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Nenhum país do G20 tem maioridade penal abaixo dos 18 anos

UNICEF analisou leis de países como Estados Unidos, Argentina, China e Alemanha. Nenhum deles pune adolescentes como adultos

04 novembro 2026

Brasília, 04 de novembro de 2026 – 19 das maiores economias do mundo têm a maioridade penal aos 18 anos, e, como regra geral, nenhum destes países pune adolescentes como adultos. É o que revela um levantamento realizado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) entre os meses de agosto e setembro de 2026 nos 19 países que compõem o G20, grupo das maiores economias mundiais (veja lista completa abaixo), incluindo nações como Estados Unidos, Argentina, China, África do Sul e Japão, além do Brasil.

O levantamento analisou dois aspectos: 

  • Maioridade penal: a idade em que uma pessoa começa a ser julgada como adulto (no Brasil, é de 18 anos)  
  • Idade de responsabilização penal: a idade em que um adolescente já pode responder na Justiça, mas em um sistema específico para sua faixa etária(no Brasil, é de 12 anos). 

A análise revela que, em todos os países analisados, a maioridade penal é 18 anos. O que muda entre eles é a idade em que adolescentes começam a ser responsabilizados por seus atos, em um sistema de justiça juvenil: a idade de responsabilização penal. O Brasil é um dos países em que essa responsabilização começa mais cedo, aos 12 anos – antes que Alemanha, Japão, Argentina, Itália e França, por exemplo.

O levantamento também revelou que todos os países do G20 possuem sistemas de justiça separados para adultos e adolescentes que cometeram alguma infração. Mesmo naqueles em que existem exceções que podem permitir que um adolescente seja encaminhado ao sistema penal adulto (7 dos 19 países analisados), a regra geral segue sendo a maioridade aos 18 anos.

Acesse o mapa interativo abaixo:

“Os países mais ricos do mundo, onde vivem cerca de 60% da população mundial, concordam que é possível responsabilizar um adolescente sem tratá-lo como adulto. Mesmo com pequenas diferenças, todos os países que analisamos têm sistemas próprios para responsabilizar adolescentes que cometeram atos infracionais, separados dos adultos, e ainda tendo acesso à educação, saúde e assistência social. Tudo isso para alcançar o objetivo real da punição: que os adolescentes possam se recuperar, voltar à sociedade e não cometam novas infrações”, explica Joaquin Gonzalez-Aleman, representante do UNICEF no Brasil.

 

Reduzir a maioridade penal não traz maior segurança

A análise do UNICEF revelou, ainda, lugares que fizeram o caminho inverso ao que vem sendo tentado no Brasil e aumentaram a maioridade penal. Nos Estados Unidos, um dos países analisados, os estados de Nova Iorque, Connecticut e Carolina do Norte, que historicamente julgavam adolescentes de 16 e 17 anos como adultos, mudaram suas leis e voltaram a responsabilizá-los em um sistema de justiça juvenil específico. As mudanças aconteceram depois que foi observado que tratar adolescentes como adultos perante a Justiça não contribuiu para diminuir a criminalidade e melhorar a segurança pública.

"Experiências internacionais mostram que misturar adolescentes e adultos no mesmo sistema prisional pode fazer o contrário do esperado: em vez de afastá-los do crime, pode aproximá-los de redes criminosas mais estruturadas, ao mesmo tempo em que rompe seus vínculos com a escola, a família e a comunidade. A posição do UNICEF é clara: responsabilizar adolescentes que cometem atos infracionais é necessário. Mas para isso, não é preciso tratá-lo como adulto”, afirma o representante.

Confira aqui o posicionamento do UNICEF em relação à redução da maioridade penal.

Entenda a diferença: maioridade penal vs. idade de responsabilização penal

A análise dos países do G20 ainda desmistifica um equívoco comum: que a maioridade penal no Brasil é maior do que nos países mais ricos no mundo. A confusão acontece porque muita gente entende que maioridade penal e idade de responsabilização penal são a mesma coisa. Mas não são.

A primeira é a idade em que alguém começa a ser julgado como adulto naquele país. Já a segunda, a idade de responsabilização, é quando um adolescente já pode responder na Justiça, mas em um sistema separado.  Como mostra a tabela, todos os 19 países do G20 analisados pelo UNICEF responsabilizam pessoas que cometem infrações em sistemas específicos a depender da idade: sistema prisional para adultos e justiça juvenil para adolescentes.

Em fevereiro, por exemplo, a Argentina fez uma mudança em seu sistema de justiça juvenil. Mas o país não diminuiu a maioridade penal, que segue sendo aos 18 anos, e sim a idade de responsabilização penal. Ela passou dos 16 para os 14 anos – uma idade superior à adotada no Brasil, que já responsabiliza adolescentes que cometeram atos infracionais desde os 12 anos. 

E na América Latina?

Além dos países do G20, o UNICEF analisou as idades de maioridade penal e de responsabilização penal em toda a América Latina. Considerando os 20 países que compõem a região (incluindo o Brasil), o resultado é similar: 19 países têm a maioridade penal aos 18 anos, e apenas um escolhe julgar adolescentes como adultos (Haiti, que tem maioridade penal aos 16 anos). Exceções à maioridade penal só existem em dois países no continente: Cuba e El Salvador. Além disso, o Brasil segue como um dos países que responsabiliza os adolescentes que cometeram atos infracionais mais cedo na região, antes de nações como Argentina, Chile, Uruguai e Paraguai.

Tabelas

Tabela 1 - Maioridade penal e idade de responsabilização penal em países do G20
UNICEF no Brasil, 2026

País

Idade de responsabilização

Maioridade penal

Quando já responde por seus atos na Justiça, de acordo com idade e em sistema separado

Quando é julgado como adulto(a)

1

Brasil12 anos18 anos

2

África do Sul12 anos18 anos

3

Alemanha14 anos18 anos

4

Arábia Saudita7 anos18 anos*

5

Argentina14 anos (reduzido recentemente, dos 16 anos)18 anos

6

AustráliaVaria por estado (no geral, 10 a 12 anos)18 anos

7

Canadá12 anos18 anos*

8

China16 anos*18 anos

9

Coreia do Sul14 anos18 ou 19 anos (depende do enquadramento legal usado)*

10

Estados UnidosVaria por estado (no geral, 10 a 12 anos)18 anos*

11

França13 anos*18 anos

12

Índia7 anos18 anos*

13

Indonésia12 anos18 anos

14

Itália14 anos18 anos

15

Japão14 anos18 anos*

16

México12 anos18 anos

17

Reino UnidoVaria de 10 anos (Inglaterra, País de Gales e Irlanda do Norte) a 12 anos (Escócia)18 anos*

18

Rússia14 anos18 anos

19

Turquia12 anos18 anos

* com exceções

Tabela 2 - Maioridade penal e idade de responsabilização penal em países da América Latina
UNICEF no Brasil, 2026

País

Idade de responsabilização

Maioridade penal

Quando já responde por seus atos na Justiça, de acordo com idade e em sistema separado

Quando é julgado como adulto(a)

1

Brasil12 anos18 anos

2

Argentina14 anos (reduzido recentemente, dos 16 anos)18 anos

3

Bolívia14 anos18 anos

4

Chile14 anos18 anos

5

Colômbia14 anos18 anos

6

Costa Rica12 anos18 anos

7

Cuba16 anos18 anos*

8

El Salvador12 anos18 anos*

9

Equador12 anos18 anos

10

Guatemala13 anos18 anos

11

Haiti13 anos16 anos

12

Honduras12 anos18 anos

13

México12 anos18 anos

14

Nicaragua13 anos18 anos

15

Panamá12 anos18 anos

16

Paraguai14 anos18 anos

17

Peru14 anos18 anos

18

República Dominicana13 anos18 anos

19

Uruguai13 anos18 anos

20

Venezuela14 anos18 anos

* com exceções

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Aline Tavares - Nacional
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Sobre o UNICEF

O UNICEF, Fundo das Nações Unidas para a Infância, trabalha para proteger os direitos de cada criança e adolescente, em todos os lugares, especialmente os mais vulneráveis, nos locais mais remotos. Em mais de 190 países e territórios, fazemos o que for preciso para ajudar crianças e adolescentes a sobreviver, prosperar e alcançar seu pleno potencial. Em 2025, o UNICEF comemora 75 anos no Brasil.

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