Antes eu quase não falava com ninguém.
A transformação de um jovem através do programa Minha Kamba.
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Durante muito tempo, ele foi conhecido como o jovem mais quieto do grupo. Reservado, tímido e quase sempre em silêncio, passava os dias entre a escola e casa sem partilhar muito sobre o que sentia ou pensava. Conversar com colegas, fazer perguntas na sala de aula ou expressar as suas ideias era algo que evitava. Para muitos, ele era simplesmente “o rapaz quieto”.
Essa é a história do Jovem Graciano Tandela de 19 anos de idade, um dos beneficiarios do programa Minha Kamba residente na provincia do Icole Bengo, Municipio do Calumbo (Zango - Bairro Boa Esperança).
Mas tudo começou a mudar quando ele passou a participar no programa Minha Kamba, uma iniciativa de formação voltada para a juventude, que aborda temas como masculinidade positiva, respeito, sexualidade e responsabilidade social.
“Desde que comecei no programa Minha kamba, mudou tanta coisa em mim”, conta.
Minha Kamba, que conta com financiamento do Comité Finlandês para o UNICEF e apoiada por parcerias com o Ministério da Ação Social, Família e Promoção da Mulher (MASFAMU) e a sociedade civil, que trabalha para prevenir a gravidez na adolescência por meio do conhecimento sobre saúde e direitos sexuais e reprodutivos em Angola.
A mudança começou dentro dele. Aos poucos, o jovem que antes evitava falar começou a sentir-se mais confiante para expressar as suas ideias, partilhar sentimentos e dialogar com os outros. Hoje ele afirma que aprendeu algo que antes parecia difícil: abrir-se para as pessoas e aprender a escutar.
Essa transformação não ficou apenas na sua vida pessoal. Na escola, os professores também começaram a notar a diferença. Antes, ele quase nunca participava nas aulas. Agora faz perguntas, envolve-se mais nas discussões e procura compreender melhor os conteúdos.
Em casa, a mudança também foi sentida. O diálogo com os pais tornou-se mais aberto e a convivência familiar passou a ser mais próxima. Segundo ele, os seus familiares reconhecem que a sua participação no programa trouxe benefícios claros para a sua formação e crescimento.
Uma das aprendizagens mais marcantes foi compreender como apoiar adolescentes que enfrentam situações difíceis, como a gravidez precoce. Em vez de julgamento ou afastamento, ele aprendeu que o mais importante é acolher, conversar e ajudar essas jovens a manter a calma e encontrar caminhos para seguir em frente.
A formação em masculinidade positiva também transformou a forma como ele entende o que significa ser homem.
Para ele, ser homem não é demonstrar superioridade ou força sobre os outros, mas sim agir com respeito, responsabilidade e empatia. Significa colaborar com a família, apoiar os amigos e contribuir para o bem-estar da comunidade.
“Ser homem também é saber ajudar, respeitar e estar presente para resolver problemas de forma positiva”, afirma.
Hoje, ele já participa em actividades comunitárias, conversando com adolescentes e raparigas sobre sexualidade, respeito e relações saudáveis.
Com os conhecimentos adquiridos na formação, espera também trabalhar cada vez mais com rapazes, ajudando-os a desenvolver uma visão mais saudável e responsável da masculinidade.
Para os jovens da sua comunidade, ele deixa um apelo simples, mas profundo: que aprendam a tratar as meninas e adolescentes com mais respeito, carinho e empatia, e que estejam dispostos a ajudar aqueles que enfrentam momentos difíceis.
Porque, como ele próprio aprendeu ao longo desta jornada, uma mudança de atitude pode transformar não apenas a vida de uma pessoa, mas também toda uma comunidade.