Ciclone Tropical Gombe em Moçambique

O Ciclone Tropical Gombe aproximou-se de Moçambique a 11 de Março. Com as Províncias da Zambézia e Nampula a sofrer o maior impacto.

Bairro de Nacololo, Distrito de Monapo, Província de Nampula, Moçambique.
UNICEF Mozambique/2022/Ricardo Franco

Informação Preliminar

(Actualizado: 26/03/2022)

O Ciclone Tropical Gombe, entrou em Moçambique no dia 11 de Março de 2022 com ventos e rajadas de 165 e 230 km/h, respectivamente. O ponto de entrada foi Mossuril, na província de Nampula, as 02:00 horas, impactando as províncias de Nampula, Zambézia e Sofala.

Danos Humanos

  • Registo de 63 óbitos (53 em Nampula, 8 em Zambézia, 2 em Sofala)
  • 108 pessoas feridas

Impactos na população

  • Pessoas afectadas: 736,015 pessoas (correspondentes a 148,253 famílias)
  • Pessoas deslocadas: 7,086 pessoas

Casas destruídas

  • 63,219 casas parcialmente destruídas, 78,635 casas totalmente destruídas, 9,608 casas inundadas

Outros danos

  • 69 unidades sanitárias destruídas parcialmente
  • 469 escolas afectadas. 1,458 salas de aulas afectadas, afectando 143,904 alunos
  • 8 pontes destruídas
  • 2,764 postes de energia danificados

 


(Fonte: INGD)

Histórias de famílias afectadas

"Começou a chover muito ontem (11 de Março) durante a manhã. Mais tarde às 18h começou o vento forte, fiquei com os meus filhos sentada fora da casa. A casa caiu à meia-noite e todas as minhas coisas se estragaram: baldes, cadeiras de plástico, pratos e a própria cama, perdi tudo. Perdi todos os meus bens. Perdi toda a minha comida, principalmente a farinha que se molhou com a chuva e não consegui recuperar," contou Rosinha Feliciano, de 49 anos de idade, vítima do Ciclone Gombe, no Bairro de Nacololo, Dist
UNICEF Mozambique/2022/Ricardo Franco

Começou a chover muito ontem (11 de Março) durante a manhã. Mais tarde às 18h começou o vento forte, fiquei com os meus filhos sentada fora da casa. A casa caiu à meia-noite e todas as minhas coisas se estragaram: baldes, cadeiras de plástico, pratos e a própria cama, perdi tudo. Perdi todos os meus bens. Perdi toda a minha comida, principalmente a farinha que se molhou com a chuva e não consegui recuperar.

Rosinha Feliciano, de 49 anos de idade, no Bairro de Nacololo, Monapo.

Eu vivia nesta casa com a minha esposa e com os meus 6 filhos. Na sexta-feira dia 11 de Março, começaram as chuvas e os ventos. Não dormi toda a noite, por volta da meia-noite descobri que a minha casa não estava a aguentar com a tempestade o temporal, e decidi tirar a minha família da casa. Perdi alguns animais e comida.

Eusébio Luciano, 49 anos de idade, Bairro de Nacololo, Distrito de Monapo.
Bairro de Nacololo, Distrito de Monapo, Província de Nampula, Moçambique.
UNICEF Mozambique/2022/Ricardo Franco
"Estava em casa com o meu filho de 2 anos quando começaram os ventos fortes. Por volta da maia-noite decidi vir para fora pois a casa já estava a começar a cair. Eu estava com muito medo, tinha medo de não conseguir salvar o meu filho. Como a escola fica aqui perto fui para lá com o meu filho. Perdi quase tudo na minha casa. Precisamos de apoio de comida, pois perdemos tudo e precisamos de alimentar as nossas crianças" - Benilda Beli 20 anos vítima do Ciclone Gombe, no Bairro de Nacololo, Distrito de Monapo
UNICEF Mozambique/2022/Ricardo Franco

Estava em casa com o meu filho de 2 anos quando começaram os ventos fortes. Por volta da maia-noite decidi vir para fora pois a casa já estava a começar a cair. Eu estava com muito medo, tinha medo de não conseguir salvar o meu filho. Como a escola fica aqui perto fui para lá com o meu filho. Perdi quase tudo na minha casa. Precisamos de apoio de comida, pois perdemos tudo e precisamos de alimentar as nossas crianças.

Benilda Beli, 20 anos de idade, Bairro de Nacololo, Distrito de Monapo.

Eu vivia nesta casa com a minha mulher Rosalina e os meus filhos Aron de 16 anos, Moisés de 14 anos e Salomão de 12 anos. Quanto começou o vento forte e a chuva ontem (11 Março) à noite, vi que a minha casa não ia aguentar e fugimos para a escola com as crianças. Não conseguimos salvar quase nada. Eu estou com malária e faltam-me forças. Precisamos de ajuda. Não temos casa, não temos comida.

Augusto Assane, 53 anos de idade, Bairro de Nacololo, Distrito de Monapo.
"Eu vivia nesta casa com a minha mulher Rosalina e os meus filhos Aron de 16 anos, Moisés de 14 anos e Salomão de 12 anos. Quanto começou o vento forte e a chuva ontem (11 Março) à noite, vi que a minha casa não ia aguentar e fugimos para a escola com as crianças. Não conseguimos salvar quase nada. Eu estou com malária e faltam-me forças. Precisamos de ajuda. Não temos casa, não temos comida" - Augusto Assane, 53 anos de idade, vítima do Ciclone Gombe, no Bairro de Nacololo, Distrito de Monapo, Província de
UNICEF Mozambique/2022/Ricardo Franco
Ciclone Tropical Gombe em Moçambique
UNICEF Mozambique/2022/Ricardo Franco

Na noite do ciclone tivemos muito medo, nunca tinha visto um vento tão forte assim. Encontramos abrigo aqui neste centro de saúde, e estamos aqui há 5 dias. Neste quarto o telhado resistiu, a enfermaria também ficou muito cheia porque vinham muitas pessoas de outras zonas do hospital para se abrigar. Foi uma noite que nunca mais vou esquecer. Não sei como está a minha casa, não sei o que lá sobrou, não sei o que fazer agora

Aji Juma, de 42 anos de idade, no centro de saúde de Mossuril

Na noite do ciclone fugimos para a casa do meu irmão mais velho. A nossa ficou destruída. Quando passei pela minha escola vi que tinha desaparecido o telhado e tinham caído as paredes. Não sei quando vamos voltar a ter aulas. Vou ter saudades de brincar no recreio com as minhas amigas, estávamos sempre a saltar a corda. Eu gosto de matemática e sonho em um dia ser professora e talvez dar aulas aqui nesta escola.

Mariano Abdala, de 13 anos de idade, frequentava a 7a classe na Escola Primária de Iacaca
Mariano Abdala, de 13 anos de idade, que frequentava a 7a classe na Escola Primária de Iacaca, em Mossuril, Nampula.
UNICEF Mozambique/2022/Ricardo Franco

Resposta do UNICEF

O UNICEF está a trabalhar com o Governo Moçambicano e parceiros para fornecer assistência para salvar vidas de crianças e suas famílias nas áreas afectadas. Esta assistência inclui: 

  • Envio e montagem de tendas de saúde nas comunidades afectadas
  • Apoio aos centros de saúde
  • Distribuição de alimentos terapêuticos prontos a usar para tratamento da desnutrição
  • Distribuição de kits de higiene, kits de dignidade, kits para famílias
  • Fornecimento de água segura, suprimentos de saneamento tais como baldes, sabão e pastilhas de purificação de água (certeza)
  • Construção de latrinas
  • Criação de espaços de aprendizagem temporários onde as crianças, cujas escolas foram danificadas/destruídas, possam aprender e brincar em segurança
  • Distribuição de kits de aprendizagem
  • Partilha de mensagens de protecção e prevenção para mitigar o impacto da tempestade, através de rádios nas Províncias e outros e locais, através de unidades móveis multimédia e mensagens (SMS)
Ciclone Tropical Gombe em Moçambique
UNICEF Mozambique/2022/Ricardo Franco

Esta última tempestade a atingir Moçambique é um lembrete contundente de que a crise climática é uma realidade e que as crianças são as mais afectadas por eventos climáticos severos relacionados com o clima.

Maria Luisa Fornara, Representante do UNICEF em Moçambique