“Quando a gente entende que tem direito à cidade, a gente começa a querer ocupar os espaços”
Juliana Carmo conta como discutiu o direito à mobilidade urbana com a iComPop, uma iniciativa do UNICEF e BemTV, no Rio de Janeiro.
Aos 25 anos, Juliana Carmo possui uma longa trajetória como mobilizadora social. Nascida e criada região da Grande Pavuna, no Rio de Janeiro, percebeu desde nova os impactos das desigualdades em seu território. ‘’Quando a gente vem de favela, a gente já nasce com um sonho. Quem de nós nunca sonhou em ajudar a família, ter uma casa legal?’’. Após ir pela primeira vez ao centro do Rio durante a adolescência, ela despertou um olhar atento para as questões relacionados à mobilidade urbana, tema central da Incubadora de Comunicação Popular (iComPop), em 2024.
A iComPop faz parte da #AgendaCidadeUNICEF em parceria com a BemTV e apoio da aliança global do UNICEF com Fundação Abertis. Lançada em 2023, na Pavuna, a iComPop reúne adolescentes e jovens que sejam comunicadores, influenciadores e queiram desenvolver projetos voltados para a comunicação popular na sua comunidade. Em 2024, foram 24 participantes, engajados num processo formativo sobre o desafio da mobilidade segura de jovens e adolescentes, aprendendo novos conceitos, ferramentas e estratégias para fortalecer sua atuação como comunicador. Em seis meses, foram 54 produções do grupo, alcançando quase 78 mil contas nas redes sociais.
“A iComPop superou minhas expectativas. Pude entender que a comunicação se faz a partir da nossa visão de mundo. É uma arma potente para quem, de fato, quer uma transformação social.”
Antes de fazer parte da iComPop, Juliana já era reconhecida como uma liderança e mobilizadora local, devido à sua atuação como diretora executiva do Coletivo Criação. Fundado em 2020, o coletivo se formou a partir de uma reunião online entre Juliana, amigos e outros jovens, com o propósito de encontrar maneiras de prestar auxílio à comunidade durante a pandemia de Covid-19. Nesse período, o coletivo apoiou mais de 1.500 famílias com a entrega de cestas básicas, kits de higiene e cartilhas informativas. Após a pandemia, o coletivo se consolidou na linha de frente do combate à desigualdade.
Apesar de já ser reconhecida como liderança, Juliana confessa que ainda tinha dificuldades para encontrar a maneira mais eficiente de alcançar seu público. Após participar do processo de formação da iComPop, percebeu a necessidade de investir em uma comunicação mais informal e mais acessível. ‘’A gente não é responsável só por comunicar, mas também pela maneira como essa comunicação é entendida pelo público’’, explica.
"Durante a formação, discutimos temas que eu nunca tinha pensado a respeito, como acessibilidade e inclusão. Além disso, tivemos a parte prática, que foi a melhor. A gente produzia, pensava em projetos e ações."
Na iComPop, Juliana participou de produções individuais e coletivas como o projeto “Pavuna em Movimento”, do qual Juliana participou. Relatos sobre os desafios enfrentados por jovens da Pavuna foram transformados em poesia e utilizados como narração de vídeos, pautados em questões de racismo ambiental e mobilidade urbana. “Precisamos democratizar o acesso das pessoas a locais que a gente não conhece. Mostrar para a pessoa que ela também tem direito à cidade. É um direito pra todos”, diz Juliana.
Em especial, ela se surpreendeu com um entrevistado adolescente de 14 anos: “Foi incrível entender que eu, na idade dele, não circulava pela cidade. Mas que ele circula e já tinha noção dos obstáculos que precisamos superar”.
Para o futuro, Juliana conta que sonha com o reconhecimento de crianças e adolescentes como jovens líderes, capazes de atuar a nível estadual, nacional, internacional. “Quero que as pessoas enxerguem jovens de periferia como potência de transformação social”.