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Crianças não estão no foco das campanhas à Presidência nas redes sociais, alerta UNICEF

Crianças não estão no foco das campanhas à Presidência nas redes sociais, alerta UNICEF

03 setembro 2026
Adolescente com telefone
UNICEF/BRZ/Ueslei Marcelino

Brasília, 03 de setembro de 2026 – Os direitos das crianças e adolescentes, e os desafios que elas enfrentam cotidianamente – incluindo a violência –, não estão no foco das campanhas digitais dos candidatos à Presidência da República.  É o que revela uma análise realizada pela startup Autoridades Brasil, a pedido do UNICEF, sobre as publicações de Augusto Cury (AVANTE), Flávio Bolsonaro (PL), Lula (PT), Renan Santos (MISSÃO), Romeu Zema (NOVO) e Ronaldo Caiado (PSD) no Facebook, Instagram, YouTube e X, antigo Twitter, de 16 a 30 de agosto de 2026. 

Nos 15 primeiros dias de campanha eleitoral, foram raras as postagens dos seis principais candidatos ao Planalto abordando o tema das crianças.  Em conjunto, eles publicaram 1.652 conteúdos em redes sociais. Destes, apenas 26 citavam crianças e adolescentes (1,6%). Entre os temas abordados, 8 postagens tratavam de Violência/Segurança Pública, 5 falavam sobre Educação, 4 sobre Proteção Social, 4 sobre Saúde e outras 5 apenas citavam crianças sem uma abordagem específica. 

Além de falar muito pouco sobre meninas e meninos nas redes sociais, os candidatos – de maneira geral – não usaram seus canais para apresentar propostas concretas para a infância e adolescência no Brasil, em especial para o tema da violência. A maioria apenas citou temas relacionados aos direitos de crianças de forma genérica, sem trazer compromissos mais robustos. 

“Crianças e adolescentes representam quase um quarto da população brasileira, mas continuam ocupando um espaço muito pequeno no debate eleitoral. A eleição presidencial é uma oportunidade única para discutir soluções para os desafios que afetam milhões de meninas e meninos, em especial a proteção contra as violências, um dos graves problemas que o País precisa endereçar”, afirma Joaquin Gonzalez-Aleman, Representante do UNICEF no Brasil. 

Apenas em 2025, 2.079 crianças e adolescentes foram mortos de forma violenta no Brasil – quase 6 a cada dia, a maioria adolescentes do sexo masculino e negros. Dentro da casa, houve um aumento de 106% nos maus tratos entre 2024 e 2025, com mais de 38 mil casos no último ano. E foram registrados 61 mil estupros ou estupros de vulnerável no País, a maioria ocorrida em casa por autor conhecido. 

Diante desse cenário, o UNICEF reforça a importância de propostas concretas para garantir os direitos de meninas e meninos e protegê-los da violência. A organização convida os candidatos a se comprometerem publicamente a:  

  • Para combater a violência dentro de casa:  

Tendo como proposta concreta a inclusão da “parentalidade protetiva” nas políticas já existentes de Primeira Infância, cuidados, assistência social e enfrentamento às violências. Isso inclui formar os agentes públicos que hoje chegam às casas das famílias (como as equipes de assistência social, saúde, educação, Conselhos Tutelares, entre outros) para que saibam orientar pais, mães e cuidadores a prevenir a violência e adotar práticas parentais não violentas.

  • Para enfrentar a violência fora de casa:

Propondo a criação de uma Política Nacional de Prevenção de Violências contra Adolescentes, que vá além da Segurança Pública, coordenando diferentes áreas – Educação, Trabalho e Emprego, Assistência Social, entre outros – tanto para reduzir os fatores de risco associados à violência, como o abandono escolar, a pobreza, o racismo e a falta de acesso a oportunidades, quanto para responder aos casos em que essa violência já aconteceu. 

Como cada candidato falou sobre crianças em suas redes 

Augusto Cury 

Proporcionalmente, Augusto Cury (AVANTE) foi o candidato que mais tratou de crianças em suas redes sociais. De 169 posts publicados na primeira quinzena de campanha, 6 tratavam de crianças (4%).  

Em suas postagens, Cury abordou principalmente Educação e Proteção Social. Nas redes, o candidato defendeu a responsabilidade fiscal como forma de proteger o futuro das crianças e adolescentes, destacando a necessidade de preservar investimentos em educação, saúde e oportunidades para as próximas gerações. 

No campo da Educação, Cury propôs fortalecer um ensino voltado ao desenvolvimento de habilidades socioemocionais, com foco na prevenção e cuidado com a saúde mental e associou sua agenda para a infância à formação de pensadores, ao estímulo da curiosidade e à ampliação de oportunidades para que crianças possam “sonhar grande”. O candidato, no entanto, não detalhou como pretende alcançar esses objetivos. 

Flávio Bolsonaro  

Flávio Bolsonaro (PL) foi, proporcionalmente, o segundo candidato que mais citou crianças nas redes sociais. De 256 postagens, 7 citavam crianças (3%), concentradas sobretudo em conteúdos sobre violência e segurança pública. 

O candidato defendeu a proteção de crianças e adolescentes contra a violência e o aliciamento pelo crime organizado, sem citar propostas concretas para resolver o problema. Flávio criticou a exposição de crianças a atividades criminosas e reforçou o discurso de combate à impunidade. Também associou a pauta da infância à defesa de punições mais duras para abusadores sexuais. 

De forma mais genérica, o candidato destacou que as crianças “vão salvar o Brasil” ao republicar um vídeo em que uma criança dança um jingle de sua campanha. 

Lula 

O candidato Lula (PT) falou sobre crianças em 4 de suas 368 publicações (1,1%). Diferentemente de outros candidatos, suas menções ficaram concentradas na pauta de Saúde, com ênfase na vacinação infantil.  

Nas redes, Lula mobilizou a campanha de multivacinação para incentivar responsáveis a levarem crianças e adolescentes menores de 15 anos aos postos de saúde, reforçando o papel do SUS na prevenção de doenças graves. 

Além disso, também houve uma menção ao aumento da vacinação infantil dentro de um balanço mais amplo de resultados na área da saúde, inserindo a pauta da infância em uma narrativa de entrega de políticas públicas. 

Renan Santos 

Renan Santos (MISSÃO) foi quem, proporcionalmente, falou menos sobre crianças e adolescentes. Apesar de ser o candidato mais ativo nas redes, com 399 publicações no período, em apenas 2 citou crianças (0,5%), falando sobre violência e segurança pública. 

O candidato defendeu o endurecimento das penas e criticou a concessão de saídas temporárias a pessoas condenadas por crimes graves, após relatar o estupro de uma adolescente de 16 anos. Também afirmou que crianças e adolescentes são vítimas de violência letal e cobrou maior atenção da imprensa e do poder público à pauta da segurança, sem apresentar soluções concretas a esse desafio. 

Romeu Zema 

Romeu Zema (NOVO) citou crianças em 5 de suas 279 publicações (2%). Suas menções a crianças focaram em proteção social. 

Parte das publicações de Zema associou a pauta das crianças à crítica da gestão pública e à defesa de eficiência administrativa. Ao citar a merenda escolar, os postos de saúde e a situação social encontrada em Minas Gerais, o candidato procurou mostrar que melhoria fiscal e boa gestão podem produzir efeitos concretos para crianças e famílias, sem detalhar como isso aconteceria. 

De forma genérica, Zema também usou a infância em registro pessoal, ao afirmar que “rala desde criança”. 

Ronaldo Caiado 

Ronaldo Caiado (PSD) teve 2 de suas 181 publicações focadas em crianças e adolescentes (1,1%). Seus conteúdos se dividiram entre Educação e uma abordagem mais simbólica sobre o futuro. 

Em uma das postagens, ressaltou a melhoria dos indicadores educacionais de Goiás durante sua gestão e afirmou que pretende levar para todo o Brasil os avanços que atribui às políticas implementadas no estado. Em outra, publicou um vídeo em que uma criança manifesta carinho ao candidato, usando essa interação para reforçar a ideia de compromisso com o futuro das novas gerações, mas sem propostas concretas para garantir direitos. 
 

Sobre o Autoridades Brasil 
Autoridades Brasil é uma political tech que mantém o maior painel de acompanhamento de autoridades políticas nas redes sociais do país. A startup realiza a captura diária de conteúdos publicados por mais de 6.000 perfis políticos no Facebook, Instagram, YouTube e X, antigo Twitter. 

Saiba mais em autoridadesbrasil.com.br 

Contatos para a imprensa

Aline Tavares
Oficial de Comunicação - Media Relations
Telefone: 61 998180250

Sobre o UNICEF

O UNICEF, Fundo das Nações Unidas para a Infância, trabalha para proteger os direitos de cada criança e adolescente, em todos os lugares, especialmente os mais vulneráveis, nos locais mais remotos. Em mais de 190 países e territórios, fazemos o que for preciso para ajudar crianças e adolescentes a sobreviver, prosperar e alcançar seu pleno potencial. Em 2025, o UNICEF comemora 75 anos no Brasil.

O trabalho do UNICEF é financiado inteiramente por contribuições voluntárias.

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