“É uma forma de trazer esperança para nós”

No Pará, a população ribeirinha da Ilha do Combú recebeu máscaras doadas pelo UNICEF em parceria com Malwee para enfrentamento da Covid-19 

UNICEF Brasil
Familia na janela de uma casa com EPIs doados
UNICEF/BRZ/Karla Braga
10 fevereiro 2021

“Essa pandemia foi muito dificil para todo mundo. Começou a pandemia, eu fiquei logo desempregada,” conta Ivaneide dos Santos Nascimento, líder comunitária no Igarapé Piriquitaquara, na Ilha do Combú, próxima a Belém, no Pará. O marido também perdeu o emprego no início do período de distanciamento social, e desde então tem sido dificil seguir. Com a chegada da Covid-19, esta situação foi recorrente entre os moradores da Ilha, que muitas vezes dependiam da ida até a capital para trabalhar. “Meu sonho é que volte tudo ao normal e eu possa voltar a trabalhar o quanto antes,” diz.

Está sendo graças à união dos moradores que toda ajuda recebida sempre alcança as mais de 100 famílias que vivem no Igarapé e no furo da Paciência, dois locais da Ilha. Uma dessas ajudas foi a do UNICEF, em parceria com Malwee, que entregou máscaras de proteção contra a Covid-19. As doações também aconteceram em São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza, Recife, Aracaju, Manaus e São Luís, e, no total, 1 milhão de máscaras foram entregues para famílias em situação de vulnerabilidade. “Foi dificil pra todo mundo. Então isso [a doação] é muito importante para a gente”.

A família de Elane e Wellen Nascimento também é moradora do Igarapé. “Aqui nosso meio de vida é com açaí, somos agricultores. Agora não tem, mas na época a gente chama outras pessoas de fora para trabalhar pra gente,” explica Elane. Fora do período da safra, Wellen também trabalhava em um restaurante da Ilha. Quando a pandemia da Covid-19 fechou os estabelecimentos, ficou desempregada e a família – composta apenas por mulheres – se viu sem a renda do açaí e sem trabalho, apenas com o sustento da aposentadoria da mãe. 

“Acabou trabalho, acabou tudo, e a gente não tinha um ganho. Aí começaram a vir ações aqui pro centro comunitário, e ajudou bastante com alimento, produto de higiene. Com certeza as ações tem ajudado,” diz Wellen. A ação do UNICEF com a Malwee também alcançou a família inteira de Wellen, que recebeu máscaras para proteção contra a Covid-19.
 

Esperança

Maria Ivaneide Costa é nascida e criada na Ilha do Combú. Por um período viveu em Belém, onde trabalhava em casas de famílias, mas se mudou de volta para onde nasceu quando se casou. Mesmo assim, o trajeto para Belém continuava comum para ela, onde seguia indo para trabalhar.

Com a pandemia, sua família foi mais uma das muitas da comunidade que não conseguiu seguir trabalhando. Maria não pôde mais ir a casas a Belém e, seu marido, que tira o sustento na lavoura do açaí, também ficou sem trabalho. “Esse período agora é muito dificil para quem não tem emprego fixo,” desabafa.

Para garantir uma renda, ela montou um pequeno salão em sua casa, onde trabalha como manicure e cabelereira para os vizinhos na Ilha. A família precisou encontrar diferentes formas para seguir trabalhando. “Como a gente tem uma lanchazinha, a gente faz fretes para poder comprar o nosso alimento,” adiciona.

Por isso, tem sido muito para a família receber ajuda. “É bom também porque recebemos esclarecimento das coisas. É bom que sempre lembram dos ribeirinhos aqui,” agradece. “É uma forma de trazer esperança para nós, porque a gente tambem não pode perder.”