ACREDITE! VOCÊ TEM O PODER DA MUDANÇA.
Click to close the emergency alert banner.

Cobertura vacinal infantil global avança lentamente, apesar dos conflitos e da hesitação vacinal – UNICEF e OMS

Número de crianças zero-dose no mundo caiu em quase 750 mil no último ano, mas abandono da vacinação permanece alto e estagnado, aumentando o risco de surtos de doenças

14 julho 2026
Sala de vacinação em Pacaraima
UNICEF

No Brasil, coberturas vacinais seguem melhorando  
e número de crianças zero-dose vem caindo ano a ano 

GENEBRA/NOVA YORK, 15 de julho de 2026 – Em 2025, 90% dos bebês no mundo – ou quase 116 milhões – receberam pelo menos uma dose da vacina contra difteria, tétano e coqueluche (DTP), e 85% – ou 110 milhões – completaram o esquema de três doses, segundo as Estimativas OMS-UNICEF de Cobertura Vacinal Nacional (WUENIC) divulgadas hoje.

Embora ambos os indicadores tenham aumentado um ponto percentual em relação ao ano anterior, a cobertura global permanece um ponto abaixo do nível de 2019, mantendo-se dentro da mesma faixa estreita desde 2009.

De acordo com os dados, estima-se que, no mundo, 13,5 milhões de crianças “zero-dose” não tenham recebido nenhuma vacina durante o primeiro ano de vida em 2025. Embora isso represente quase 750 mil crianças a menos do que no ano anterior, esse avanço é compensado pelo aumento do número de crianças que iniciam o esquema vacinal, mas não o concluem. A maioria dessas crianças vive em países onde os programas nacionais de imunização recebem apoio da Gavi, a Aliança para Vacinas.

Globalmente, estima-se que 7,3 milhões de bebês tenham recebido a primeira dose da DTP, mas abandonado o calendário vacinal antes de receber a primeira dose da vacina contra o sarampo. Essa taxa de abandono contribuiu para a estagnação da cobertura contra o sarampo: 84% das crianças receberam a primeira dose (MCV1) e 77% receberam a segunda dose (MCV2). Ambos os índices estão muito abaixo do limite de 95% necessário para prevenir surtos desse vírus altamente contagioso. Como consequência, 57 países registraram surtos grandes ou disruptivos de sarampo em 2025.

“Governos e profissionais de saúde ajudaram as taxas globais de vacinação a se recuperarem após a forte queda observada durante a pandemia de COVID-19”, afirmou Catherine Russell, Diretora-Executiva do UNICEF. “Mas milhões de crianças vulneráveis continuam desprotegidas devido a conflitos, deslocamentos forçados e pobreza. Precisamos alcançar cada criança e reconstruir a confiança onde ela está se enfraquecendo. Nenhuma criança deveria sofrer de uma doença que uma simples vacina pode prevenir.”

As estimativas WUENIC, incluindo dados históricos, são revisadas anualmente à medida que novos dados nacionais se tornam disponíveis. Os números apresentados neste comunicado não devem ser comparados com relatórios publicados em anos anteriores.

Resultados por região e país

Dados de 195 países mostram que 100 países mantiveram cobertura de pelo menos 90% com três doses da vacina DTP desde 2019, com pouco progresso na ampliação desse grupo. Entre os países que estavam abaixo desse patamar em 2019, 30 conseguiram melhorar suas taxas ao longo dos últimos seis anos, mas 65 países permaneceram estagnados ou retrocederam, incluindo 13 países frágeis, afetados por conflitos ou em situação de vulnerabilidade (FCV).

Em comparação com os níveis de 2019, as regiões das Américas e do Sudeste Asiático se recuperaram totalmente e melhoraram seu desempenho, sendo esta última atualmente a região com melhor desempenho. 

O Brasil vem melhorando a cobertura vacinal ano após ano, ao mesmo tempo em que reduz o número de crianças zero-dose. Em 2023, havia 360 mil crianças zero-dose no País – que não haviam recebido a DTP1, administrada no Brasil por meio da vacina Pentavalente. Esse número caiu para 255 mil em 2024 e para 50 mil em 2025.

A melhora dos dados de 2024 para 2025 é explicada principalmente por dois fatores: o aumento da cobertura vacinal – com mais crianças sendo vacinadas em todo o País – e os aprimoramentos no sistema público de registro e divulgação sobre vacinação do Brasil, que resultaram em dados mais precisos e completos.

Já nas regiões da África, Mediterrâneo Oriental e Europa, embora tenham registrado avanços no último ano, a cobertura ainda permanece abaixo dos níveis pré-pandemia. A região do Pacífico Ocidental apresentou queda, tornando-se a mais distante de sua linha de base de 2019.

Por trás dessas médias globais e regionais existem ameaças persistentes que geram grande variabilidade e instabilidade na cobertura vacinal entre os países.

Mais da metade de todas as crianças zero-dose vive em contextos frágeis ou afetados por conflitos, embora esses locais abriguem apenas cerca de um terço da população infantil mundial. Nesses cenários, os programas de imunização frequentemente enfrentam desafios relacionados à instabilidade política, insegurança ou subfinanciamento crônico.

Por exemplo, em apenas um ano, a Síria perdeu 6 pontos percentuais na cobertura da primeira dose da DTP e 12 pontos na primeira dose da vacina contra o sarampo. Por outro lado, o Sudão registrou o maior avanço global em um único país no último ano, aumentando a cobertura da DTP1 em 35 pontos percentuais e a cobertura da MCV1 em 22 pontos, demonstrando o que é possível alcançar quando o acesso aos serviços melhora, mesmo em meio a conflitos em andamento.

Nos países de renda média e alta, mesmo onde as vacinas são totalmente acessíveis, a cobertura vem diminuindo em razão de mudanças no compromisso político, desafios estruturais ou aumento da hesitação vacinal. A cobertura da DTP1 na África do Sul, por exemplo, caiu 20 pontos percentuais desde 2019 e continuou diminuindo em 2025. Já a Bósnia e Herzegovina, após registrar o maior aumento da cobertura da MCV1 da região em 2024, apresentou queda de 23 pontos percentuais no último ano.

“Toda criança, seja ela nascida na riqueza ou na pobreza, em tempos de paz ou de conflito, merece a proteção que salva vidas proporcionada pelas vacinas. A imunização é uma das intervenções mais custo-efetivas, equitativas e confiáveis para proteger a saúde e o bem-estar das crianças”, afirmou Dr. Tedros Adhanom Ghebreyesus, Diretor-Geral da OMS. “Nossa maior segurança começa ao garantir que todas as pessoas, onde quer que vivam, estejam protegidas contra doenças fatais que as vacinas têm o poder de prevenir.”

Ao longo dos últimos 25 anos, investimentos sustentados de governos e parceiros, compromissos das comunidades, fortalecimento dos programas e ampla confiança pública reduziram em 40% o número anual de crianças zero-dose. Nos países apoiados pela Gavi, por exemplo, as crianças estão protegidas contra mais doenças do que nunca, com uma cobertura média de 74% para o conjunto completo de vacinas recomendadas pela OMS.

“Os níveis históricos de imunização observados nos países de menor renda mostram o que pode ser alcançado quando todas as partes trabalham juntas em torno de um objetivo comum”, afirmou Dr. Sania Nishtar, CEO da Gavi. “Ao iniciar um novo ciclo de cinco anos, nosso grande desafio será manter esse impulso diante de restrições orçamentárias, incertezas geopolíticas e surtos crescentes, ao mesmo tempo em que intensificamos os esforços para alcançar as crianças que ainda não têm acesso à imunização.”

No entanto, as bases que possibilitaram esse progresso estão sob forte pressão. O impacto total dos cortes no financiamento internacional para a saúde anunciados nos últimos dois anos ainda não está refletido nestas estimativas. Contudo, os sistemas de dados necessários para monitorar esses impactos e evitar retrocessos já demonstram sinais de enfraquecimento.

Segundo os dados, apenas 18 pesquisas nacionais de imunização foram realizadas e enviadas neste ciclo, em comparação com 50 em 2024 e uma média de 33 por ano entre 2015 e 2019. As agências alertam que a redução dos investimentos nos sistemas de dados necessários para identificar e alcançar crianças não vacinadas resultará em surtos e mortes que poderiam ser evitados.

A OMS e o UNICEF trabalham com a Gavi e outros parceiros para implementar a Agenda de Imunização 2030 (IA2030), cujo objetivo é garantir que as vacinas cheguem a todas as pessoas, em todos os lugares e em todas as idades. No entanto, o mundo está cada vez mais distante da meta global de reduzir o número de crianças zero-dose.

Para corrigir essa trajetória e fechar essa lacuna crítica, OMS e UNICEF conclamam governos e parceiros a:

  • Fortalecer a imunização em contextos frágeis e afetados por conflitos, garantindo o acesso e a permanência das crianças nos programas de vacinação;
  • Combater informações falsas e enganosas sobre saúde, apoiando plenamente iniciativas para acelerar a adesão às vacinas;
  • Aumentar e sustentar o financiamento doméstico e internacional para programas e parcerias de imunização, incluindo a Gavi;
  • Investir em sistemas mais robustos de dados e vigilância epidemiológica, capazes de orientar o fortalecimento de programas de vacinação de alto impacto.

 

Contatos para a imprensa

Aline Tavares
Oficial de Comunicação - Media Relations
Telefone: 61 998180250
Elisa Meirelles Reis
Especialista de Comunicação
UNICEF Brasil
Telefone: (61) 98166 1649

Notas dos editores: 

Baixe os conteúdos multimídia aqui.

Acesse a base de dados da OMS: Paniel Global, dados por país, e recursos adicionais.

Acesse a base de dados do UNICEF: Página geral, dados completos, vizualização de dados, dados regionais, dados por País.

As estimativas WUENIC, incluindo dados históricos, são revisadas anualmente à medida que novos dados nacionais se tornam disponíveis. Os números apresentados neste comunicado não devem ser comparados com relatórios publicados em anos anteriores.

Com base nos dados reportados pelos países, as Estimativas da OMS e do UNICEF sobre Cobertura Nacional de Imunização (WUENIC) constituem o maior e mais abrangente conjunto de dados do mundo sobre tendências de imunização para vacinas que protegem contra 13 doenças e que são administradas por meio dos sistemas regulares de saúde — normalmente em clínicas, centros comunitários, serviços de alcance comunitário ou durante visitas de profissionais de saúde. Em 2025, dados foram fornecidos por 185 países.

A OMS e o UNICEF trabalham com a Gavi, a Aliança para Vacinas, e outros parceiros para implementar a Agenda de Imunização 2030 (IA2030), uma estratégia para que todos os países e parceiros globais alcancem metas estabelecidas para prevenir doenças por meio da imunização e garantir vacinas para todas as pessoas, em todos os lugares e em todas as idades.

Para mais informações, entre em contato:

Sara Alhattab | UNICEF Nova York | +1 917 957 6536 | [email protected]

Imprensa da OMS | [email protected]

Sobre o UNICEF

O UNICEF, Fundo das Nações Unidas para a Infância, trabalha para proteger os direitos de cada criança e adolescente, em todos os lugares, especialmente os mais vulneráveis, nos locais mais remotos. Em mais de 190 países e territórios, fazemos o que for preciso para ajudar crianças e adolescentes a sobreviver, prosperar e alcançar seu pleno potencial. Em 2025, o UNICEF comemorou 75 anos no Brasil.

O trabalho do UNICEF é financiado inteiramente por doações.

Acompanhe nossas ações no Facebook, Twitter, Instagram, YouTube e LinkedIn.

Sobre a OMS

Dedicada ao bem-estar de todas as pessoas e guiada pela ciência, a Organização Mundial da Saúde lidera e promove esforços globais para garantir que todos, em todos os lugares, tenham uma oportunidade igual de viver com saúde e segurança. Como agência das Nações Unidas para a saúde, a OMS conecta países, parceiros e pessoas em mais de 150 localidades, liderando a resposta global a emergências de saúde, prevenindo doenças, enfrentando suas causas fundamentais e ampliando o acesso a medicamentos e cuidados de saúde. Sua missão é apoiar todos os países a promover, oferecer e proteger a saúde.

“Juntos pela saúde. Ao lado da ciência”, tema do Dia Mundial da Saúde 2026, marca uma campanha de um ano destinada a destacar a ciência como base para a proteção da saúde e do bem-estar em todo o mundo.