Com ajuda do Programa SuperAção, adolescente supera desafios e avança na trajetória escolar
Conheça a história de Adriane, que voltou a estudar e superou o atraso escolar ao participar do SuperAção, iniciativa apoiada pela estratégia Trajetórias de Sucesso Escolar, do UNICEF.
Adriane Araújo Silva, de 16 anos, parou de estudar aos 10, quando perdeu a avó, que a criou desde bebê, e teve de se mudar do Maranhão para Sobradinho/DF. A perda e as mudanças que vieram depois disso afetaram seus estudos.
Quando voltou para a escola, estava no 3º ano do Ensino Fundamental — um atraso de três anos em relação aos colegas. “A minha mãe não tinha condições de cuidar de mim, por isso eu morava com a minha avó. Lá não tinha uma boa estrutura para estudar, eu ia para escola, mas não estudava. Aí tudo se complicou quando ela morreu”, relata Adriane.
Foi no SuperAção – iniciativa que faz parte da estratégia Trajetórias de Sucesso Escolar, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) –, implementado pela Secretaria de Educação do Distrito Federal, que Adriane encontrou o suporte para avançar em sua trajetória escolar.
O programa tem como objetivo o enfrentamento da distorção idade-série e a recomposição das aprendizagens para que os estudantes aprendam e avancem nos estudos.
Em 2025, com 15 anos, Adriane concluiu com êxito o 6o ano no Centro de Ensino Fundamental 04 de Sobradinho. A metodologia do programa e o apoio dos professores foram fundamentais para que ela superar lacunas de aprendizagens acumuladas nesses anos de atraso e avançar para o 8o ano". Eu estudava em casa, fazia anotações e assistia videoaulas no YouTube. Antes eu me sentia deslocada entre os colegas mais novos, mas esse ano está sendo muito bom", diz a estudante, que estuda em turno integral em 2026 para intensificar as aprendizagens, principalmente em Matemática e Língua Portuguesa, sua matéria preferida.
Adriane continua no Programa Superação e acredita que seu esforço permitirá que ela avance nos estudos mais uma vez que para chegar no Ensino Médio, em 2027, superando o atraso escolar. Segundo ela, após concluir os estudos, seu sonho é fazer um intercâmbio por meio de um programa de bolsas e mais tarde estudar Medicina.
Motivação
Quem acompanha essa trajetória de perto é Helaine Moreira, coordenadora pedagógica da escola e que trabalha com o SuperAção desde 2023. Em 2025, assumiu a função de professora articuladora do programa para apoiar estudantes na superação da distorção idade-série.
Para ela, o engajamento com o programa vai além da função. Antes de trabalhar com Educação, ela foi agente social por quase uma década e é formada em Direito. "Gosto de trabalhar no SuperAção porque se conecta à minha história profissional e reforça minha atuação pedagógica. O programa casa com o que entendo sobre a dimensão do direito à educação", explica.
Para ela, entender por que o aluno está em situação de defasagem — seja por razões familiares, econômicas ou de saúde — é tão importante quanto recuperar as aprendizagens.
"Queremos olhar para o estudante de forma integral. A Adriane se destacou pela motivação, avançou muito e todos os professores reconheceram o empenho dela”, finaliza a professora.
Sobre a estratégia Trajetórias de Sucesso Escolar
Para a estratégia Trajetórias de Sucesso Escolar (TSE), o UNICEF Brasil conta com a parceria estratégica do Instituto Claro. Para ações gerais de Educação, temos também a parceria estratégica de TP, parceria da Fundação Itaú e o apoio de FTD Educação. Além disso, o UNICEF tem a XBRI Pneus como parceira estratégica para toda sua atuação no Brasil.
A estratégia Trajetórias de Sucesso Escolar é desenvolvida tendo a Roda Educativa, que escreveu essa história, como parceiro implementador. O objetivo é facilitar um diagnóstico amplo sobre a distorção idade-série e o fracasso escolar no País, e oferecer um conjunto de recomendações para o desenvolvimento de políticas educacionais que promovam o acesso à educação, a permanência na escola e a aprendizagem desses estudantes.
O site da TSE disponibiliza materiais pedagógicos – com as experiências didáticas –, textos, vídeos e dados relativos às taxas de distorção, abandono escolar e reprovação, com recortes por gênero, raça e localidade, que mostram as relações entre o atraso escolar e as desigualdades brasileiras.