UNICEF apoia adesão à terapia antirretroviral em crianças e adolescentes

Vivências e desafios de uma rapariga vivendo com HIV e com deficiência auditiva

Lucinda Manjama (UNICEF) & Izilda Chaguruca (CUAMM)
Maria*, de 16 anos de idade é uma adolescente vivendo com HIV e órfã de pais. Ela está acometida com uma deficiência auditiva desde a nascença e vive actualmente com a tia materna. Conta a tia que Maria perdera os pais quando tinha apenas dois anos de idade, tendo adoecido e posteriormente diagnosticada como HIV positiva.
UNICEF Moçambique/2021/Maltez Mabuie
22 Setembro 2021

Beira, SOFALA – Maria*, de 16 anos de idade é uma adolescente vivendo com HIV e órfã de pais. Ela está acometida com uma deficiência auditiva desde a nascença e vive actualmente com a tia materna. Conta a tia que Maria perdera os pais quando tinha apenas dois anos de idade, tendo adoecido e posteriormente diagnosticada como HIV positiva.

“Não podia acreditar que aquela informação fosse verdadeira, parecia que o mundo tinha acabado e eu ainda estava consumida com o desaparecimento físico dos pais. Foram dias de muita aflição e desespero”, disse a tia que não conseguiu segurar as lágrimas ao reviver momentos delicados da vida da menina Maria.

Maria iniciou a terapia antirretroviral (TARV) em 2008 no Hospital Central da Beira e teve como primeira linha Trimune 30, com o apoio da tia sempre foi aderente aos cuidados e tratamento do HIV. Em Janeiro de 2019, foi transferida para uma unidade sanitária mais próxima da sua residência e em Agosto do mesmo ano passou do TARV geral para o Serviço Amigo de Adolescentes e Jovens (SAAJ),  serviço apoiado pela Doctors with Africa CUAMM e com o financiamento do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), beneficiando de pacotes oferecidos aos adolescentes/jovens.

Em Dezembro de 2020, Maria começou com atrasos às suas consultas porque a sua tia já não conseguia prover para sua família pois o seu negócio já não rendia como antes. A pandemia da COVID-19 trouxe um impacto negativo na renda familiar e consequentemente no tratamento e bem estar da Maria o que influenciou  na fraca adesão.

A equipe do SAAJ entrou em contacto com a tia para poder se inteirar melhor da situação e juntos procurar possíveis soluções, tendo sido contactada a Acção Social para fazer parte da equipa. No dia 30 de Abril de 2021 a equipa  fez uma avaliação da real situação da família. Feita a avaliação, a família de Maria foi inscrita para poder beneficiar da cesta básica e também pediu-se a tia para organizar os documentos, para ajuda-la na matricula escolar da Maria. “Estou muito feliz com todo este apoio, agora posso voltar a sonhar em ver a Maria formada,” disse a tia.

Hoje, Maria está forte e pronta para os desafios do dia a dia e a tia continua apelando por mais apoios de modo a que os sonhos da menina se materializem. A falta de alimentação afecta muito na toma dos antirretrovirais, assim foi submetida ao plano de reforço de adesão para controle de carga viral.

Por estas e outras situações, o UNICEF continua junto aos seus parceiros buscando soluções para responder aos desafios que possam impedir as crianças e adolescentes de ter uma vida saudável, acesso  a educação, protecção e saúde de qualidade mesmo em situações de pacientes vivendo com HIV e durante a pandemia da COVID-19.

 

*Nome alterado.