União pela fé no combate a cólera.
Por meio de uma aliança, membros de diferentes religiões reforçam o compromisso com a saúde nas suas comunidades.
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O surto da cólera continua a constituir um risco enorme para as comunidades e famílias em Angola. Muitas vidas estão a ser perdidas e se verifica uma rápida expansão do surto, que já afecta 17 das 21 províncias do país. Desde a confirmação do primeiro caso, até a data presente, Angola já regista mais de 13 mil casos, sendo as províncias de Luanda, Bengo, Icolo e Bengo, Cuanza Norte e Benguela as mais afectadas.
Em Angola, as instituições religiosas constituem actores chave na promoção da saúde. O compromisso com as suas comunidades favorece a sua liderança na mudança de atitudes e na adopção de práticas positivas, como as medidas de prevenção da cólera e o tratamento imediato de quem tem os sintomas.
Neste âmbito o Gabinete Provincial da Saúde de Luanda - GPSL, com o apoio da unidade de Mudança Social e de Comportamento do UNICEF Angola, tem estado a promover o engajamento de diferentes instituições religiosas para que tenham acesso as informações que podem salvar vidas, percebam melhor o seu papel e saibam na prática que medidas podem ajudar a combater a cólera.
Celestino Abel Gimbu Pastor da Igreja Convenção Baptista de Angola vê com agrado a iniciativa da Alianca, que já está a permitir aumentar o seu conhecimento sobre a prevenção da cólera e a partilhar com a sua comunidade.
“Foi com muito gosto que recebemos o convite para esta iniciativa. Estou satisfeito com a informação que tenho recebido sobre prevenção e tratamento da cólera”, destacou o líder religioso.
Ávidos em gerar mudanças nas suas comunidades, a Aliança das Instituições Religiosas partiu para acções concretas, assumindo o compromisso de apoiar as suas comunidades no combate à cólera.
“Estamos a instruir a nossa comunidade a estar mais atenta e a seguir as instruções do Ministério da saúde” acrescentou o líder religioso.
Durante o encontro foram abordados temas sobre medidas de prevenção da cólera. Os participantes obtiveram ainda informações sobre como identificar os sintomas da cólera, a importância de buscar o atendimento na unidade sanitária e como preparar o soro de hidratação oral.
Mário Bravo Secretário-Geral da Comunidade Islâmica em Angola destacou a importância do encontro por ser mais uma oportunidade para reforçar o conhecimento sobre as medidas de combate à cólera.
“Nós temos passado mensagens aos nossos fiéis sobre a problemática da cólera. Estamos aqui para os nossos conhecimentos serem mais refrescados e melhor servir a nossa comunidade aqui em Angola”.
Os representantes das igrejas, descrevem o apoio do UNICEF como uma força que deve se expandir para outras províncias.
Fátima Nguisi, representante da igreja do 7º dia dos Ramiros, louva a iniciativa “porque a igreja estava isolada. Agora com a colaboração do Gabinete provincial da saúde e com o apoio do UNICEF, já não nos sentimos sozinhos. Todos vamos apoiar para o bem da nossa população”.
“O envolvimento das igrejas é uma das várias estratégias da área de Mudança Social e de Comportamento do UNICEF, para co-criar soluções com as comunidades que respondem às suas prioridades”. Destacou Ines Filipe White oficial de programa de Mudança Social e de comportamento do UNICEF.
Além de apoiarem a mobilização das comunidades, as lideranças religiosas têm apoiado também a monitorização da qualidade da água consumida, por meio de um projecto piloto de cloração da água.
O primeiro passo nesta parceria foi dado em 2024, após a missão do Conselheiro do UNICEF para a região Austral em Mudança Social e de Comportamento, Siddartha Shresta. A ideia ganhou força após um encontro com representantes de instituições religiosas realizado no município do Kilamba Kiaxi em Luanda, para discutir a força das comunidades baseada na fé na promoção da vacinação de rotina.