Carta do Rio de Janeiro
30 anos da Convenção sobre os Direitos da Criança
Somos crianças, adolescentes e jovens do Estado do Rio de Janeiro em busca de transformações que garantam espaço, voz e direitos. Somos de diferentes cidades, favelas, periferias, comunidades, complexos, bairros. Do centro, das margens e da Baixada. Neste documento, adotamos e complementamos a Carta de Adolescentes do Brasil.
Somos a diversidade, inclusive de deficiência. Somos de diferentes projetos e coletivos. No Rio de Janeiro, lutamos também contra a intolerância religiosa e pela descriminalização dos nossos territórios e das nossas trajetórias.
Nós, crianças, adolescentes e jovens do Rio de Janeiro, destacamos a importância de também celebrar como conquistas:
- A existência do Estatuto da Criança e do Adolescente.
- A ampliação o acesso às escolas.
- O reconhecimento do bullying como um desafio.
Em nosso Estado, reconhecemos como avanços:
- O aumento e a diversidade de projetos sociais e culturais voltados para as crianças e os adolescentes.
- A criação do Comitê para a Prevenção de Homicídios de Adolescentes no Rio de Janeiro.
- A priorização pelo Ministério Público do Rio de Janeiro dos casos de crimes contra a vida de crianças e adolescentes.
- A existências de escolas que atuam como polos para pessoas como deficiência.
Como desafios para todo o Brasil, vemos:
- A inclusão de crianças e adolescentes com deficiência.
- O fortalecimento da participação política de crianças e adolescentes.
- A garantia de educação sexual e reprodutiva, e o enfrentamento da violência sexual, especialmente em casa.
Como desafios para nosso Estado, apontamos especialmente:
- O desmonte da atenção primária em saúde.
- A falta de atenção à saúde mental dos estudantes.
- A precariedade da infraestrutura das escolas.
- O racismo, a filtragem racial e a abordagem policial dos adolescentes no nosso dia a dia.
- A violência dentro e ao redor das escolas.
- Um sistema socioeducativo que não funciona.
- A dificuldade do ir e vir, especialmente para quem mora na Baixada e na Zona Oeste e para pessoas com deficiência.
Diante desses desafios, concordamos com as exigências da Carta de Adolescentes do Brasil trazemos como propostas urgentes:
- Criar e efetivar os conselhos da Juventude.
- Aprovar o Projeto de Lei Ágatha, que garante a prioridade de investigação dos homicidas de adolescentes e crianças.
- Melhorar as medidas socioeducativas e criar oportunidades para adolescentes que saem do sistema socioeducativo.
- Ampliar e fortalecer as políticas sociais para evitar que mais crianças, adolescentes e jovens entrem no tráfico.
- Financiar mais pesquisas para compreendermos melhor as trajetórias de vida de crianças, adolescentes e jovens.
- Criar canais de denúncia para crianças e adolescentes, que funcionem de verdade e mantenham as crianças protegidas.
Não seremos esquecid@s!
Rio de Janeiro, 21 de novembro de 2019.