Ser homem também é respeitar e proteger.
A transformação de Helder através do programa Minha Kamba.
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Na comunidade da Sanzala, na Regedoria, município de Viana, reside o menino Hélder José, de 15 anos, vive uma transformação que começou de forma inesperada. Estudante da 9ª classe, conta que, quando ouviu falar pela primeira vez do programa Minha Kamba, não imaginava que aquela experiência mudaria a forma como via a sua vida, os relacionamentos e o seu papel na comunidade.
“Quando comecei a ouvir sobre o projecto Minha Kamba, pensei que fosse apenas uma brincadeira pela forma que as minhas vizinhas falavam e não me importava muito, recorda. Mas depois de ser convidado por uma vizinha mais velha para participar, (Tia Filipa) comecei a gostar muito.”
Ao longo das sessões de formação, Helder teve contacto pela primeira vez com temas como saúde sexual e reprodutiva, prevenção de doenças, igualdade de género e masculinidade positiva. Para ele, essas conversas abriram portas para conhecimentos que nunca tinha aprendido na escola, na rua ou mesmo em casa.
“Aprendi sobre saúde sexual e reprodutiva, algo que eu não sabia antes, nem o que era a puberdade. Passei a entender como me prevenir de certas doenças e a importância do uso do preservativo”, explica ele.
Mas do que informações técnicas, o programa também trouxe uma nova forma de olhar para as relações humanas, Helder afirma que passou a compreender melhor o valor do respeito e da responsabilidade nos relacionamentos.
Um dos temas que mais marcou o adolescente foi o conceito de masculinidade positiva, uma abordagem que incentiva os rapazes a desenvolver comportamentos saudáveis, respeitosos e responsáveis.
“Antes eu tinha uma ideia muito limitada sobre o que é ser homem. Agora aprendi que ser homem não depende apenas do corpo, mas também da forma de agir, cuidar de si mesmo e respeitar os outros.”
Minha Kamba, uma iniciativa comunitária do UNICEF apoiada por parcerias com o Ministério da Ação Social, Família e Promoção da Mulher (MASFAMU) e a sociedade civil, que trabalha para prevenir a gravidez na adolescência por meio do conhecimento sobre saúde e direitos sexuais e reprodutivos em Angola.
Um jovem agente de mudança!
A participação no programa não mudou apenas a forma como Helder pensa, mas também a maneira como ele se comporta no dia-a-dia.
Na escola, por exemplo, ele diz que passou a olhar de forma diferente para situações que antes eram motivo de julgamento entre colegas.
“Quando vejo uma colega grávida na escola, aprendi que não é para julgar, mas sim apoiar e orientar.”
Em casa, o impacto também é visível. Os pais acompanham com interesse a sua participação nas actividades do programa e incentivam-no a continuar.
“Quando contei ao meu pai o que eu estava a aprender, ele quis saber mais. Expliquei que aprendíamos sobre saúde sexual, prevenção de doenças, género, violência e masculinidade positiva. Eles apoiam muito e dizem para eu continuar.”
Hoje, Helder sente-se confiante para partilhar os conhecimentos adquiridos com outras pessoas, incluindo os amigos e a própria família.
Novas oportunidades e novos sonhos
Além da formação em masculinidade positiva, o programa também abriu portas para novas oportunidades de desenvolvimento pessoal. Helder participou em uma formação de manicure e pedicure, que lhe permitiu dar os primeiros passos de autonomia financeira.
“A minha vida mudou muito quando comecei o curso de manicura e pedicura. Agora consigo ganhar algum dinheiro e até comprar materiais escolares com o meu próprio dinheiro.”
Para ele, esta conquista representa muito mais do que aprender uma profissão, significa acreditar no próprio potencial.
“Sou muito grato às formadoras que me apoiaram. Quero ajudar outras pessoas a entrarem no projeto e a aprenderem.”
Inspirando outros jovens
Hoje, sonha em levar o que aprendeu a outros adolescentes da sua comunidade. Ele pretende criar, junto com outros adolescentes, clubes de bairro onde possam discutir temas como saúde sexual e reprodutiva, masculinidade positiva e a fazer escolhas responsáveis.
Na comunidade onde vive, muitos jovens enfrentam desafios como o consumo de drogas e a falta de oportunidades. Para Helder, a informação e o diálogo podem ser ferramentas poderosas para mudar essa realidade.
“Quero ajudar outros jovens da minha comunidade, orientando-os e convidando-os a participar nos clubes de bairro. Quero ver a minha comunidade mais saudável e consciente.”
Para ele, o significado do programa Minha Kamba é simples, mas profundo.
“Para mim, o projecto Minha Kamba significa cuidado e carinho. Aprendi muitas coisas que não aprendia na rua nem em casa.”
Hoje, Helder não é apenas um beneficiário do programa, ele tornou-se um adolescente emponderado e pronto para o futuro, determinado a partilhar conhecimento e contribuir para uma geração mais informada, respeitosa e saudável.
Financiado pelo Comité Finlandês para o UNICEF, o “Minha Kamba” tem capacitado adolescentes por meio de um sistema de mentoria. O programa piloto foi lançado no município de Viana, província de Luanda, onde meninas e meninos enfrentam riscos acrescidos relacionados com a gravidez na adolescência.