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Transformando dados em mudança

Conheça a trajetória de Ester Lima, de 16 anos, e o poder da ciência para meninas da Amazônia

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UNICEF
15 julho 2026

A curiosidade sempre acompanhou Ester Laura da Silva Lima. Aos 16 anos, estudante da Escola Estadual Ruy Alencar, em Manaus (AM), ela já cultivava o gosto pelos estudos e pela descoberta de novos conhecimentos.

“Quando eu vi a divulgação do projeto Seiva.Dados, eu logo pensei que seria uma boa oportunidade e também abriria um pouco os meus olhos para o que estava em torno de mim. Eu sou uma pessoa que gosta muito de estudar, de adquirir conhecimento sobre diversas áreas. Então eu pensei: por que não?”, conta a estudante.

O projeto Seiva.Dados é uma iniciativa do UNICEF que faz parte do programa global “BRIDGE. Educating young people for tomorrow, today” (BRIDGE. Educando jovens para o amanhã, hoje), uma parceria entre o BMW Group e o UNICEF que busca preparar adolescentes jovens para os desafios do futuro por meio da educação e do desenvolvimento de habilidades essenciais. 

O objetivo é utilizar abordagens STEAM (Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática) para fortalecer o protagonismo de meninas e criar soluções para desafios reais enfrentados em suas comunidades. A ação conta com o  Instituto de Ciências Periféricas (ICP) como parceiro implementador.

Na primeira fase da iniciativa, realizada em 2025, Ester e outras adolescentes de escolas da periferia de Manaus foram incentivadas a investigar problemas presentes em seus territórios, produzir evidências e pensar em soluções concretas. Mais do que aprender conceitos científicos e tecnológicos, as estudantes foram estimuladas a enxergar que suas experiências, observações e vivências poderiam gerar conhecimento e transformação e usar abordagens de STEAM para problematizar aspectos que prejudicavam sua comunidade, sua escola, seu território. 

Entre os projetos desenvolvidos surgiu o Parada Segura, grupo do qual Ester fez parte. O tema escolhido nasceu de experiências que ela conhecia muito bem. A equipe foi às ruas para ouvir a população e entender como homens e mulheres percebiam a segurança nesses espaços.

“Inicialmente, a gente investigava a insegurança das mulheres nas paradas de ônibus. Eu decidi investigar por relatos que aconteceram comigo, como a importunação sexual e os assaltos que aconteciam principalmente nas paradas”. 

As respostas revelaram uma diferença importante e os dados coletados ajudaram a confirmar aquilo que muitas mulheres sentem diariamente.

“Os homens respondiam que eram os assaltos, mas as mulheres diziam que era a importunação sexual. A gente conseguiu concluir no nosso projeto que as mulheres se sentiam mais inseguras do que os homens, explica Ester.

Além dos aprendizados técnicos, o projeto trouxe transformações pessoais para Ester. Ela conta que também precisou superar desafios relacionados à sua autoconfiança. Ao longo das atividades, apresentar ideias, conduzir pesquisas e dialogar com outras pessoas tornou-se parte de sua rotina. Pouco a pouco, a adolescente passou a enxergar o próprio potencial para gerar mudanças.

“O projeto impactou na minha vida com o desenvolvimento do pensamento crítico, que anteriormente eu não tinha. Eu também era uma pessoa com vergonha. Sei que foi o estudo que revolucionou nossa vida e é o estudo que vai trazer benefícios para o nosso futuro”, complementa.

Hoje, Ester espera que mais meninas tenham a oportunidade de se aproximar da ciência e acreditar em seus sonhos. Para ela, o conhecimento é uma ferramenta capaz de transformar realidades e abrir novos caminhos para o futuro.

“O meu desejo para as meninas que querem ter acesso à ciência é que elas continuem no seu percurso, nessa trajetória. Que não desistam, porque a ciência que salva vidas e que traz benefícios é a ciência que influencia o mundo”, finaliza.