A gratidão de Isonélia pela ajuda recebida

Para apoiar famílias indígenas durante a pandemia, UNICEF e Gerdau levaram kits de higiene e alimentos à Reserva dos Pitaguarys, no Ceará

UNICEF Brasil
uma mulher grávida está parada ao lado de uma mesa onde está uma cesta básica. o local é ao ar livre e ela está usando máscara.
UNICEF/BRZ/José Nilson Silva
02 dezembro 2020

“Ficou tudo muito difícil. Meu marido não tem arranjado serviço e, se não fossem as doações, nem sei”. O desabafo é de Isonélia dos Santos Gonçalves, 44 anos, moradora da Reserva Indígena dos Pitaguarys, na região metropolitana de Fortaleza, onde vive desde que nasceu. Grávida de cinco meses, Isonélia conta que sua família foi diretamente afetada pela pandemia da Covid-19, e tem enfrentado novos desafios. Seu marido, também pitaguary, trabalha fazendo pequenos serviços. Mas, desde que começou o isolamento social, quase não tem trabalhado, o que compromete muito o sustento da família.

Para ajudar a comunidade indígena, 153 famílias da reserva receberam doações da Gerdau em parceria com o UNICEF, contendo produtos alimentícios e de higiene. “Eu não tenho vergonha de falar que eu estava precisando. Do jeito que a minha família é grande, quando eu recebo dinheiro do Bolsa Família, não dá pra nada. Por isso, eu agradeço demais àquele Grande Pai”, desabafa.

Isonélia teve uma infância difícil. Perdeu o pai muito pequena e precisou trocar a escola pelo trabalho doméstico em casas fora da reserva para ajudar a mãe – que ficou viúva com uma dezena de filhos para criar. A realidade dura da exploração do trabalho infantil ela não quer para os filhos. “Eu recebo Bolsa Família dos meninos que estudam. É uma ajuda! Na época da minha mãe, não existia Bolsa Família. Se existisse, talvez fosse diferente”, desabafa. “Hoje as coisas são mais fáceis, no meu tempo tudo era difícil, eu estudava num colégio muito longe e tive que parar na 4ª série pra trabalhar em casa de família”, relembra.

uma pessoa usando uma camiseta azul com o logo do UNICEF está olhando para a placa de entrada da reserva indígena
UNICEF/BRZ/José Nilson Silva

Na reserva também viviam seus antepassados, mulheres indígenas fortes que, assim como ela, faziam o que podiam para criar seus filhos com dignidade. A realidade hoje, entretanto, é bem diferente do passado. Na avaliação dela, é melhor por conta da presença de equipamentos públicos e de políticas públicas que dão um mínimo de apoio às famílias. Há escola na reserva, facilitando a permanência de seus filhos no ensino regular; posto de saúde, onde ela faz o pré-natal do bebê e onde fez dos outros oito filhos; tudo isso, em sua opinião, aumenta as possibilidades de futuro. “Aqui todo mundo se conhece, é bem dizer uma família só, a gente não tem medo, pode dormir tranquilo, porque aqui é sossegado”, conta.

Mas Isonélia não vê a hora deste período de pandemia passar; do marido conseguir um emprego estável; e de, quem sabe, começarem a realizar o sonho de construir uma casa de tijolo no lugar da de taipa onde moram atualmente, com cômodos suficientes para acomodar bem todos os filhos, e garantir a privacidade das meninas. “Meu sonho é uma casa de tijolo e botar meus filhos tudo no cantinho deles, porque minhas filhas estão ficando mocinhas e precisam dum quartinho só pra elas”.

No Ceará, UNICEF e Gerdau distribuíram kits de higiene, cestas básicas e folhetos informativos a um total de 307 famílias, incluindo as da Reserva Indígena dos Pitaguarys e outras. No Rio de Janeiro, foram entregues 400 kits de higiene e folhetos informativos. A iniciativa conta, ainda, com a distribuição de kits de higiene, cestas básicas e folhetos informativos em Salvador (325 famílias) e no Recife (241 famílias). A parceria faz parte de um esforço conjunto do UNICEF e de empresas para mitigar os impactos da pandemia da Covid-19 na vida de crianças, adolescentes e famílias em situação de vulnerabilidade.