Investir na Prevenção para Garantir o Futuro de Angola.
A verdadeira medida do progresso é saber se a última criança foi alcançada.
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Angola tem registado progressos importantes na melhoria da sobrevivência e do bem‑estar das suas crianças, passando de 69 para 52 mortes por 1000 nascidos vivos, segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística. Nos últimos anos, o forte compromisso do Governo, com o apoio de parceiros, traduziu‑se numa liderança efectiva, em particular através do Ministério da Saúde, que vem impulsionando os serviços de vacinação, os cuidados primários de saúde e expandindo os serviços de saúde materna infantil e nutrição.
No entanto, importa referir que, apesar dos avanços, persistem desafios significativos de acesso e qualidade de serviços, que resultam de inadequada disponibilidade de serviços, sobretudo nas zonas rurais e periurbanas, recordando‑nos que o progresso precisa de ser acelerado e partilhado de forma mais equitativa.
Uma das lacunas mais críticas tem sido as crianças zero‑dose, crianças que nunca receberam uma única vacina de rotina. Antes da pandemia da COVID‑19, quase uma em cada três crianças com menos de um ano não tinham recebido pelo menos uma vacina, ficando vulneráveis a doenças evitáveis. Em vez de se conformar com esta realidade, encoraja-nos a notar que o Governo de Angola tem tomado medidas decisivas para ultrapassar este problema.
Com o apoio do UNICEF, da OMS, da Gavi e com grande suporte do King Salman Humanitarian Aid & Relief Centre - KSrelief, Angola expandiu os serviços de vacinação, investiu na cadeia de frio, reforçou os sistemas de dados e mobilizou as comunidades. Por outro lado, reconhecendo a necessidade de acertar o passo para eliminar doenças tais como a poliomielite, têm organizado rondas sucessivas de Campanhas Nacionais de Vacinação contra a Pólio, cujos resultados têm sido encorajadores. Por exemplo, a campanha de vacinação lançada em março de 2026 alcançou mais de 9 milhões de crianças menores de cinco anos em apenas três dias. Em muitos municípios, os níveis de cobertura aproximaram‑se ou ultrapassaram os 95 por cento necessários para interromper a transmissão do vírus, um feito notável que reflecte coordenação, confiança, compromisso político e engajamento comunitário.
A vacinação, contudo, é apenas um dos pilares da sobrevivência infantil. A nutrição, especialmente durante os primeiros 1.000 dias de vida, desde a gravidez até ao segundo aniversário da criança, continua a ser um dos investimentos mais poderosos que um país pode fazer. Em Angola, segundo os dados do Inquérito de Indicadores Múltiplos e de Saúde (IIMS) 2023-2024, publicados pelo Instituto Nacional de Estatística, aproximadamente 40 por cento das crianças menores de cinco anos são afectadas pela desnutrição crónica, o que limita o crescimento físico, o potencial de aprendizagem e a produtividade futura.
Reconhecendo esta realidade, o Governo tem priorizado os serviços de nutrição como parte integrante dos cuidados primários de saúde. Programas de promoção do aleitamento materno, da nutrição materna, da alimentação complementar da criança pequena, suplementação com micronutrientes e da vigilância do crescimento estão a ser ampliados, garantindo que a prevenção comece cedo e chegue às famílias antes que a desnutrição se torne uma ameaça à vida.
A experiência de Angola mostra, cada vez mais, que a prevenção não é um custo, mas um retorno sobre o investimento. As vacinas estão entre as intervenções de saúde mais custo‑eficazes disponíveis. Uma nutrição adequada nos primeiros anos de vida gera benefícios de saúde e económicos ao longo de toda a vida. Sistemas fortes de cuidados primários de saúde aumentam a resiliência, não apenas face aos surtos de doenças, mas também perante choques económicos e climáticos.
O Governo de Angola demonstrou liderança ao priorizar estes investimentos, mesmo num contexto de restrições fiscais e de múltiplas exigências concorrentes. Tem sido realizado investimento em infra‑estruturas de saúde, na formação do pessoal e na descentralização dos serviços. Manter o progresso exigirá financiamento nacional contínuo, dados fiáveis e um enfoque deliberado nas comunidades que continuam subatendidas.
A verdadeira medida do progresso é saber se a última criança foi alcançada.
Quando Angola traduz em políticas e estratégias as evidências produzidas pela ciência, para o reforço da prevenção, diagnóstico e tratamento de doenças, protege as crianças hoje e, ao mesmo tempo, constrói o capital humano de amanhã. Nenhuma criança deve ser invisível. E quando todas as crianças sobrevivem e prosperam, o futuro de Angola torna‑se mais forte.