Subnutrição e doenças mortais ameaçam 250.000 crianças deslocadas na província de Cabo Delgado com a chegada da época das chuvas

23 Dezembro 2020
Aproximadamente 250.000 crianças obrigadas a abandonar as suas casas devido à intensificação da crise vivida na província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, estão agora em risco de doenças mortais com o início da época das chuvas, alertou hoje a UNICEF.
UNICEF Moçambique/2020/Mauricio Bisol

LISBOA/MAPUTO/NAIROBI/NOVA IORQUE - Aproximadamente 250.000 crianças obrigadas a abandonar as suas casas devido à intensificação da crise vivida na província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, estão agora em risco de doenças mortais com o início da época das chuvas, alertou hoje a UNICEF.

A agência das Nações Unidas para a infância está especialmente preocupada com o facto de os serviços de água, higiene e saneamento serem insuficientes para responder às necessidades crescentes das crianças e das suas famílias que vivem actualmente em centros de acolhimento temporários superlotados e nas comunidades anfitriãs. Estes serviços devem ser reforçados e expandidos com urgência para prevenir eventuais surtos de doenças transmissíveis pela água, como a cólera, e a disseminação da COVID-19.

“Em menos de dois anos, as crianças e as suas famílias em Cabo Delgado enfrentaram um ciclone devastador, inundações, secas, dificuldades socioeconómicas ligadas à pandemia de COVID-19 e conflitos,” afirmou a Directora Executiva da UNICEF Henrietta Fore. “À medida que a situação na província continua a deteriorar-se - especialmente com o início da época das chuvas - os sistemas de água e saneamento e de saúde estão cada vez mais sob pressão. Os parceiros humanitários no terreno devem reforçar estes serviços para proteger a vida e o bem-estar das crianças da região.”

“A nossa principal preocupação são as crianças e as suas famílias que, mais uma vez se vêm a braços com uma nova crise” afirma Beatriz Imperatori, Directora Executiva da UNICEF Portugal. “Para as podermos ajudar, contamos mais uma vez com o apoio dos portugueses que sempre responderam de forma extremamente positiva aos nossos apelos para este povo-irmão. Esta ligação que temos com Moçambique já nos permitiu levar ajuda humanitária tão urgente às crianças moçambicanas, sendo o último grande exemplo depois do ciclone Idai: a UNICEF Portugal apelou e a sociedade portuguesa respondeu em massa, algo pelo qual estamos extremamente agradecidos. Estamos confiantes de que, mais uma vez, elas poderão contar com todos nós nesta altura de extrema necessidade e em que a vida de muitas destas crianças está em risco. As necessidades para o financiamento desta crise são actualmente de 30 milhões de dólares,” conclui.

Doenças como a diarreia, que são facilmente evitadas e tratadas, podem ser fatais para crianças deslocadas sem acesso a água potável e saneamento adequado e ainda mais no caso de crianças que sofrem de subnutrição.

Os desastres relacionados com as alterações climáticas e os conflitos nos últimos dois anos contribuíram para a situação de insegurança alimentar e para a fome em Cabo Delgado. Duas em cada cinco crianças na província sofrem de subnutrição crónica e a detecção de casos de subnutrição aguda severa está a subir entre a população deslocada.

A UNICEF está a expandir a sua resposta em matéria de água e saneamento e a apoiar as equipas móveis de saúde no terreno, que visitam comunidades e centros de acolhimento para avaliar o estado nutricional das crianças, fornecer tratamento vital com alimentação terapêutica para casos graves, e a encaminhar crianças com complicações médicas para a unidade de saúde mais próxima. As equipas de saúde móveis também prestam cuidados de saúde regulares a mulheres, mães e crianças, garantindo que os serviços essenciais, como cuidados pré-natais e os planos de vacinação estão a ser cumpridos.

As crianças deslocadas são especialmente vulneráveis. Algumas podem ter perdido o contacto com as suas famílias ou encontrar-se em situações de alto risco que podem expô-las à violência física e psicológica. Muitas destas crianças testemunharam ou sofreram violência extrema ou perderam familiares próximos devido a assassinatos e sequestros na região. Elas precisam de uma resposta de protecção abrangente, incluindo apoio psicossocial, após os eventos traumáticos pelos quais passaram.

A UNICEF e os seus parceiros estão a gerir espaços amigos das crianças, onde crianças deslocadas podem realizar algumas actividades num ambiente seguro, enquanto facilitadores formados podem identificar as que precisam de cuidados mais especializados. Há uma necessidade urgente de expandir a rede de assistentes sociais formados capacitados para visitar crianças sobreviventes e as suas famílias em casa para oferecer apoio psicossocial e encaminhamento para o sistema de protecção e serviços sociais.

 

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