Metade dos adolescentes do mundo sofrem violência entre colegas dentro e ao redor da escola

Em todo o mundo, agressões físicas e bullying atrapalham a educação de 150 milhões de jovens entre 13 e 15 anos de idade

05 Setembro 2018
Menino brinca e pinta um tijolo
FACE Studio/José Silva Pinto

Nova Iorque, 6 de setembro de 2018 – Em todo o mundo metade dos estudantes entre 13 e 15 anos - cerca de 150 milhões de jovens - relatam ter experimentado violência entre colegas dentro e nos arredores da escola, de acordo com um novo relatório divulgado hoje pelo UNICEF.

O documento Uma lição diária: #FIMaviolência nas escolas (tradução livre, ainda não disponível em português) diz que a violência entre pares - medida como o número de crianças que relataram ter sido intimidadas no último mês ou que estiveram envolvidas em algum tipo de agressão física no ano passado - tem um peso na educação dos jovens. Isso afecta a aprendizagem e o bem-estar dos alunos tanto nos países desenvolvidos quanto em desenvolvimento.

“A educação é a chave para construir sociedades pacíficas e, no entanto, para milhões de crianças em todo o mundo, a própria escola não é segura”, disse a Directora Executiva do UNICEF, Henrietta Fore.

“Todos os dias, os estudantes enfrentam vários perigos, incluindo agressões, pressão para participar de gangues, bullying – tanto presencialmente quanto on-line – disciplina violenta, assédio sexual e violência armada. No curto prazo, isso afecta o seu aprendizado e, a longo prazo, pode levar à depressão, ansiedade e até ao suicídio. A violência é uma lição inesquecível que nenhuma criança precisa aprender”, afirma a Directora Executiva.

O relatório descreve uma variedade de maneiras pelas quais os alunos enfrentam a violência dentro e ao redor da sala de aula. De acordo com os últimos dados disponíveis do UNICEF:

  • Globalmente, um pouco mais de um em cada três alunos entre 13 e 15 anos sofre  bullying, e aproximadamente a mesma proporção está envolvida em agressões físicas.
  • Três em cada 10 estudantes em 39 países desenvolvidos admitem praticar o bullying com colegas.
  • Em 2017, houve 396 ataques documentados ou verificados em escolas na República Democrática do Congo, 26 em escolas no Sudão do Sul, 67 na República Árabe da Síria e 20 ataques no Iêmen.
  • Quase 720 milhões de crianças em idade escolar vivem em países onde o castigo corporal na escola não é totalmente proibido.
  • Meninas e meninos estão igualmente sob risco de bullying, porém as meninas são mais propensas a se tornarem vítimas de formas psicológicas de bullying e os meninos correm mais risco de violência física e ameaças.

O relatório observa que a violência envolvendo armas nas escolas, como facas e armas, continua a acabar com vidas. Também diz que, num mundo cada vez mais digital, os agressores estão a disseminar conteúdo violento, ofensivo e humilhante pressionando uma tecla.

O relatório Uma lição diária: #FIMaviolência nas escolas é parte da campanha global do UNICEF #FIMaviolência (#ENDviolence). Também faz parte de um esforço colectivo para esclarecer e desencadear acções para acabar com a violência nas escolas por parte de organizações como o UNICEF, o Departamento para o Desenvolvimento Internacional do Reino Unido (DFID), a UNESCO, outros membros da Parceria Global pelo Fim da Violência contra Crianças e a Iniciativa das Nações Unidas para a Educação da Menina (UNGEI).

Como parte da campanha, o UNICEF está a realizar uma série de “Diálogos com a Juventude” (Youth Talks) em todo o mundo nos próximos meses. A série de discussões lideradas por estudantes dará aos jovens uma plataforma para partilhar as suas experiências de violência, permitirá que eles falem sobre o que precisam para se sentirem seguros dentro e ao redor da escola, e apresentará um conjunto de recomendações aos líderes globais. Em Julho, a Embaixadora da Boa Vontade do UNICEF, Lilly Singh, lançou o primeiro Diálogo com a Juventude na África do Sul, com um grupo de estudantes de 13 a 19 anos.

Para acabar com a violência nas escolas, o UNICEF e os parceiros pedem acções urgentes nas seguintes áreas:

  • Implementação de políticas e legislação para proteger os estudantes da violência nas escolas.
  • Fortalecimento das medidas de prevenção e resposta nas escolas.
  • Estimulação das comunidades e os indivíduos a se unir aos estudantes quando eles falam sobre a violência e trabalham para mudar a cultura das salas de aula e das comunidades.
  • Investido de forma  mais eficaz e direccionada em soluções comprovadas que ajudam os alunos e as escolas a se manterem seguros.
  • Recolha de dados de melhor qualidade e desagregados sobre a violência contra crianças dentro e ao redor das escolas, compartilhando as boas prácticas.

O UNICEF está a incentivar os jovens de todo o mundo a levantarem as suas vozes para terminar com a violência dentro e ao redor das escolas, e para que digam como estão a trabalhar juntos e quais as soluções que estão a usar para o #FIMaviolência na escola.

Saiba mais (em inglês): https://uni.cf/end-violence.

Contacto para os media

Heitor Lourenço

Oficial de Comunicação / Communication Officer

UNICEF Angola

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