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Estudantes manauaras se engajam pela higiene nas escolas

Darlen Queiroz, de 15 anos, estudante do 9º ano, mobiliza a escola para fortalecer direitos de meninas e meninos

UNICEF Brasil
Foto mostra uma adolescente segurando um folder. Ela está de uniforme escolar e olha para a câmera.
UNICEF/BRZ/Bruno Kelly
04 outubro 2022

Darlen Queiroz de Oliveira, manauara de 15 anos, estudante do 9º ano do Centro Integrado Municipal (Cmei) Professor Dr. Ademir de Oliveira, no bairro Distrito Industrial I, em Manaus, é uma adolescente que se define como defensora dos direitos humanos em projetos escolares. “Procuro sempre estudar e conversar com os professores sobre os projetos na escola para participar e engajar outros alunos. Gosto desta escola por ser diferenciada de todas as outras onde estudei, pois aqui não é somente conteúdo, mas existe toda uma integração para formação e vivência dos alunos como cidadãos”, declara.

No dia 13 de setembro de 2022, a escola em que Darlen se orgulha de estudar foi contemplada com o projeto de água, saneamento e higiene, uma realização do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e ADM, em parceria com a Prefeitura de Manaus, e implementado pela Visão Mundial. O projeto beneficia unidades de ensino localizadas em áreas de vulnerabilidade social com material de higiene e educativo. Nesse Cmei, foram entregues duas estações de lavagem de mãos e kits de higiene que inclui sabonete líquido, papel toalha e absorventes higiênicos para dignidade menstrual de meninas. A escola oferece desde a educação infantil ao 9º ano do ensino fundamental e tem cerca de 1.460 alunas e alunos matriculados.

Para a adolescente, a iniciativa é fundamental para que todos os alunos possam continuar se prevenindo da covid-19 e outras doenças, haja vista que se sentiu prejudicada nos estudos durante a pandemia e deseja não precisar mais ficar reclusa, sem poder frequentar a escola e ter contato com os amigos. “Foi muito difícil estudar durante a pandemia, pois, além de ter que lidar com o medo da doença, de perder pessoas queridas, havia muitos assuntos que não entendíamos e nem era possível esclarecer com o professor, como é quando estamos de forma presencial em sala de aula. Então, sei que não só eu, mas muitos alunos ficaram prejudicados e fico preocupada que esse atraso atrapalhe a concretização do meu sonho de estudar no ensino médio em uma escola técnica, como o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas (Ifam), por exemplo, e também, mais na frente, de ingressar em uma universidade pública”, compartilha Darlen.

Retorno seguro à escola
Em 2021, quando as escolas reabriram e o ensino funcionou de forma híbrida, Darlen relembra que, mesmo preocupada em contrair ou transmitir a covid-19 para seus familiares, reacendeu em seu coração uma alegria e esperança de dias melhores em poder retornar ao ambiente escolar. “Fiquei muito feliz em poder voltar à escola e rever os amigos e professores. Sei que assim como aconteceu comigo, a pandemia afetou a saúde mental de muitos jovens que ficaram depressivos ou ansiosos. Então, poder ter a oportunidade de tomar a vacina e saber que a escola estava oferecendo uma estrutura segura para nos proteger me deu mais coragem para voltar a ter esse contato com todos”, afirma.

Foto mostra uma adolescente lavando as mãos em uma estação de lavagem de mãos que tem desenhos da Turma da Mônica. Atrás da estação, está um adolescente, observando. Os dois estão de uniforma escolar.
UNICEF/BRZ/Bruno Kelly

Darlen destaca também a importância de lavar as mãos para se proteger de doenças. “A pandemia ainda não acabou. Querendo ou não sempre há um medo de pegar o vírus. Ele continua circulando e mata. A estação de lavagem de mãos que chegou para nossa escola com certeza é importante para que possamos continuar lembrando de manter os cuidados de proteção e proteger todos ao nosso redor, principalmente nossos familiares”, enfatiza.

Legado e sonho
Darlen tem um olhar que brilha ao falar de seus sonhos, um deles é se tornar juíza. Ela defende que o processo educativo faz toda a diferença na vida de crianças e adolescentes e se sente feliz com a chegada do projeto de água, saneamento e higiene em sua escola. Para a adolescente, esse projeto é a concretização de um dos seus sonhos como militante dos direitos de meninas na escola, sobre o qual se manteve atenta e recentemente havia conversado com a direção da escola para ajudar outras alunas a passar por essa fase de forma digna. “Tudo começou quando uma aluna ficou menstruada na escola e a professora ficou meio desnorteada e precisou pedir absorvente das outras alunas até que ela chegou e pediu para mim e eu ajudei. Além disso, muitas meninas têm a primeira menstruação quando estão na escola; e a maioria não está preparada, está longe da mãe, de casa, e fica com muita vergonha. Então, com isso, vi a necessidade e conversei com a diretora da escola para disponibilizar absorventes em uma caixinha no banheiro das meninas, para que mais nenhuma menina precise passar por esse constrangimento”, conta a adolescente.

De acordo com a diretora interina da escola, Sandra Freitas, Darlen é uma menina excepcional. “Ela é sempre muito atenta e, ao ver as outras colegas passando por situações constrangedoras na escola em relação ao ciclo menstrual, Darlen logo me procurou e propôs que produzíssemos caixinhas personalizadas para disponibilizar absorventes higiênicos para as meninas. Estamos muito felizes com a chegada dessa parceria com o projeto do UNICEF, pois vamos conseguir oferecer o apoio necessário para o que é a realidade de muitas alunas em nossa escola”, declara contente a diretora.

A adolescente é daquelas meninas que sabe o que quer e acredita que pode superar barreiras e alcançar seu lugar ao sol. Além de participar de ações da escola como voluntária, participa do projeto “Despertar para as artes”, no qual toca violão e integra a orquestra oficial da escola. “Com esse projeto, participamos de apresentações importantes. Tocamos no Largo de São Sebastião, área histórica de Manaus, junto com a Orquestra de Violões do Amazonas, e foi muito gratificante, pois muitas vezes somos discriminados pela sociedade devido a morarmos em uma comunidade na Zona Leste de Manaus, mas com isso mostramos que podemos fazer diferente e temos nossa essência particular, que independe de onde moramos”, diz Darlen.

Foto mostra um adolescente olhando para uma adolescente, que está lendo um folheto. Os dois estão de uniforme escolar.
UNICEF/BRZ/Bruno Kelly

Na escola, Darlen também conta com o apoio de outros alunos e, em especial, de Levi Lima, 14 anos, que é seu amigo inseparável para estudos e projetos. “A Darlen chegou ano passado à escola e, quando voltamos às aulas, vínhamos em dias diferentes. Quando passamos a estudar juntos, logo no início, gerou uma certa concorrência por querermos ser cada vez melhor, mas logo nos aproximamos e, desde então, nos ajudamos mutuamente. E apesar de estarmos no último ano aqui, já fizemos muitos projetos juntos com a certeza de que ficará algo bom para os próximos alunos, pois esta escola é diferente, porque aqui nos sentimos verdadeiramente acolhidos”, declara Levi.

Darlen também afirma que fica já saudosa ao pensar em deixar a escola a partir de 2023, mas tem a certeza de que deixará um legado de militância pelos direitos dos adolescentes, em especial para as meninas. E para um futuro próximo, ela diz que continuará perseverando nos estudos para alcançar seus sonhos e ajudar outros meninos e meninas para que também possam encontrar o caminho certo, participar de projetos que os engrandeçam, para que vençam na vida, independentemente de suas condições de vulnerabilidade social.