Força de uma mãe em tempos de seca
As Brigadas Móveis Integradas, uma iniciativa do UNICEF, com o apoio da European Civil Protection and Humanitarian Aid Operations (ECHO), e em parceria com o Governo de Moçambique, trouxeram uma nova esperança para Elisabeth e muitas outras famílias.
Sofala, Moçambique - "A seca levou tudo... A comida ficou escassa, não gosto de ver os meus filhos a passar fome. Então, vou fazendo pequenos trabalhos nas machambas de outras pessoas para conseguir algo para alimentar a minha família," conta Elisabeth Mozorande, mãe de seis filhos, incluindo a pequena Yassa Conforme, que veio ao mundo no dia 13 de Fevereiro de 2025.
Elisabeth vive no bairro Xávier-Sapanda, no distrito de Chemba, província de Sofala, uma região duramente afectada pela seca causada pelo El Niño. Para ela, como para muitas outras mães da comunidade, a fome e a falta de serviços de saúde acessíveis são desafios diários. "Aqui já não temos um posto de saúde. O que existia fechou, e o Centro de Saúde mais próximo fica longe. Nem sempre posso caminhar essa distância com crianças pequenas," lamenta. Estima-se que o Centro de Saúde mais próximo fica a 16 quilómetros desta comunidade.
Foi nesse cenário que as Brigadas Móveis Integradas (BMI), uma iniciativa do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) com o apoio da European Civil Protection and Humanitarian Aid Operations (ECHO) e em parceria com o Governo de Moçambique, trouxeram uma nova esperança para Elisabeth e muitas outras famílias. "As brigadas ajudaram muito. Desde que engravidei da Yassa, acompanhei todas as Consultas Pré-Natais (CPN). Sempre me explicavam como cuidar da minha saúde e garantir um parto seguro. Agora, com a minha bebê, continuo a receber apoio, e ela já tomou as vacinas (BCG e Pólio 0)," conta com um sorriso.
Aprendi a preparar papas mais nutritivas para os meus filhos com os poucos alimentos que conseguimos. Antes, muitas vezes não sabia como combinar os ingredientes para garantir que eles ficassem bem alimentados. Agora, tenho mais confiança.
Além do acompanhamento na gravidez e no pós-parto, Elisabeth encontrou nas sessões de demonstração culinária um grande suporte. "Aprendi a preparar papas mais nutritivas para os meus filhos com os poucos alimentos que conseguimos. Antes, muitas vezes não sabia como combinar os ingredientes para garantir que eles ficassem bem alimentados. Agora, tenho mais confiança. E sei que o leite materno é o melhor alimento para minha filha nesta fase, então estou a amamentar correctamente," diz com orgulho.
Mas nem tudo são soluções imediatas. A falta de um posto de saúde próximo continua sendo um obstáculo. "O Agente Polivalente de Saúde (APS) da zona nem sempre está lá. Às vezes não tem remédios disponíveis ou tem que se ausentar por outros motivos. Quando isso acontece, o que nos resta é esperar as Brigadas. Pelo menos, sei que quando elas chegam, posso levar os meus filhos para serem vistos e vacinados."
Com os serviços das BMI, a filha de Elisabeth continuará a ser acompanhada até completar um mês, com consultas pós-parto semanais. Depois, passará a fazer as consultas de crescimento mensalmente, recebendo todas as vacinas de rotina necessárias para um início de vida saudável.
As Brigadas Móveis Integradas têm sido um refúgio para muitas mães como Elisabeth, garantindo que, mesmo em tempos de crise, a saúde das crianças e das mulheres não seja negligenciada. "Se não fossem as brigadas, seria muito mais difícil. Nós queremos o melhor para os nossos filhos, e agora temos um pouco mais de esperança de que eles possam crescer saudáveis," conclui Elisabeth, com Yassa confortavelmente adormecida em seus braços.