1 em cada 3 pessoas no mundo não tem acesso a água potável, dizem o UNICEF e a OMS

Novo relatório sobre as desigualdades no acesso a água, saneamento e higiene também revela que mais da metade do mundo não tem acesso a serviços de saneamento seguro

18 junho 2019
Foto mostra dois irmãos lavando as mãos em um tanque de água que tem o logo do UNICEF. Eles estão em um campo para refugiados no Iraque.
UNICEF/UN0203985/Jeelo
"Não podemos imaginar nossa vida sem água. É muito bom que tenhamos um tanque de água ao lado da nossa tenda". Mujbal e Mutaab são irmãos que estão deslocados de Al-Qaim, no Iraque, perto da fronteira com a Síria.

Nova Iorque/Genebra, 18 de junho de 2019 – Bilhões de pessoas em todo o mundo continuam sofrendo com o acesso precário a água, saneamento e higiene, segundo um novo relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e da Organização Mundial da Saúde (OMS). Cerca de 2,2 bilhões de pessoas em todo o mundo não têm serviços de água tratada*, 4,2 bilhões de pessoas não têm serviços de saneamento adequado e 3 bilhões não possuem instalações básicas** para a higienização das mãos.

O relatório do Programa Conjunto de Monitoramento (JMP) da OMS e do UNICEF, Progress on drinking water, sanitation and hygiene: 2000-2017: Special focus on inequalities (Progressos sobre água, saneamento e higiene: 2000-2017: Foco especial nas desigualdades – disponível somente em inglês) revela que, embora tenham sido feitos importantes progressos para alcançar o acesso universal à água, ao saneamento básico e à higiene, há enormes lacunas na qualidade dos serviços prestados.

"Mero acesso não é o suficiente. Se a água não é limpa, não é segura para beber ou fica afastada, e se o acesso ao banheiro é inseguro ou limitado, então não estamos entregando o que é necessário para as crianças do mundo", disse Kelly Ann Naylor, diretora associada do programa de Água, Saneamento e Higiene do UNICEF. "As crianças e suas famílias nas comunidades pobres e rurais correm o maior risco de ser deixadas para trás. Os governos devem investir nas comunidades delas, se quisermos unir essas divisões econômicas e geográficas e entregar esse direito humano essencial".

O relatório revela que 1,8 bilhão de pessoas têm acesso a serviços básicos de água potável desde 2000, mas há grandes desigualdades na acessibilidade, disponibilidade e qualidade desses serviços. Estima-se que 1 em cada 10 pessoas (785 milhões) ainda carece de serviços básicos, incluindo os 144 milhões que bebem água não tratada. Os dados mostram que 8 em cada 10 pessoas vivendo em áreas rurais não têm acesso a esses serviços e que, em 25% dos países que apresentam estimativas de diferentes grupos de poder aquisitivo, a cobertura de serviços básicos para os grupos mais ricos é pelo menos duas vezes maior do que para os mais pobres.

"Os países devem dobrar seus esforços em saneamento básico ou não alcançaremos o acesso universal até 2030", disse Maria Neira, diretora do Departamento de Saúde Pública, Determinantes Ambientais e Sociais da Saúde da OMS. "Se os países não conseguirem intensificar os esforços de saneamento, água potável e higiene, continuaremos a viver com doenças que deveriam ter ficado há muito tempo nos livros de história: doenças como diarreia, cólera, febre tifoide, hepatite A e doenças tropicais negligenciadas, incluindo tracoma, vermes intestinais e esquistossomose. Investir em água, saneamento e higiene é economicamente viável e bom para a sociedade de muitas maneiras. É uma base essencial para a boa saúde".

O relatório também diz que 2,1 bilhões de pessoas têm acesso aos serviços de saneamento básico desde 2000, mas que em muitas partes do mundo os resíduos produzidos não são tratados com segurança. Também revela que 2 bilhões de pessoas ainda carecem de saneamento básico, entre as quais 70% vivem em áreas rurais e uma em cada três delas vive nos países menos desenvolvidos.

Desde 2000, a proporção da população que realiza defecação a céu aberto foi reduzida para metade, de 21% para 9%, e 23 países estão próximos de eliminar o problema, o que significa que menos de 1% da população está praticando a defecação a céu aberto. No entanto, 673 milhões de pessoas ainda realizam a prática, e estão cada vez mais concentradas em países de alta morbidade***. Ainda pior, em 39 países, o número de pessoas que praticam a defecação a céu aberto aumentou, sendo a maioria na África ao sul do Saara, onde muitos países experimentaram um forte crescimento populacional durante esse período.

Finalmente, o relatório destaca novos dados que mostram que 3 bilhões de pessoas carecem de instalações básicas de lavagem das mãos com água e sabão em casa, em 2017. Também mostra que quase 75% da população dos países menos desenvolvidos não tinham instalações básicas de lavagem das mãos. Todos os anos, 297 mil crianças menores de 5 anos morrem devido à diarreia associada a água, saneamento e higiene inadequados. Saneamento deficiente e água contaminada também estão ligados à transmissão de doenças como cólera, disenteria, hepatite A e febre tifoide.

"A eliminação das desigualdades na acessibilidade, qualidade e disponibilidade de água, saneamento e higiene deve estar no centro das estratégias de financiamento e planejamento do governo. Afrouxar os planos de investimento para cobertura universal é enfraquecer décadas de progresso ao custo das próximas gerações", disse Kelly Ann Naylor.

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Nota para os editores

* Serviços de água tratada: consumo de água potável de fontes localizadas, livre de contaminação e disponível quando necessária, e utilização de banheiros dos quais os resíduos são tratados e descartados com segurança.

** Instalações básicas: existência de uma fonte de água potável protegida que leva menos de trinta minutos para coletar água, com utilização de um banheiro melhorado ou latrina que não precisa ser compartilhada com outros domicílios e com instalações para lavar as mãos com sabão e água.

*** Países de alta morbidade: Mais de 5% da população que praticou a defecação a céu aberto, em 2017, incluem: Angola, Benin, Burkina Faso, Camboja, Chade, China, Costa do Marfim, Eritreia, Etiópia, Filipinas, Gana, Iêmen, Índia, Indonésia, Madagascar, Moçambique, Nepal, Níger, Nigéria, Paquistão, Quênia, República Democrática do Congo, Sudão, Sudão do Sul, Tanzânia e Togo.

Sobre o JMP

O Programa Conjunto de Monitoramento (JMP) da OMS e do UNICEF para abastecimento de Água, Saneamento e Higiene é o mecanismo oficial das Nações Unidas encarregado de monitorar o progresso nacional, regional e global e, especialmente, das metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) relacionadas ao acesso universal e equitativo a água potável, saneamento e higiene. O JMP é uma fonte autorizada de estimativas comparadas internacionalmente que fazem referência a decisões políticas e alocações de recursos, especialmente no nível internacional.

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Sobre o UNICEF
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) trabalha em alguns dos lugares mais difíceis do planeta, para alcançar as crianças mais desfavorecidas do mundo. Em 190 países e territórios, o UNICEF trabalha para cada criança, em todos os lugares, para construir um mundo melhor para todos.

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