“Com informação de qualidade, salvamos vidas”

Raíssa Araújo, 18 anos, que participou do projeto Jovens Comunicadores no Rio de Janeiro, acredita que o enfrentamento das "fake news" é importante

UNICEF Brasil
Foto mostra uma jovem sorridente olhando para a câmera
UNICEF/BRZ/Fred Borba
10 janeiro 2022

O Complexo da Maré, comunidade localizada na Cidade do Rio de Janeiro, abriga mais de 140 mil pessoas. Uma delas é Raíssa Araújo, de 18 anos. A jovem estudante, que chegou ao território aos sete anos, participou, em 2021, do projeto Jovens Comunicadores. A iniciativa é fruto de uma parceria entre o UNICEF e a BemTv, e mobilizou 100 adolescentes e jovens para alcançar mais de 14 mil moradores da Maré e da Pavuna, na Zona Norte da capital fluminense.

Mesmo que não tenha nascido na Maré, Raíssa revela a satisfação de ter feito parte do grupo de 100 adolescentes e jovens que, durante três meses, levou informações sobre saúde, direitos, serviços e questões sociais a comunidades do Rio de Janeiro. “É incrível fazer algo pelo povo da Maré, eu tenho um vínculo muito grande com esse lugar”, afirma.

Ao longo das mais de 100 horas de formação online, os 100 adolescentes e jovens mobilizados participaram diariamente de aulas e de debates sobre identificação de informações falsas, adequação de linguagem e produção de conteúdos para serem compartilhados via redes sociais. Entre os 23 temas trabalhados, a pandemia de covid-19 foi o principal, destacando informações sobre prevenção, uso de máscaras, higiene, procedimentos em caso de infecção e saúde pública.

Raíssa descreve o período em que esteve com os Jovens Comunicadores como intenso e necessário. “Combater a desinformação é essencial, principalmente neste cenário de pandemia. Com informação de qualidade, a gente ajudou a salvar vidas. Isso porque vejo o retorno, a troca de mensagens com as pessoas que fazem parte dos meus grupos de contato. Depois que elas se familiarizaram com a dinâmica, eu me senti motivada a continuar”.

Segundo a jovem, aprender a usar uma linguagem clara e direta foi importante para a criação de vínculo com os moradores das comunidades da Maré e da Pavuna. Durante as trocas de mensagem com os moradores, Raíssa percebeu o valor que seu trabalho tinha para a sua comunidade. “A gente não precisa falar de forma tão formal como nos jornais ou na TV para falar com as pessoas. Aprendi que precisamos usar a linguagem que seu público está pedindo. É muito gratificante conseguir achar uma forma eficaz de fazer com que a informação chegue às favelas. É só ser simples e claro”, conta.

Após o fim do projeto, a jovem, que cursa iniciação científica na Fiocruz, se sente realizada, com a sensação de uma importante etapa cumprida. Raíssa pretende continuar ajudando as pessoas de seu território, combatendo a desinformação e sente que já deu os primeiros passos para seu futuro.

“A comunicação e o acesso à informação são necessários em qualquer profissão. Quero sempre ser uma jovem comunicadora. O projeto me abriu muitas portas e eu gostaria de fazer o mesmo com as pessoas com histórias como a minha. Um dos meus principais objetivos é unir a ciência e a comunicação”, afirma.