El Niño ameaça mais de dois terços das crianças na África Oriental e Austral - Moçambique entre os países em risco

O UNICEF apela a uma acção urgente para proteger as crianças de uma crise previsível

03 Setembro 2026
Uma mae carregando o seu filho nos bracos numa area inundanda pelas cheias.
UNICEF/MOZA2019-0604/Oatway

Nairobi, Maputo– Mais de 162 milhões de crianças, mais de dois terços de todas as crianças na África Oriental e Austral, incluindo Moçambique, vivem em áreas expostas ao impacto do fenómeno El Niño de 2026/2027, que se está a intensificar. A seca crescente, o calor extremo e as inundações ameaçam o acesso aos cuidados de saúde, nutrição, acesso à água potável e saneamento, educação e segurança das crianças. As previsões deixam uma margem de tempo curta, mas decisiva, para agir antes que os impactos se agravem.

Os dados do UNICEF apontam para riscos urgentes e sobrepostos para crianças em Moçambique, Madagáscar, Malawi, Zâmbia e Zimbabwe no Djibuti, Eritreia, Etiópia, Quénia, Somália, Sudão do Sul, Sudão e Uganda. No entanto, menos de um por cento da assistência humanitária internacional está actualmente disponível para acção antecipada, embora esta seja fundamental para salvar vidas, reduzir necessidades humanitárias e proteger ganhos arduamente conquistados no desenvolvimento.

"A ameaça do El Niño está a crescer, e os riscos para as crianças já são claros", disse Etleva Kadilli, Directora Regional do UNICEF para a África Oriental e Austral. "Por toda a região, as crianças enfrentam insegurança alimentar e hídrica, serviços de saúde sobrecarregados e aprendizagem interrompida. Além disso, grandes choques climáticos provavelmente levarão as crianças e os sistemas de que dependem ao limite de ruptura."

Segundo a Base de Dados Global de Ameaças para a Criança (Global Child Hazard Database) do UNICEF, cerca de 12 milhões de crianças em Moçambique vivem em zonas já expostas à seca. Os riscos deverão intensificar-se sobretudo nas regiões centro e sul, onde se prevê uma maior probabilidade de precipitação abaixo do normal durante a principal época chuvosa, entre Outubro de 2026 e Março de 2027. A redução das chuvas e as consequentes perdas de produção agrícola poderão agravar a insegurança alimentar e nutricional e a escassez de água, aumentar o risco de cólera, intensificar a pressão económica sobre as famílias e elevar os riscos de absentismo e abandono escolar. 

Esta exposição à seca soma-se à elevada vulnerabilidade de Moçambique a tempestades tropicais. De acordo com o mais recente Relatório de Risco Climático Infantil do UNICEF, o país está entre os dez do mundo com maior exposição relativa de crianças a estes fenómenos. 

À medida que a seca se prolonga, as famílias podem ter de recorrer a fontes de água inseguras, percorrer distâncias maiores em busca de água ou deslocar-se à procura de meios de subsistência. A perda de rendimentos pode ainda obrigá-las a reduzir refeições, vender bens e activos produtivos ou retirar crianças da escola, aumentando os riscos de doença, desnutrição, trabalho infantil, violência, exploração e sofrimento psicossocial.

A sobreposição de riscos climáticos pode provocar deslocações, danificar infraestruturas e interromper serviços essenciais, agravando os impactos na saúde, educação, protecção e bem-estar das crianças. Este perfil de risco torna Moçambique uma prioridade crítica para acções de protecção da criança e adaptação às alterações climáticas. 

O UNICEF apela a investimento e acção urgentes para colmatar lacunas críticas na resposta às necessidades das crianças antes do pico dos impactos:

  • Ampliar os serviços de nutrição: Pré-posicionar suprimentos que salvam vidas e expanda o rastreio e tratamento precoce.
  • Apoiar os sistemas de saúde e WASH: Reforçar a vigilância de doenças, campanhas essenciais de vacinação e serviços de saúde, e garantir água segura, saneamento e higiene (WASH).
  • Manter as crianças a aprender: Reforçar a infraestrutura escolar e preparar espaços de aprendizagem seguros e alternativos antes que ocorram interrupções.
  • Proteger as crianças da violência e exploração: Expandir o apoio psicossocial, o rastreio familiar e a reunificação, bem como medidas para prevenir a violência de género. 
  • Reforçar a protecção social responsiva a choques: Ligar os sistemas de alerta prévio à assistência monetária antecipada e outras medidas de protecção social, enquanto se fortalece a capacidade dos sistemas governamentais para responder a futuros choques.

Ao nível global, o UNICEF necessita urgentemente de 173 milhões de dólares americanos, no âmbito dos requisitos existentes da Acção Humanitária para a Criança (HAC) de 2026, para alcançar crianças e famílias com assistência antecipatória e que salva vidas em 13 países prioritários, incluindo Moçambique. Um financiamento prévio e flexível é fundamental agora antes que os efeitos do El Niño se intensifiquem.

"Sabemos o que está para vir, quais as crianças mais em risco e como as proteger", continuou Kadilli. "A escolha é se o mundo responde agora ou espera que a crise escale e as crianças paguem um preço ainda maior."



Nota para os editores:

  • O El Niño é um fenómeno climático natural marcado pelo aquecimento anormal da superfície do Oceano Pacífico, que altera os padrões de precipitação, as temperaturas e a ocorrência de eventos climáticos extremos em várias regiões do mundo.
  • Os impactos irão manifestar-se de forma diferente na região da África Oriental e Austral e, ao longo do tempo, com a África Oriental a enfrentar uma ameaça crescente de inundações durante a época de chuvas curtas, enquanto as más precipitações e colheitas poderão agravar a insegurança alimentar em toda a África Austral. As consequências para as crianças, incluindo o aumento da desnutrição, doenças e interrupção dos serviços essenciais, poderão continuar até 2027.

Contacto para os media

Guy Taylor
Chefe de Advocacia, Comunicação e Parcerias
UNICEF
Telefone: +258 85 18 39 954
Telcinia Nhantumbo
Communication Officer
UNICEF Moçambique
Telefone: +258 84 748 9538

Sobre o UNICEF

O UNICEF trabalha em alguns dos lugares mais difíceis do mundo, para chegar às crianças mais desfavorecidas. Para salvar as suas vidas. Para defender os seus direitos. Para ajudá-las a alcançar o seu verdadeiro potencial. Presentes em 190 países e territórios trabalhamos para cada criança, em qualquer parte, todos os dias, para construirmos um mundo melhor para todos. E nunca desistimos. Para mais informação sobre o UNICEF e seu trabalho para cada criança, visite www.unicef.org/mozambique.

Siga o nosso trabalho nas redes sociais: WhatsApp | Twitter | Facebook | LinkedIn

Por favor, considere fazer uma doação para o nosso trabalho em Moçambique.