Um em cada três jovens de 30 países relatam ser víctimas de bullying online

Pesquisa da ferramenta U-Report destaca prevalência do cyberbullying e o seu impacto nos jovens

04 Setembro 2019
U-Reporters da Costa do Marfim tiram foto em telemóvel
UNICEF/UN0265838/Dejongh

Nova Iorque, 4 de setembro de 2019 – Um em cada três jovens de 30 países disse ter sido víctima de bullying online, com um em cada cinco a relatar ter saído da escola devido ao cyberbullying e violência, mostra uma nova pesquisa divulgada hoje pelo UNICEF e pelo representante especial do secretário-geral da ONU sobre Violência contra a Criança.

Falando anonimamente por meio da ferramenta de engajamento de jovens U-Report, quase três quartos dos jovens também disseram que as redes sociais, incluindo Facebook, Instagram, Snapchat e Twitter, são os locais mais comuns para o bullying online.

"As salas de aula conectadas significam que a escola não termina mais quando o aluno sai da aula e, infelizmente, o bullying também não termina no pátio da escola", disse Henrietta Fore, directora executiva do UNICEF. "Melhorar a experiência educacional dos jovens significa levar em consideração o ambiente que eles encontram online e offline".

Por meio da pesquisa, os jovens receberam, via SMS e mensagens instantâneas, uma série de perguntas relacionadas às suas experiências de bullying e violência online, sobre o local onde isso acontece com mais frequência e quem eles acham que é responsável por acabar com esse problema. Cerca de 32% dos entrevistados acreditam que os governos devem ser responsáveis pelo fim do cyberbullying; 31%, os próprios jovens; e 29%, as empresas de internet.

"Uma das principais mensagens que está clara nessas opiniões é a necessidade de envolvimento e parceria de crianças e jovens: quando perguntados sobre quem deveria ser o responsável pelo fim do cyberbullying, as opiniões ficaram igualmente divididas entre governos, provedores de serviços de internet (sector privado) e os próprios jovens", disse Najat Maalla M'jid, representante especial do secretário-geral da ONU sobre Violência contra as Crianças. "Estamos juntos e devemos partilhar a responsabilidade em parceria".

Mais de 170 mil U-reporters de 13 a 24 anos participaram da pesquisa, incluindo jovens da Albânia, de Bangladesh, Belize, Bolívia, Brasil, Burkina Faso, Costa do Marfim, Equador, França, Gâmbia, Gana, Índia, Indonésia, Iraque, Jamaica, Kosovo, Libéria, Malásia, Malawi, Mali, Mianmar, Moldávia, Montenegro, Nigéria, Romênia, Serra Leoa, Trinidad e Tobago, Ucrânia, Vietnã e Zimbábue.

Os resultados desafiam a noção de que o cyberbullying entre os estudantes é uma questão exclusiva de países de alta renda. Por exemplo, 34% dos entrevistados nos países africanos ao sul do Saara disseram ter sido víctimas de bullying online. Cerca de 39% disseram conhecer grupos online privados na comunidade escolar em que as crianças partilham informações sobre colegas com o objetivo de fazer bullying.

Como parte da campanha #FIMàviolência (#ENDviolence) do UNICEF, que foca no fim da violência dentro e no entorno das escolas, adolescentes e jovens de todo o mundo redigiram o Manifesto Jovem #ENDviolence, em 2018, pedindo aos governos, professores, pais e aos próprios adolescentes e jovens para ajudar a acabar com a violência e garantir que estudantes se sintam seguros dentro e no entorno das escolas – inclusive a pedir protecção online.

"Em todo o mundo, jovens – tanto em países de alta quanto de baixa renda – nos dizem que estão a sofrer bullying online, que isso está a afectar a sua educação e que eles querem que isso pare", disse Fore. "Ao marcarmos o 30º aniversário da Convenção sobre os Direitos da Criança, devemos garantir que os direitos das crianças estejam na vanguarda das políticas de segurança e protecção digital".

Para acabar com o bullying online e a violência dentro e no entorno das escolas, o UNICEF e os seus parceiros estão a pedir acções urgentes de todos os sectores para:

  • A implementação de políticas para proteger as crianças e jovens de cyberbullying e bullying.
  • O estabelecimento e equipamento de linhas de apoio nacionais para apoiar crianças e jovens.
  • O avanço de padrões e práticas éticas dos provedores de redes sociais, especificamente no que diz respeito à colecta, informação e gerenciamento de dados.
  • A colecta de evidências melhores e desagregadas sobre o comportamento online de crianças e jovens para informar políticas e orientações.
  • O treinamento para professores e pais para prevenir e responder ao cyberbullying e ao bullying, principalmente para grupos vulneráveis.

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Nota para editores:
Sobre o U-Report
U-Report é uma ferramenta gratuita de mensagens sociais que permite que qualquer pessoa de qualquer lugar do mundo fale sobre os assuntos de que gosta. O UNICEF e seus parceiros desenvolveram a plataforma para capturar uma série de vozes sobre questões essenciais de desenvolvimento. O U-Report encoraja o desenvolvimento liderado pelo cidadão, facilita as respostas a emergências humanitárias e amplia as vozes locais globalmente para criar mudanças positivas.

Adolescentes e jovens podem aderir à plataforma por SMS ou em mídias sociais (Facebook, WhatsApp ou Viber), permitindo que respondam a pesquisas, relatem preocupações, apoiem os direitos da criança e trabalhem para melhorar suas comunidades. Atualmente, existem mais de 7 milhões de U-reporters presentes em mais de 60 países.

Essa pesquisa foi possível graças a muitos milhares de crianças e jovens de todo o mundo que se envolveram ativamente com o UNICEF como U-reporters e participaram da pesquisa. A pesquisa foi realizada em junho de 2019 e respondida por mais de 170 mil participantes em 30 países. Os resultados da pesquisa representam as informações compartilhadas pelos respondentes da pesquisa.

Para mais informaçõeshttp://www.ureportbrasil.org.br/

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