Angola abraça a Esperança: Vacinação Contra o cancro do colo do útero Protege Futuro das Meninas.

Vacina contra o cancro do colo do útero passará a integrar o Plano Nacional de Vacinação de Rotina angolano para as meninas de 9 anos.

Constantino Morais
Angola abraça a Esperança: Vacinação Contra o cancro do colo do útero Protege Futuro das Meninas.
UNICEF Angola/2025
01 Dezembro 2025

Por meio de uma campanha lançada a 27 de outubro com     objectivo de imunizar mais de 2 milhões de raparigas entre os 9 e 12 anos de idade, Angola começou a escrever uma nova página na sua história de saúde pública. Pela primeira vez, o país realiza uma campanha nacional de vacinação massiva contra o HPV Human Papiloma Virus), vírus responsável pelo cancro do colo do útero, uma doença que tira vidas, mas que pode ser prevenida.

A província do Namibe, a sul de Angola, acolheu o acto de lançamento, com uma adesão que refletiu esperança e compromisso do Governo, parceiros e comunidades, tendo sido vacinadas centenas de crianças.

Cada dose de vacina aplicada foi um passo para um futuro mais saudável, livre de uma doença que não deveria roubar sonhos. Como nos conta a menina Judith, a vacina é segura, eficaz e gratuita

“Antes de apanhar a vacina estava nervosa, mas agora estou bem. Para quem ainda não apanhou, digo que não tenha medo, é rápido, seguro e não dói.” afirmou,  Judith de 9 anos de idade, aluna da 4º classse,. 

Vacinação Contra o cancro do colo do útero Protege Futuro das Meninas.
UNICEF Angola/2025

O cancro do colo do útero continua a ser uma das principais causas de morte entre mulheres em idade reprodutiva em Angola. Com uma ampla adesão à campanha de vacinação e com a inclusão da vacina no calendário a partir de janeiro de 2026, essa realidade pode mudar, pois a imunização é uma forma eficaz de prevenir a doença e proteger vidas.

“Todos os anos, mais de mil mulheres perdem a vida por falta de diagnóstico precoce e tratamento adequado.” Declarou Silvia Lutucuta, Ministra da Saúde, no acto de lançamento da campanha. 

“Todos os anos, mais de mil mulheres perdem a vida por falta de diagnóstico precoce e tratamento adequado.” Declarou Silvia Lutucuta, Ministra da Saúde, no acto de lançamento da campanha.
UNICEF Angola/2025

A campanha que teve a primeira Dama da República de Angola como madrinha permitiu mobilizar cerca de  14.650 pessoas, entre profissionais de saúde, professores, técnicos municipais, supervisores e voluntários, em todo o país. Professores e profissionais de saúde desempenharam um papel essencial neste processo, desde a mobilização das alunas, sensibilização dos encarregados de educação e  registo das alunas. 

Nas escolas, vacinadores como Zuraide César asseguram que cada etapa do processo ocorra com segurança e eficiência.

“Quando chegamos, falamos com os directores, preparamos as vacinas e administramos às crianças. Depois entregamos um cartão que significa que a criança já está vacinada.” descreveu  Zuraide César, vacinadora

“Quando chegamos, falamos com os directores, preparamos as vacinas e administramos às crianças. Depois entregamos um cartão que significa que a criança já está vacinada.” descreveu  Zuraide César, vacinadora.
UNICEF Angola/2025

Por sua vez, a professora da 5ª classe, o Namibe, Ana João, contou que “como professora o meu papel nesta campanha foi de informar os alunos e os encarregados sobre a importância da vacina.

Tendo em conta a hesitação de alguns encarregados de educação em relação às vacinas, a professora apelou aos pais “ que procurem  os centros de saúde para terem informações mais credíveis, pois a vacina é um acto de amar e responsabilidade. É com esta vacina que vamos prevenir as nossas crianças.”

“Cada dose aplicada é uma victória, uma barreira erguida contra uma doença que não deveria roubar sonhos nem interromper histórias. Juntos, podemos garantir que cada menina cresça livre para viver plenamente, com saúde e esperança” apelou, Diego Zorillo, Coordenador das Nações Unidas em Angola.

Mais do que uma protecção contra o cancro do colo do útero, a vacina contra o HPV é um investimento precioso na vida, na saúde e no futuro das nossas meninas. Pais, encarregados de educação, cuidadores precisam estar informados  de modo a confiar na vacinação e a fazer parte deste movimento pela saúde das meninas.

“No princípio tive alguma dúvida porque essa vacina foi para mim uma novidade. Precisei investigar, entrar em contacto com entidades ligadas à saúde para perceber e assim, de forma confiante, autorizar que se vacinasse a minha menina”  afirmou, Elisa de Moura, encarregada de educação.

“No princípio tive alguma dúvida porque essa vacina foi para mim uma novidade. Precisei investigar, entrar em contacto com entidades ligadas à saúde para perceber e assim, de forma confiante, autorizar que se vacinasse a minha menina”  afirmou, Elisa de Moura, encarregada de educação.
UNICEF Angola/2025

Durante o lançamento da campanha de comunicação, a Primeira-Dama da República, Ana Dias Lourenço, destaca a importância que “a vacinação contra o cancro do colo do útero é uma dessas chaves para o futuro. Um futuro onde as nossas meninas cresçam saudáveis, as nossas famílias prosperem e o nosso país se fortaleça. Por isso, esta campanha também é um investimento para o futuro de Angola.”

Com vista a reforçar o compromisso com a saúde preventiva e com as novas gerações a partir de janeiro de 2026, a vacina contra o cancro do colo do útero passará a integrar o Plano Nacional de Vacinação de Rotina para as meninas de 9 anos.

Para tal o governo de Angola tem investido em todo o equipamento necessário para assegurar a introdução da vacina de forma exitosa. Destaca-se o investimento em equipamentos de cadeia de frio, capacitação dos técnicos de vacinação e gestores de cadeia de frio.