O mundo arrisca-se a inverter os progressos no combate ao HIV à medida que crianças continuam a enfrentar lacunas no acesso ao tratamento – UNICEF
NOVA IORQUE / MAPUTO – Na véspera do Dia Mundial de Combate ao Sida, o UNICEF alerta que crianças e adolescentes que vivem com o HIV continuam a ser deixados para trás no acesso ao diagnóstico precoce, tratamento vital e cuidados essenciais. A redução do financiamento global ameaça agravar esta situação, podendo reverter décadas de progresso.
Uma publicação recentemente divulgada pelo UNICEF e pela UNAIDS mostra que, se a cobertura dos programas for reduzida para metade, mais 1.1 milhões de crianças poderão contrair o HIV e mais 820,000 poderão morrer de causas relacionadas com o SIDA até 2040 – elevando o total para três milhões de infecções e 1.8 milhões de mortes relacionadas com o SIDA entre crianças.
Mesmo mantendo os níveis actuais de oferta de serviços, prevê-se ainda 1.9 milhões de novas infecções e 990,000 mortes relacionadas com o SIDA entre crianças até 2040, devido ao ritmo lento dos progressos, segundo o documento.
“O mundo estava a avançar na resposta ao HIV, mas persistiam lacunas mesmo antes dos cortes abruptos no financiamento global terem perturbado os serviços”, afirmou Anurita Bains, Directora Associada do HIV-SIDA do UNICEF. “Embora os países tenham agido rapidamente para mitigar o impacto dos cortes, acabar com o SIDA nas crianças está em risco sem uma acção focada. A escolha é clara – investir hoje ou arriscar inverter décadas de progresso e perder milhões de vidas jovens.”
Estes riscos projectados sublinham as conclusões dos dados globais mais recentes de 2024, antes dos cortes abruptos no financiamento que afectaram muitos serviços a nível mundial:
- 120,000 crianças (0-14 anos) contraíram o HIV e outras 75,000 crianças morreram de causas relacionadas com o SIDA – cerca de 200 mortes por dia.
- Entre os adolescentes dos 15 aos 19 anos, 150,000 contraíram o HIV, dos quais 66 por cento eram raparigas. Na África Subsaariana, 85 por cento das novas infecções nesta faixa etária são entre raparigas.
- Apenas 55 por cento das crianças que vivem com o HIV receberam terapia antirretroviral, em comparação com 78 por cento dos adultos, deixando cerca de 620,000 crianças sem tratamento.
- A África Subsaariana suporta o maior peso, representando 88 por cento das crianças que vivem com o HIV, 83 por cento das novas infecções infantis e 84 por cento das mortes infantis relacionadas com o SIDA.
- Na África Oriental e Austral, o diagnóstico precoce infantil atingiu 74 por cento das crianças expostas e o tratamento chegou a 93 por cento das mulheres grávidas que vivem com o HIV, em comparação com 31 por cento e 56 por cento, respectivamente, na África Ocidental e Central.
- No entanto, o progresso é possível com um compromisso contínuo. Entre 2000 e 2024, os serviços de HIV evitaram cerca de 4.4 milhões de infecções e 2.1 milhões de mortes relacionadas com o SIDA em crianças.
- No final de 2024, 21 países e territórios tinham sido certificados para os caminhos para a eliminação da transmissão vertical do HIV e/ou sífilis, sendo as Maldivas o primeiro país a atingir a tripla eliminação da transmissão vertical do HIV, Sífilis e Hepatite B.
O Botswana e a Namíbia foram certificados como estando no caminho para a eliminação, apesar dos elevados índices de HIV.
O UNICEF apela aos Governos e parceiros para que protejam e priorizem os serviços de HIV para mães, crianças e adolescentes – reforçando a prevenção da transmissão de mãe para filho e o tratamento pediátrico, integrando os cuidados do HIV nos sistemas de saúde mais amplos – e garantindo um apoio dos doadores mais previsível e crescente, através de financiamentos sustentáveis e inovadores.
Moçambique
Em Moçambique, a taxa de transmissão vertical do HIV, que corresponde à passagem do vírus da mãe para o filho durante a gravidez, parto ou amamentação, encontra-se actualmente em 12 por cento. Este dado evidencia a necessidade de reforçar os investimentos e as estratégias de prevenção entre mulheres grávidas e lactantes, a fim de reduzir o risco de transmissão aos recém-nascidos.
O impacto do HIV nas faixas etárias mais jovens é significativo. Cerca de 7 por cento das crianças entre 0 e 14 anos vivem com o vírus, demonstrando que a infecção atinge também a população infantil, com consequências para o seu desenvolvimento e qualidade de vida.
É fundamental destacar que as crianças enfrentam um acesso significativamente inferior ao tratamento em comparação com os adultos. Esta disparidade representa um desafio urgente que exige a atenção das entidades competentes e da sociedade, de modo a garantir que todas as crianças tenham direito ao cuidado e suporte de que necessitam para um desenvolvimento saudável e pleno.
Entre adolescentes do sexo feminino com idades entre 15 e 19 anos, a taxa de prevalência do HIV é de 4,5 por cento. Este dado revela uma vulnerabilidade significativa neste grupo etário, provavelmente influenciada por factores socioculturais, biológicos e pelas limitações no acesso à informação e aos serviços de saúde. (INSIDA 2021)
As mulheres entre os 15 e 24 anos apresentam uma prevalência ainda mais elevada, atingindo 8,2 por cento. Estes dados apontam para um risco crescente à medida que as jovens transitam para a vida adulta, destacando a importância de intervenções focadas nesta fase da vida. No que diz respeito aos homens jovens entre 15 e 24 anos, a taxa de prevalência é de 2,7 por cento. Apesar de inferior ao índice entre as mulheres da mesma faixa etária, este dado continua a representar um desafio relevante para a saúde pública e a resposta nacional ao HIV.
O UNICEF tem apoiado na implementação de intervenções para reduzir a transmissão de HIV da mãe para o filho, e a diminuir a lacuna de tratamento com ARV nas crianças e adolescentes. Esse apoio inclui fortalecimento do sistema de saúde, e a promoção de estratégias inovadoras como o diagnóstico precoce infantil e a testagem de carga viral em crianças, raparigas adolescentes, mulheres jovens e mulheres grávidas e a amamentar que vivem com o HIV. # # # # #
Notas para os editores:
Conteúdo Multimedia aqui.
Leia o custo da inacção em relação ao HIV para crianças aqui.
Contacto para os media
Sobre o UNICEF
O UNICEF trabalha em alguns dos lugares mais difíceis do mundo, para chegar às crianças mais desfavorecidas. Para salvar as suas vidas. Para defender os seus direitos. Para ajudá-las a alcançar o seu verdadeiro potencial. Presentes em 190 países e territórios trabalhamos para cada criança, em qualquer parte, todos os dias, para construirmos um mundo melhor para todos. E nunca desistimos. Para mais informação sobre o UNICEF e seu trabalho para cada criança, visite www.unicef.org.mz
Siga o nosso trabalho nas redes sociais: WhatsApp | Twitter | Facebook
Por favor, considere fazer uma doação para o nosso trabalho em Moçambique.