“A porta de entrada para meus sonhos”

Jhonatan Silva, de 16 anos, entende que a experiência como jovem aprendiz é fundamental para o futuro que deseja

UNICEF Brasil
Um adolescente sorridente está sentado em uma escada. Ele usa um crachá do seu primeiro emprego como jovem aprendiz.
UNICEF/BRZ/Fabio Hirata
15 setembro 2021

Jhonatan Ferreira Silva nunca gostou de ficar parado. A vontade de um dia ingressar no mercado de trabalho sempre acompanhou o adolescente que, desde os 14 anos, aspirava a uma vaga como jovem aprendiz no município de Praia Grande, litoral sul paulista. Hoje, aos 16, ele se organiza entre os estudos e seu primeiro emprego como jovem aprendiz.

No bairro onde mora, Jhonatan costuma encontrar meninas e meninos vendendo doces nos semáforos e defende que a inserção adequada de adolescentes e jovens no mundo do trabalho é uma forma de garantir direitos e proteger crianças e adolescentes. Esse também é um dos objetivos da iniciativa Crescer com Proteção, fruto de parceria entre o UNICEF, o Ministério Público do Trabalho (MPT), a Agenda Pública e o Instituto Camará Calunga, que ocorre, até o final de 2021, em oito municípios da Região Metropolitana da Baixada Santista e do Vale do Ribeira: Cananéia, Ilha Comprida, Iguape, Itanhaém, Mongaguá, Peruíbe, Praia Grande e São Vicente.

A iniciativa Crescer com Proteção busca fortalecer políticas e medidas de prevenção e enfrentamento de diversas formas de violência contra crianças, adolescentes e jovens por meio do incentivo à educação, à participação na construção de políticas públicas e à inclusão de meninas e meninos no mundo do trabalho; essa última por meio da Lei da Aprendizagem, que determina que todas as empresas de médio e grande porte contratem um número de aprendizes equivalente a um mínimo de 5% e um máximo de 15% do seu quadro de funcionários cujas funções demandem formação profissional.

Caçula de seis irmãs, Jhonatan morava com a mãe e aprendeu com ela a importância de investir na educação e na formação profissional. “Algumas de minhas irmãs não completaram os estudos e minha velhinha sempre me incentivou a estudar bastante para ter um emprego bom e realizar meus sonhos. O estudo é o que vai me alavancar no mundo do trabalho”, conta.

A conquista desse sonho, porém, não foi fácil. Num domingo de maio de 2021, Jhonatan perdeu a mãe, que faleceu vítima da covid-19. No dia seguinte, o adolescente foi chamado para participar da seleção do programa Jovem Aprendiz. Aquela seria sua primeira entrevista de emprego. Mesmo abalado, Jhonatan pensou na mãe e seguiu firme em busca de seu propósito. O esforço valeu a pena. Passou na seleção e agora trabalha num hortifrúti, onde verifica a qualidade dos produtos, embala, coloca preço, organiza frutas, legumes, verduras e hortaliças nos expositores.

“A oportunidade de ser um jovem aprendiz me incentivou a correr atrás do que eu desejava. Essa é a porta de entrada para o meu sonho. É muito prazeroso a gente batalhar, perseverar e conquistar, mas, além disso, é importante que a gente tenha oportunidades.”

Jhonatan Ferreira Silva, 16 anos, Praia Grande, São Paulo

Antes de conseguir o emprego, o preparo para o trabalho demandou tempo e empenho do adolescente. Durante sete meses, Jhonatan acordava cedo e encarava duas horas de ônibus até o centro de aprendizagem do município, onde recebia capacitação para se tornar um jovem aprendiz. A noite era dedicada à escola.

Responsável e dedicado, Jhonatan deixa claro que adora trabalhar. Quando está de folga, ele não fala em outra coisa. “Ainda estou muito abalado pela morte da minha mãe, mas estou dando meu melhor no meu serviço, recebendo muitos elogios e espero continuar assim até o final do contrato. A gente tem que seguir e tenho certeza de que minha mãe tá comigo”, diz.

Para o futuro, ele faz planos de seguir trabalhando, poupar dinheiro para tirar carteira de motorista, se formar em engenharia e construir sua própria casa. “Vou batalhar e dar tudo de mim. Não é fácil pensar na minha mãe, mas não vou deixar o que ela fez em vão. Vou seguir seu legado. Se sou esta pessoa hoje, devo isso à minha coroa”.