UNICEF apresenta análise das desigualdades na infância e adolescência em Maceió

Monitoramento indica que territórios mais vulneráveis apresentaram melhoras

16 dezembro 2020

Maceió, 16 de dezembro de 2020 – Entre 2016 e 2019, a cidade de Maceió apresentou uma diminuição significativa das desigualdades relacionadas à infância e à adolescência. Nos sete bairros do VIII Distrito Sanitário que registravam os piores índices de homicídios de adolescentes em 2016, o indicador caiu 62%, de 143,12 para 54,90 mortes por cada grupo de 100 mil habitantes em 2019. Dos quatro distritos sanitários com as mais graves taxas de mortalidade neonatal (nos primeiros 28 dias de vida) de Maceió em 2016, em três houve alguma melhora entre 2016 e 2019. A gravidez na adolescência caiu nas regiões onde era mais grave em 2016, especialmente nos quatro distritos sanitários que tinham os piores indicadores.

Os dados fazem parte do monitoramento de indicadores que o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) realiza nas dez capitais brasileiras que participaram da Plataforma dos Centros Urbanos 2017-2020: Maceió, Belém, Fortaleza, Manaus, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Luís, São Paulo e Vitória. Os dados estão disponíveis aqui.

"É preciso direcionar as políticas públicas para os territórios mais vulneráveis", diz Dennis Larsen, chefe do escritório do UNICEF no Recife, responsável também pela atuação do UNICEF em Alagoas. "O envolvimento da Prefeitura de Maceió na Plataforma dos Centros Urbanos é exemplar, e essa parceria certamente tem sido importante para a evolução desses indicadores", completa.

Redução de homicídios de adolescentes
A taxa média de homicídios de adolescentes em Maceió passou de 87,38 mortes por 100 mil habitantes em 2016 para 44,18 em 2019. Os avanços se deram tanto nas áreas mais vulneráveis quando entre os grupos mais expostos à violência: meninos e adolescentes negros. A taxa de homicídios de adolescentes homens caiu pela metade entre 2016 e 2019, de 171,66 para 85,06 por 100 mil habitantes. Seguindo a mesma tendência, a taxa de homicídios de adolescentes negros em Maceió passou de 130,25 para 69,70 por 100 mil habitantes no período, uma redução de 46%.

Promoção dos direitos da primeira infância
Dos quatro distritos sanitários com as mais graves taxas de mortalidade neonatal de Maceió em 2016, em três houve melhora até 2019. No I Distrito Sanitário, a taxa caiu de 10,1 para 6,79 mortes por 1.000 nascidos vivos. No VI Distrito Sanitário, a taxa oscilou de 8,91 para 7,66 por 1.000 nascidos vivos. E no VII Distrito, que reúne cinco bairros, a queda foi de 12,84 para 11,98 por 1.000 nascidos vivos. A exceção é o II Distrito Sanitário, onde a taxa aumentou de 14,69 para 15,32 mortes por 1.000 nascidos vivos.

Enfrentamento da exclusão escolar
Em 2016, em Maceió, a taxa de abandono escolar no ensino fundamental da rede municipal era de 4,1%, o equivalente a 1.400 estudantes que abandonaram a escola. Essa taxa caiu pela metade em 2019, para 2,1%. Esse percentual indica que 650 estudantes abandonaram a escola nesse ano.

Gravidez na adolescência
Em média, a taxa de bebês com mães adolescentes na cidade de Maceió também baixou. Passou de 23% para 18,02%. Em números absolutos, mais de 700 meninas deixaram de viver uma maternidade precoce em relação ao que teria acontecido se a taxa de 2016 tivesse se mantido. A redução ocorreu tanto entre meninas de 10 a 14 anos quanto entre adolescentes de 15 a 19 anos. Vale destacar que os indicadores de gravidez na adolescência envolvem um desafio complexo, pois, entre meninas de 10 a 14 anos, há sempre presunção de violência, merecendo uma atenção específica das políticas públicas.

A análise dos indicadores de Maceió está disponível aqui.

Sobre a Plataforma dos Centros Urbanos – Uma iniciativa do UNICEF, em cooperação com governos e parceiros, a Plataforma dos Centros Urbanos busca promover os direitos das crianças e dos adolescentes mais afetados pelas desigualdades existentes dentro de cada cidade. Em sua terceira edição, de 2017 a 2020, a iniciativa aconteceu em dez capitais brasileiras: Belém (PA), Fortaleza (CE), Maceió (AL), Manaus (AM), Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA), São Luís (MA), São Paulo (SP) e Vitória (ES).

Contatos para a imprensa

Bruno Viécili
Especialista em Comunicação
UNICEF Brasil
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Sobre o UNICEF
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