“É preciso garantir que as pessoas consigam cuidar umas das outras”

UNICEF, BNDES, Essencis Caieiras e Termoverde Caieiras apoiam famílias vulneráveis de Belém com 5,6 mil kits de limpeza e cestas básicas para prevenção da Covid-19

UNICEF Brasil
Inês Medeiros
UNICEF/BRZ/Elias Costa
02 outubro 2020

Situada entre a capital e o rio, a comunidade paraense de Vila da Barca segue ligada às águas, mas a vida de seus 6 mil moradores se ancora na cidade de Belém. Formada majoritariamente por trabalhadores informais que vivem em palafitas, estivas e conjuntos habitacionais, a vida da comunidade foi duramente afetada pela pandemia da Covid-19. Muitas casas não contam com abastecimento de água, saneamento básico e coleta de lixo e os índices de contaminação e mortes pela Covid-19 foram altos. 

Neste momento crítico, comunidades de extrema vulnerabilidade como Vila da Barca precisam de atenção redobrada. Com objetivo de apoiar a proteção de famílias e crianças em maior vulnerabilidade, Vila da Barca e outras quatro comunidades de Belém fizeram parte de uma ação do UNICEF em parceria com BNDES e Essencis Caieiras e Termoverde Caieiras. Ao todo, 5.640 kits de higiene e limpeza e cestas básicas, acompanhadas de folhetos informativos, foram entregues à população. Com o apoio de parceiros locais para distribuição, os produtos beneficiaram 14 mil pessoas. 

Um desses parceiros foi a Associação de Moradores da Vila da Barca. “Se você foi afetado pela pandemia com a perda de trabalho e renda, como é que você vai garantir o básico? E os problemas sociais só se acentuam a partir disso”, relata Inêz Medeiros, presidente da Associação, que distribuiu 1.150 kits e cestas básicas no bairro. E completa: “Garantir as necessidades básicas é garantir que as pessoas consigam cuidar umas das outras. A partir disso, a gente entende o quanto é importante estarmos de mãos dadas”. 

Uma das famílias atendidas, em Vila da Barca, foi a de Joana D’Arc Lobato. Com a chegada da pandemia, além de perder os rendimentos garantidos pela venda dos alimentos que preparava, Joana viu a filha enfrentar uma grave pneumonia. Todo o dinheiro de que dispunha foi usado na compra de remédios e a família não tinha o suficiente para se alimentar e seguir as medidas de higiene necessárias. 

 A presidente da Associação conta que para sua família, a família de Joana e todas da comunidade foi muito difícil se proteger contra o novo coronavírus. “Quando as medidas de isolamento foram impostas, nós percebemos que muita coisa não era possível. A maioria das pessoas do bairro tem família grande e convive muito próximas umas das outras. Algumas famílias vivem num espaço sem divisão alguma. Têm que respeitar as medidas de isolamento, fazer a higienização, deixar o espaço arejado, mas é muito mais difícil fazer isso dentro das áreas periféricas, por tudo o que é escasso aqui dentro”, explica Inêz. 

Além de falta de estrutura, de acesso a itens e serviços básicos necessários para garantir a limpeza e higiene, muitos não dispõem de informações confiáveis para entender que os cuidados valem para todos. 

Segundo Inêz, muitos moradores da Vila da Barca possuem baixa escolaridade. Por isso, os folhetos informativos distribuídos, trazendo informações seguras e claras foram um aliado no reforço às ações e aos cuidados indispensáveis para evitar a contaminação. 

“Infelizmente o acesso à informação não é concebido de maneira universal. Como muitos não têm acesso à informação, uns seguiam as medidas, outros não. Especialmente nesse período de fake news, se fala muita coisa que não é verdade. Por isso, é crucial ter informação segura”, conclui.