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Quem cuida do Tapajós: o protagonismo de adolescentes indígenas na Amazônia

Por meio de Núcleos de Cidadania de Adolescentes (NUCAs), juventudes assumem papel central na defesa do futuro do planeta

UNICEF
três jovens indígenas posam para foto segurando bolsas de pano em meio à floresta
UNICEF/BRZ/Alécio Cézar
01 maio 2026

A região do Tapajós, na Amazônia paraense, é tradicionalmente organizada em três grandes faixas territoriais (Alto, Médio e Baixo) que refletem características geográficas, culturais e socioambientais distintas.

O Alto Tapajós, associado principalmente ao município de Jacareacanga (PA), é marcado por extensas áreas de floresta e forte presença do povo Munduruku. Nessa região, os territórios indígenas enfrentam desafios como o avanço do garimpo e desmatamento ilegais, que impactam diretamente o meio ambiente e os modos de vida tradicionais.

No Médio Tapajós, onde se situa Itaituba (PA), o território vive uma dinâmica de transição. Atividades econômicas intensas convivem com comunidades indígenas e ribeirinhas que buscam preservar seus modos de vida e garantir proteção socioambiental.

Em Santarém (PA), no Baixo Tapajós, território com grande diversidade étnica, populações tradicionais e movimentos indígenas convivem com processos de urbanização e turismo – por vezes predatório. Territórios como o Borari, em Alter do Chão, se destacam pela afirmação identitária e pela defesa do território nesse contexto.

As três regiões compartilham desafios como o acesso desigual às políticas públicas, invisibilização de adolescentes e jovens indígenas e impactos cada vez mais intensos das mudanças climáticas sobre seus territórios.

Escuta e participação cidadã como estratégia de transformação

Para mudar o cenário regional e garantir a participação de adolescentes em discussões sobre meio ambiente, mudança climática e outros temas, o UNICEF Brasil tem fortalecido estratégias de participação cidadã por meio de redes e iniciativas territoriais, reconhecendo adolescentes como elemento central para a construção de políticas mais inclusivas e eficazes.

Uma delas é o Núcleo de Cidadania de Adolescentes (NUCAs), iniciativa criada para que municípios garantam aos adolescentes locais seu direito de participar e de ser ouvidos nas discussões que os impactam – essa participação, inclusive, é um direito fundamental para o desenvolvimento individual e o fortalecimento da cidadania, garantido por marcos internacionais e pela legislação brasileira, como a Constituição Federal (CF) e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

O primeiro passo do trabalho na região do Tapajós foi o início do diálogo com lideranças indígenas para construção conjunta de atividades. Mobilizadores locais foram identificados nas três cidades, atuando como ponte entre adolescentes, comunidades e instituições parceiras. Esse processo garantiu que as ações fossem culturalmente adequadas, territorialmente contextualizadas e, sobretudo, legitimadas pelos próprios povos.

Entre agosto de 2025 e março de 2026, mais de 200 adolescentes e jovens participaram de uma iniciativa do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) que uniu participação cidadã, educação ambiental e valorização cultural.  Mais do que números, o processo trouxe o autorreconhecimento de adolescentes como sujeitos de direitos e agentes de transformação. 

Entenda as atividades realizadas:

  • Promoção de um encontro emAlter do Chão, no município de Santarém, que reuniu mais de 50 adolescentes e jovens indígenas dos três municípios, dando início à construção dos planos de participação cidadã.
  • Desenvolvimento de planos de ação voltados à proteção do território e ao enfrentamento das mudanças climáticas.
  • Criação de três NUCAs indígenas, reconhecidos pelas prefeituras de cada cidade.
  • Realização de oficinas formativas que trabalharam temas ambientais a partir da realidade dos adolescentes indígenas, conectando clima, cultura e modos de vida. As oficinas estimularam reflexão crítica, fortalecimento de vínculos e construção de soluções coletivas para os desafios dos territórios.

Em Santarém (PA), as atividades conectaram adolescentes indígenas que vivem entre a aldeia e o contexto urbano. As oficinas abordaram temas como uso consciente da água e impactos das mudanças climáticas em suas vidas. As atividades também resultaram na produção de conteúdos para redes sociais, fortalecendo a comunicação entre pares e ampliando o alcance das mensagens.

Em Jacareacanga (PA), as atividades tiveram forte conexão com identidade, cultura e preservação ambiental. As oficinas abordaram meio ambiente e cultura, valorização dos saberes tradicionais e promoção do protagonismo de adolescentes na defesa do território. Como resultado, os adolescentes passaram a identificar desafios ambientais concretos — como desmatamento, poluição e mudanças climáticas — e a propor soluções dentro da própria comunidade.

Em Itaituba (PA), o debate ambiental foi diretamente conectado ao cotidiano dos adolescentes. A partir do tema “Território, clima e a vida do açaí”, os jovens analisaram os impactos das mudanças climáticas sobre alimentação, moradia e modos de vida. As atividades incluíram caminhadas no território, mapeamento de mudanças ambientais e construção de soluções comunitárias.

Impactos para além dos números

A experiência no Tapajós mostrou que não existe solução única para desafios complexos, especialmente quando eles estão se intensificando devido à mudança do clima. Ela também reforçou que políticas públicas mais eficazes precisam ser territorializadas, culturalmente sensíveis e construídas com participação real.

Quando adolescentes indígenas têm espaço para participar, propor e agir, eles fortalecem suas comunidades e ajudam a construir respostas mais justas e sustentáveis para todo o planeta.

Para ações de engajamento e promoção do direito à cidadania de adolescentes e jovens indígenas na Região do Tapajós e Território Munduruku, o UNICEF Brasil conta com a parceria estratégica de Takeda.