Que diferença um ano faz!!

Para um bebê, o primeiro ano é um período incrível de crescimento e descobertas. Conheça quatro bebês, de quatro países, que cresceram e se desenvolveram no ano passado

Por Ilvy Njiokiktjien e Anush Babanjanyan
23 dezembro 2019

Muita coisa pode acontecer em um ano. No primeiro ano, os bebês aprendem a rolar, comer os primeiros alimentos sólidos, pronunciar as primeiras palavras e até dar os primeiros passos. Mas, todos os anos, a vida de 2,5 milhões de recém-nascidos é interrompida. Eles não sobrevivem ao primeiro mês de vida, nem têm a chance de crescer e se desenvolver. Mas não tem que ser assim. Todas as mães e todos os bebês devem ser cuidados por um profissional de saúde treinado e equipado para mantê-los saudáveis durante a gravidez e o primeiro mês de vida. Com acesso a cuidados de saúde de qualidade a preços acessíveis, todas as famílias podem ter a chance de ver que diferença um ano faz.

 

UNICEF/UN0188829/Njiokiktjien VII Photo
UNICEF/UN0336370/Babajanyan VII Photo

Mongólia

Sugarmaa, cujo nome significa 'sexta-feira' em tibetano, nasceu em um centro de saúde perto da ger de sua família (moradia em formato de tenda, tradicional desse país) na Mongólia. Sua mãe, Delgermurun, pôde ficar perto de sua família nos dias que antecederam seu nascimento, já que o centro estava equipado com uma 'casa de espera para mães'. "Fiquei tão feliz e contente depois que ela nasceu. Assim que a vi, soube que ela se parecia comigo. Eu não sabia o sexo dela antes do nascimento, mas estou muito feliz por ter três meninas agora", disse Delgermurun, que também é mãe de dois meninos.

Um ano depois, o crescimento e o desenvolvimento geral da Sugarmaa são bons. Ela é rápida em compreender – ela aprende melhor observando o que os outros estão fazendo e copiando suas ações –, mas, algumas vezes, pode ficar frustrada. Ela brinca com seus irmãos e seus brinquedos e gosta de usar xícaras para brincar com água e chá. Purevji, pai de Sugarmaa, desempenha um papel ativo nos cuidados das crianças, brincando com os filhos e lendo para eles. "Quero que eles sejam como eu – uma pessoa que trabalha duro. Estamos tentando o nosso melhor para que nossos filhos se tornem pessoas educadas, inteligentes e boas".

 

UNICEF/UN0188863/Njiokiktjien VII Photo
UNICEF/UN0336461/Babajanyan VII Photo

Bangladesh

Ayedatujannah nasceu prematuramente oito semanas antes do previsto, pesando apenas 2 kg. A chegada dela ao mundo não foi fácil. Ela não chorou depois que nasceu, teve convulsões e ficou azul. Ela passou quatro dias entubada na Unidade Especial de Recém-Nascidos apoiada pela UNICEF em Bangladesh, e, graças a esse cuidado, bem como ao aleitamento materno, ela sobreviveu. A mãe dela, Jannatul, diz: "Não tínhamos certeza se ela viveria ou morreria. Quando ela sobreviveu, era como se estivesse voltando do céu. Quando percebi que ela conseguiria, foi a melhor coisa que eu poderia ter na vida". Ela agora é chamada de Tahiat, mas seu nome completo significa 'Saudações, ela que voltou do céu'.

Quando Tahiat completou 1 ano, sua família fez uma grande festa. Ela ainda é amamentada e será assim até os 24 meses de idade. Jannatul observa que sua dieta agora inclui "ovos de codorna, ovos de galinha, frango, peixe, ovas de peixe, batata, dahl [prato típico da culinária do sul da Ásia, à base de leguminosas] e milho. Ela gosta de tomate e legumes misturados com sal. As bananas são sua fruta favorita. Ela gosta de leite de vaca levemente quente com açúcar. Mas ela realmente gosta de água fria. E ela ama gelo sólido!"

 

UNICEF/UN0197886/Njiokiktjien VII Photo
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Peru

Liam, único filho de Verónica, nasceu em um centro de saúde em um distrito de cidadãos majoritariamente indígenas de ascendência quíchua no Peru. "Trabalho neste distrito desde 1996 ... desde que o UNICEF começou a trabalhar aqui", diz René Alcira Berrio Huancahuire, uma enfermeira licenciada. "[Nos últimos anos] pudemos visitar comunidades e prestar mais atenção aos controles de natalidade e desenvolvimento para as crianças... No passado, era tão difícil que a comunidade não nos deixava entrar em suas casas. Eles apenas fechavam as portas e diziam que estavam ocupados. Agora eles nos deixam entrar e até vão à clínica."

Um ano após o nascimento de seu filho, Verónica relata que Liam está saudável e não sofre de anemia, que é endêmica na região. "Ele come tudo", diz ela, e, além do café da manhã – um mingau feito de milho e batatas –, ele tem uma dieta bastante variada. Os alimentos favoritos de Liam são cenouras, queijo, milho, ervilhas, sopa de abóbora, taro e leite. "Também faço smoothies para ele com cenouras, beterrabas, brotos de alfafa", diz a mãe. "Às vezes, também misturo a casca de banana e casca de ovo esmagada". Graças aos treinamentos nutricionais oferecidos por uma parteira, Verónica melhorou a dieta de Liam.

 

UNICEF/UN0201111/Njiokiktjien VII Photo
UNICEF/UN0338546/Babajanyan VII Photo

Mali

Malado nasceu no Mali, sem complicações e com boa saúde, a caçula de quatro irmãos. Sua mãe, Masibiry, diz: "Fiquei feliz quando a vi pela primeira vez. Eu quero que ela seja saudável. Sonho em poder economizar dinheiro para que, quando eu não estiver mais aqui, ela continue bem. Quando a bebê chegou, eu estava com muita dor – pensei que fosse morrer no carro que estava me levando para o hospital. Mas, assim que ela nasceu e fizemos contato visual, ela começou a chorar. Eu estava tão feliz".

Mais de um ano depois, Malado ainda está sendo amamentada. Aos 7 meses de idade, a bebê comeu seu primeiro alimento sólido, mingau. "Normalmente ela come mingau, feijão, batata. Mas ela ama o leite materno", continua Masibiry. Malado também come ovos, peixe, carne e frango. Ela compartilha alguns brinquedos com os irmãos e gosta de brincar com o pai, Adama. "Quando volto de viagem, ela corre para me ver", diz ele. "Ela é muito animada, está correndo o tempo todo. Sempre temos que ficar de olho nela. Ela é rápida, ainda mais rápida que outras crianças mais velhas que ela".

 

Todos os anos, o UNICEF é apoiado por indivíduos em todo o mundo para ajudar no nascimento de quase 20% dos recém-nascidos do mundo. Graças a esse apoio, os bebês estão tendo a chance de sobreviver e as famílias estão comemorando esses marcos do primeiro ano, dando a cada família a chance de ver que diferença um ano faz.

 


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