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“A escola também é um mundo conectado”

Na zona rural de Extremoz (RN), o projeto Territórios Conectados fortalece os vínculos entre estudantes e a escola a partir da conectividade como ferramenta de aprendizagem

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UNICEF
29 maio 2025

Sarah Silva, de 17 anos, é comunicativa, adora ir à escola e está envolvida em todas as novidades apresentadas por professores. O cenário, entretanto, nem sempre foi assim. “Nunca fui muito interessada nos estudos, até que, no ano passado, fui transferida para o Antônio Fabrício Caridade. Lá, encontrei pessoas maravilhosas que me acolheram e hoje tenho mais facilidade com os estudos”, conta a adolescente, referindo-se à Escola Municipal da zona rural de Extremoz, no Rio Grande do Norte. Entre os motivos da animação dela com a escola está o engajamento no projeto #TerritóriosConectados.

A iniciativa do UNICEF com o apoio de parceiros busca ampliar o acesso à conectividade como ferramenta de aprendizagem. Foi esse o método utilizado por professores e gestores da escola onde Sarah estuda: reconectar-se com os estudantes explorando um universo que meninas e meninos já dominavam fora da sala de aula, muitas vezes sem supervisão. O projeto, desenvolvido por alunos e professores da escola, culminou na produção do livro digital “Extremoz de Mil Histórias", produzido para resgatar a memória da cidade, que não é encontrada com facilidade e precisão nos sites de busca da internet. A narrativa ocorre em primeira pessoa: o município se apresenta a seus moradores.

“Ele (o projeto) nos proporcionou ver com novos olhos aquilo que a gente achava antes que atrapalhava, como a questão do celular, de eles estarem toda hora muito conectados com tudo o que estava fora da escola e não acharem interesse nenhum dentro da sala de aula. O projeto ofereceu a visão de usar esses instrumentos como ferramenta metodológica, e isso surtiu um ótimo efeito para que eles começassem a entender que a escola também é um mundo conectado. E, através dessa conexão, se deu a aprendizagem”, explica a coordenadora pedagógica da escola, Janaína Ramalho.

A mudança de comportamento de Sarah também foi sentida dentro de casa. Ela é estudante do 9º ano do Ensino Fundamental e chegou a repetir três anos por falta de interesse pela escola e pela dificuldade de conciliar estudos e trabalho. “Ela está mais interessada, mais envolvida na escola. Antes eu ficava: ‘vai estudar’, ‘semana de prova’. Hoje, ela fica até altas horas estudando, tem mostrado interesse”, afirma Priscila Rocha, mãe de Sarah. “Eu cobro porque a gente não quer que o filho sofra. Eu quero que ela procure algo que faça com que ela cresça”, acrescenta.

duas jovens olham para um tablet
UNICEF/BRZ/Lucas Venâncio Sarah (esquerda) e Elizama participam do projeto #TerritóriosConectados.

Outros amigos de Sarah participam do projeto #TerritóriosConectados, a exemplo de Elizama da Silva, de 15 anos, do 9º ano da Escola Fabrício Caridade. Para ela, a iniciativa trouxe a expansão de perspectivas para pensar no presente e no futuro. “O que me encantou realmente foi o despertamento e o desejo de a gente querer mais. A gente foi tirado de uma bolha para conseguir despertar todos os nossos talentos (...). Hoje, eu vejo que consigo, de todas as formas, usar a tecnologia a meu favor”, ressalta a estudante.

Otoniel Rodrigues, de 14 anos, reforça a opinião da colega de sala. “A gente vai abrindo a mente, entendendo o propósito do #TerritóriosConectados e acaba se interessando pelo estudo, cria interesse de vir para a escola. Para mim, o projeto representa se aprofundar mais nos estudos e tentar mudar a nossa vida”, resume.

“Ensinar é se encantar com o processo”

O despertar não se restringiu aos estudantes. Professores também abraçaram a experiência como uma forma de oxigenar suas trajetórias docentes, abrindo-se para o novo e para a possibilidade do encantamento tantas vezes experimentado no início da carreira. “Existia uma Janaína antes, que já estava esperando a aposentadoria e que achava que nada mais me encantava. Porque ensinar é se encantar com o processo. Através de tudo que o projeto nos ensinou, hoje eu sou uma pessoa encantada e nem sei mais se quero me aposentar agora”, destaca Janaína Ramalho, que já percorreu 30 anos de docência, 27 dos quais na Escola Municipal Antônio Fabrício Caridade. 

professora posa para foto sorrindo
UNICEF/BRZ/Lucas Venâncio Janaína Ramalho, professora da Escola Municipal Antônio Fabrício Caridade.

“Essa conexão, essa possibilidade de ter acesso a esse mundo fez com que eles voltassem para a escola e vissem a escola como ponto de referência. A gente conseguiu pegar essa conexão, a oportunidade que eles têm de enxergar essa maneira tão ampla do mundo e colocar dentro da sala de aula. E tendo a escola como instrumento facilitador, norteador. O resultado é que hoje a gente não tem mais vagas (para novas matrículas)”, pontua a coordenadora pedagógica.

A análise é partilhada por Charles Gadelha, gestor da escola. “Percebi que alunos que não tinham tanto interesse (na escola) passaram a ter uma postura de atitude diante da proposta. E isso é muito bacana, porque, como escola, nós pensamos frequentemente: onde estamos falhando com esses alunos?”, reflete.

Aprender e ensinar: caminhos complementares

O #TerritóriosConectados conta com um ciclo formativo voltado a professores e estudantes. No dia 20 de maio de 2025, ocorreu mais uma etapa de capacitação para planejar o ano de trabalho. Participaram representantes de 15 escolas de cinco municípios potiguares: Cerro Corá, Extremoz, Lagoa de Velhos, Pedro Avelino e Touros. O grupo de Sarah esteve no evento, realizado em Natal, para definir os próximos passos do projeto e partilhar experiências. Após a produção do livro digital, a ideia agora é expandir e dar mais visibilidade ao produto, por meio de um website, com o uso de novas linguagens, como a gamificação.

“O ciclo formativo trouxe uma dinâmica espetacular dentro de sala de aula. Os professores passaram a ter um vislumbre sobre o projeto e movimentou os alunos como poucas vezes aconteceu dentro da nossa escola”, aponta Charles Gadelha.

Para a pedagoga Nayane Ramalho, auxiliar de coordenação da Escola Antônio Fabrício Caridade, as formações despertaram “a curiosidade do buscar”. “A capacitação é importante para aproximar professores e alunos e nos motivar a inovar a metodologia. Nós sabemos que estamos passando por uma modernização tecnológica e, se não buscarmos acompanhar, as aulas não ficarão mais tão atrativas para os nossos alunos”, avalia.

Sobre a iniciativa Territórios Conectados

O UNICEF atua no Brasil para fortalecer o direito de cada menina e cada menino estar na escola, aprendendo. Esse pleno desenvolvimento exige o acesso à conectividade e a uma educação integral que considere e integre as novas tecnologias da informação e comunicação (TICs). Desde 2021, com o projeto #TerritóriosConectados, o UNICEF tem atuado em parceria com organizações da sociedade civil em diferentes regiões do Brasil para ampliar a conectividade de escolas públicas e, ao mesmo tempo, fortalecer a cultura digital e práticas de educação de qualidade baseadas no uso das TICs. No Rio Grande do Norte, Ceará, Pernambuco, Maranhão e em Roraima, o projeto é desenvolvido em parceria com a organização Casa da Árvore. A iniciativa também conta com o apoio da empresa francesa VINCI Energies* por meio de uma parceria de longo prazo.

*O UNICEF não endossa nenhuma empresa, marca, produto ou serviço. 

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