para entender os motivos e fazemos de tudo para que elas sejam matriculadas”, explica.
Ela reforça que a presença na escola, mesmo nos primeiros anos, é essencial: “É ali que a criança vai desenvolver todo um trabalho de conhecimento. Por isso, é fundamental garantir que nenhuma fique de fora”, finaliza.
Hoje, Alice não só vai para a escola, mas entra em um mundo de descobertas, sonhos e possibilidades. Graças à Busca Ativa Escolar, tem a oportunidade de viver a experiência de estar na pré-escola, descobrindo que aprender é, antes de tudo, divertido e transformador.
Sobre a Busca Ativa Escolar
A Busca Ativa Escolar (BAE) é uma estratégia que tem o objetivo de apoiar os governos numa ação intersetorial de identificação, atendimento nos serviços públicos e (re)matrícula de crianças e adolescentes que estão fora da escola ou em risco de evasão. Por meio da iniciativa, municípios e Estados têm dados concretos que possibilitam planejar, desenvolver e implementar políticas públicas que contribuam para a garantia de direitos de meninas e meninos.
A estratégia é composta por uma metodologia social e uma plataforma tecnológica disponibilizadas gratuitamente para estados e municípios. Ela foi desenvolvida pelo UNICEF e pela União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), com apoio do Colegiado Nacional de Gestores Municipais de Assistência Social (Congemas) e do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems).
A adesão à Busca Ativa Escolar (BAE) é gratuita e pode ser feita a qualquer momento por meio do site buscaativaescolar.org.br, que oferece apoio técnico, materiais formativos e uma plataforma digital para ajudar gestores públicos a enfrentar a exclusão escolar de forma estruturada e intersetorial.
Para a Busca Ativa Escolar, o UNICEF conta com a parceria estratégica da Profarma e com o apoio de B3 Social, Fundação Itaú e Fundação Bracell – esta com foco em Educação Infantil.