Metodologia de ensino ajuda professores a melhorar habilidades de alunos.
Com a abordagem Aprendizagem na Idade certa a promessa de igualdade educacional ganha vida, e cada criança passa a ser estimulada a alcançar o seu potencial máximo.
Em 2023, as estatísticas apontavam que apenas 1 em cada 10 crianças na Africa Subsaariana era capaz de ler e compreender um simples texto aos 10 anos de idade. Esta desigualdade educacional, não afecta apenas o desenvolvimento individual das crianças, mas também compromete o progresso e a estabilidade das sociedades.
Como resposta à crise global da aprendizagem, tem sido implementada em vários países africanos a abordagem Aprendizagem na Idade Certa, AIC ("Teaching at the Right Level" -TaRL em inglês).
Em Angola o UNICEF apoia o Ministério da Educação, na implementação da abordagem com o suporte técnico da organização TaRL África e o financiamento do Banco de Fomento Angola, o Governo da Áustria e a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Inicialmente está a ser implementada em aproximadamente 65 escolas das províncias de Benguela, Cunene, Huíla e Luanda, prevendo cobrir um total de 6 municípios entre Janeiro a Junho de 2024.
“Existem crianças na 3ª classe que não sabem ler. A metodologia do AIC, nos mostra que sim, é possível termos crianças a lerem, a dominarem correctamente os cálculos, pois as actividades são muito pedagógicas e muito dinâmicas” relata Luísa Domingos, professora a mais de anos 20 e ponto focal do AIC em Luanda.
Luísa Domingos fez parte do grupo de 75 professores capacitados em 2023 e que recentemente durante o ciclo de formação realizado entre 26 de Fevereiro e 7 de Março, tiveram a missão de transmitir à outros professores os conhecimentos adquiridos.
A formação que teve lugar em Luanda, reuniu mais de 20 formandos de diferentes escolas e municípios da província com o objectivo principal de aprimorar a prática didática, e fortalecer as habilidades pedagógicas, para promover melhores resultados de aprendizagem e contribuir para redução das disparidades do aprendizado.
Durante a formação, o AIC demonstrou ter o potencial de desempenhar um papel crucial no futuro da educação, inspirando abordagens mais adaptativas e centradas no aluno, e enfrentando os desafios de aprendizagem de maneira mais eficaz, independentemente de seu contexto. Mesmo tendo 37 anos de carreira na área de educação, para mim tudo isso está a ser novo.” Disse Rita Silva, Professora.
Mateus António, professor a 35 anos, disse que “ a abordagem metodológica é muito interactiva, empolgante e divertida, que as crianças vão aprender por meio da diversão ”. O professor acrescentou que “A metodologia vai fazer toda a diferença e que “ as actividades muito interativas motivam os alunos, por isso agrupa-los por nível de aproveitamento será muito importante, pois os objectivos serão direccionados de acordo à real necessidade do aluno”.
Baseada em actividades cuidadosamente planeadas, a formação proporcionou aprendizado significativo, técnicas inovadoras, dinâmicas interativas e envolventes. A aplicação prática de conceitos e habilidades de literacia e numeracia prevê melhorar e acelerar as competências de base dos alunos do ensino primário, os formandos foram desafiados a explorar novas perspectivas. A formação ofereceu uma plataforma única para aprimorar habilidades essenciais.
Mateus António, conta que “anteriormente a esta formação, ao notar que havia estudantes que levavam mais tempo para entender, em relação a outros, ficava na incerteza se cumpria simplesmente o programa ou se retrocedia para que todos entendessem.”
Trata-se de uma estratégia de reforço, recuperação escolar, onde as crianças que têm dificuldades em acompanhar com sucesso o programa escolar são assistidas. Na abordagem, afere-se através de uma avaliação rápida e simplificada o nível real de cognição das crianças, e com base nesse resultado, são agrupadas de modo a assegurar que crianças que hoje estão a frequentar a escola terminem o ensino primário com domínio da leitura, escrita e com a capacidade de realizar cálculos matemáticos básicos como somar, subtrair, multiplicar e dividir.
“O AIC nos apresentou as diversas formas de trabalhar com os alunos para facilitar o processo de aprendizagem, visto que as crianças aprendem brincando, as brincadeiras vão tornar as nossas aulas mais atractivas e facilitar o processo de aprendizagem dos alunos. O interesse em ir a escola vai ser maior”, garante a professora Fernanda Rocha que também beneficiou da formação.
Com duração de dezoito meses, o AIC prevê alcançar aproximadamente 22.000 alunos da 3ª, 4ª e 5ª classes. O objectivo final é a expansão do programa à escala nacional, a fim de melhorar o desempenho dos professores e dos alunos, permitindo que terminem o ensino primário com as competências básicas devidamente assimiladas.