Campanha de vacinação na Lunda Norte, dois milhões de doses de vacinas contra a cólera.

Angola recebeu 2 milhões de vacinas orais contra a cólera, num esforço conjunto entre o Ministério da Saúde, a Gavi, OMS e UNICEF.

Kelson Sobrinho
Angola recebeu 2 milhões de vacinas orais contra a cólera, num esforço conjunto entre o Ministério da Saúde, a Gavi, OMS e UNICEF.
UNICEF Angola/2025
14 Julho 2025

No dia 04 de Julho de 2025, Angola recebeu 2 milhões de vacinas orais contra a cólera, num esforço conjunto entre o Ministério da Saúde, a Gavi – Aliança Global para as Vacinas, a Organização Mundial da Saúde (OMS), o UNICEF, União Europeia e outros parceiros do sector da saúde.

“Estamos a viver um momento crucial na luta contra a cólera. A chegada destas vacinas fortalece a nossa resposta integrada, permitindo actuar com maior eficácia nos municípios com focos activos e proteger preventivamente as populações em risco. As vacinas contra a cólera não são uma solução isolada, mas um instrumento poderoso, utilizado no momento certo, em articulação com outras medidas sanitárias,” declarou a Ministra da Saúde de Angola, Dra. Sílvia Lutucuta. 

Ministra da Saúde de Angola, Dra. Sílvia Lutucuta.
UNICEF Angola/2025

A cerimónia decorreu em Luanda e contou com a presença de Sua Excelência, Ministra da Saúde, representantes das Nações Unidas, da OMS e do UNICEF.

“Permitam-me aqui agradecer também o apoio da Gavi, lembrando que esta generosa doação vem reforçar um apoio anterior que permitiu a a aquisição de cerca de 300 mil doses de vacina contra a cólera. “ declarou o Represenatante do UNICEF Antero de Pina.

Antero de Pina salienta ainda que “O apoio da Gavi tem permitido ainda reforçar as acções de planificação e toda a componente operacional das campanhas de vacinação realizadas até a data. Com estas mais de duas milhões de doses agora recebidas, será possível aumentar a taxa de vacinação e assim garantir que mais pessoas possam estar protegidas contra a cólera.”

Represenatante do UNICEF Antero de Pina.
UNICEF Angola/2025

Entre Janeiro e 28 de Junho de 2025, Angola registou um total de 27.008 casos de cólera e 759 óbitos, com uma taxa de letalidade cumulativa de 2,8%. O surto afectou 18 das 21 províncias e mais de 150 municípios. Nas últimas semanas, o país reportou 352 novos casos e 7 óbitos, representando uma redução de 47% e 30%, respectivamente, em relação às semanas anteriores. As províncias com maior número de casos na última semana foram Lunda Norte, Cuanza Sul e Huíla.

A chegada das 2 milhões de vacinas orais contra a cólera ocorreu num momento decisivo, em que se observa uma redução sustentada do número de casos e de óbitos. A época seca que actualmente se vive oferece uma janela de oportunidade única para controlar a transmissão da cólera antes do início da estação chuvosa.

Neste sentido o Ministério da Saúde de Angola realizou, no dia 12 de Julho, uma campanha de vacinação contra a cólera em alguns municípios prioritários das províncias de Cabinda, Cuanza Sul, Huíla, Lunda Norte, Namibe e Zaire, onde se regista transmissão activa de cólera. Os municípios seleccionados foram definidos como prioritários com base em análises epidemiológicas diárias realizadas pelas autoridades sanitárias.

Esta campanha abrange todas as pessoas a partir de 1 ano de idade e será integrada numa resposta mais ampla, incluindo o reforço da vigilância, o acesso à água segura e ao saneamento, o tratamento oportuno dos casos, bem como actividades de comunicação de risco e envolvimento comunitário. 

Neste sentido o Ministério da Saúde de Angola realizou, no dia 12 de Julho, uma campanha de vacinação contra a cólera em alguns municípios prioritários das províncias de Cabinda, Cuanza Sul, Huíla, Lunda Norte, Namibe e Zaire.
UNICEF Angola/2025

A vacina utilizada foi a Euvichol-S, oral e de dose única, doada recentemente pela Aliança Global para Vacinas (Gavi). Trata-se de uma vacina disponibilizada através de um processo de alocação global coordenado pelo Grupo Internacional de Coordenação (ICG), na sequência de negociações com a Gavi ao mais alto nível, e fazem parte de um esforço conjunto para apoiar países com surtos activos e risco elevado de transmissão.

“Queremos aqui aproveitar esta oportunidade para agradecer a disponibilidade e o apoio financeiro e logístico de parceiros como a União Europeia, a Gavi e o Governo da Coreia, que se juntaram ao UNICEF para apoiar o Governo de Angola nesta luta desde os primeiros momentos do surto. “ O represenatante do UNICEF Antero de Pina durante a campanha de vacinação no em Cafunfo, na provincia da Lunda Norte.

O represenatante do UNICEF Antero de Pina durante a campanha de vacinação no em Cafunfo, na provincia da Lunda Norte.
UNICEF Angola/2025

Antero de Pina ainda salienta que mas é importante lembrar: a vacina, por si só, não é suficiente. Devemos continuar a promover o acesso à água potável, o tratamento da água, o uso de latrinas seguras e a lavagem frequente das mãos. A prevenção começa em casa e depende da participação activa de cada comunidade.


Temos de ser mais rápidos que a cólera, para salvar vidas, especialmente as vidas das nossas crianças.