Resposta nutricional salva-vidas de crianças com desnutrição aguda grave
O UNICEF, com apoio financeiro da União Europeia (EU ECHO), tem apoiado o Hospital Distrital de Mueda com suplementos para o tratamento de desnutrição aguda grave.
Distrito de Mueda, Cabo Delgado — Aos 33 meses de idade, Marieta António já enfrentou mais desafios do que muitas crianças deveriam enfrentar. Há 7 dias que ela está internada no Hospital Distrital de Mueda, onde luta para recuperar sua força depois de ter sido diagnosticada com desnutrição aguda grave e anemia.
Hoje, quando Regina Bilali, mãe da Marieta, a observa comer sozinha pequenas porções de Alimento Terapêutico Pronto para Uso (ATPU), sente felicidade e esperança. “Quando chegamos ao hospital, eu estava muito aflita. A minha filha estava muito fraca e eu só queria vê-la melhorar”, recorda Regina.
Marieta deu entrada no hospital com sinais de anemia severa e pesava apenas 6,4 quilogramas. Como acontece com muitas crianças em tratamento para desnutrição aguda grave, iniciou imediatamente o consumo de leite terapêutico, uma terapia essencial para estabilizar o seu estado de saúde. No entanto, pouco depois do início do tratamento, algo inesperado aconteceu.
“Ela começou a vomitar sempre que tomava o leite. Durante três dias teve vómitos e diarreia. Fiquei assustada porque pensei que a situação estava a piorar. Informei a médica porque sentia que aquilo não era normal”, conta Regina.
Os profissionais de saúde perceberam que Marieta apresentava intolerância ao leite terapêutico. Rapidamente, foi necessário encontrar uma alternativa que permitisse continuar o tratamento sem comprometer a recuperação da pequena.
“Fiquei com medo quando me disseram que iam parar de dar o leite. Pensei que talvez ela não conseguisse se recuperar. Mas a médica explicou-me que havia outra opção, que fariam o tratamento com ATPU”, lembra Regina.
“Depois de passar no teste de apetite, ela gostou desta papinha, e o melhor é que não lhe provocou diarreia nem vómito. Está a comer bem, até mesmo sozinha. Consigo ver que está a melhorar; ela chora menos e tem dormido bem também”, disse Regina.
Segundo a nutricionista Angelina Martinho, responsável pelo acompanhamento de Marieta, é normal que crianças nessa condição apresentem intolerância à lactose. “Logo que observámos a reação ao leite terapêutico, introduzimos o ATPU, que é adequado ao estado clínico da Marieta. Ela está a consumir três saquetas por dia e está a responder bem ao tratamento. O nosso objetivo é que continue a ganhar peso até atingir pelo menos 8 quilos”, explica Angelina.
O UNICEF, com apoio financeiro da União Europeia (EU ECHO), tem apoiado o Hospital Distrital de Mueda com suplementos para o tratamento de desnutrição aguda grave, como os leites terapêuticos (F75 e F100) e o ATPU, e graças a este tratamento, hoje a pequena Marieta tem estado cada dia mostrando sinais de progresso. O apetite regressou na sua recuperação, sua disposição e a energia melhorou, o seu apetite também.
“Agora estou mais animada, acredito que logo ela vai melhorar e vamos poder voltar para casa”, afirma Regina. A médica explicou como fazer papinha de amendoim em casa e, como eu cultivo amendoim e milho na minha machamba, eu vou passar a fazer para minha filha; vou dar também mais verduras e outros alimentos saudáveis para ajudar no crescimento dela”.
Marieta é uma das sete crianças actualmente internadas na pediatria do Hospital Distrital de Mueda para tratamento da desnutrição aguda grave.
Enquanto a pequena luta para se recuperar, sua mãe Regina sonha com um futuro para a sua filha, onde ela possa talvez ser professora e possa ajudar a sua família.