Pelo menos 90,000 crianças afectadas pelo ciclone Chido em Moçambique
Milhares de casas foram imediatamente destruídas em Cabo Delgado, uma província que enfrenta um conflito prolongado; UNICEF preocupado com a propagação de doenças transmitidas pela água e deslocações em grande escala
MAPUTO/NOVA IORQUE, 17 de Dezembro de 2024 - Ventos fortes e chuvas causadas pelo ciclone Chido destruíram ou danificaram cerca de 35,000 casas e afectaram mais de 90,000 crianças em Cabo Delgado, Moçambique, quando a tempestade atingiu o país no último domingo.
Para além do grande número de casas danificadas, pelo menos 186 salas de aulas foram completamente destruídas e 20 instalações de saúde foram afectadas.
“Moçambique é considerado um dos países mais afectados no mundo pelas alterações climáticas e as crianças já estavam a passar por várias emergências com risco de vida antes do Ciclone Chido, incluindo conflitos, secas e surtos de doenças,” disse Mary Louise Eagleton, Representante do UNICEF em Moçambique.
“O UNICEF, juntamente com o governo, agências irmãs das Nações Unidas, ONGs e parceiros locais, estão a responder e a priorizar acções decisivas para a acção humanitária de emergência apesar dos enormes desafios que as crianças enfrentam em Moçambique.”
O Ciclone Chido atingiu perto da cidade de Pemba, na província de Cabo Delgado, causando a destruição de telhados, danificando infra-estruturas civis, e destruindo sistemas de eletricidade e comunicações.
Cabo Delgado sofreu pelo menos sete anos de um conflito brutal, que levou a que mais de 1.3 milhões de pessoas ficassem deslocadas internamente, 80 por cento das quais crianças e mulheres.
O ciclone também devastou as províncias de Nampula e Niassa, deixando mais de 25,000 famílias sem electricidade e duas instalações de abastecimento de água ficaram danificadas. Numa região que já está a lutar contra um surto de cólera, a mais recente devastação cria uma probabilidade elevada de que o surto se deteriore ainda mais.
Prevê-se que cerca de 3.3 milhões de pessoas se encontrem em situação de “crise” ou em níveis mais elevados de insegurança alimentar em Moçambique no próximo ano devido ao impacto do El Niño. Entretanto, os padrões climáticos La Niña poderão agravar as condições em 2025. Actualmente, cerca de 4.8 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária em Moçambique, incluindo 3.4 milhões de crianças.
Ao longo da última década, os choques climáticos intensificaram as condições meteorológicas extremas na África Oriental e Austral, com ciclones de nível comunitário como o Chido a tornarem-se mais comuns, incluindo o ciclone Freddy que devastou Moçambique em 2023.
À medida que o custo, escala e complexidade das mudanças climáticas continuam a crescer na região, o UNICEF continua a ajudar as crianças e comunidades vulneráveis a lidar com os padrões em evolução dos choques. O apoio à resposta de emergência do UNICEF pode ser feito através de financiamento flexível e do apelo humanitário de Moçambique. O UNICEF Moçambique necessita urgentemente de 10 milhões de dólares para responder às múltiplas emergências causadas pela devastação do Ciclone Chido.
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