“É bem mais do que só uma colaboração”

UNICEF e B3 Social entregaram mais de 1.500 kits de higiene para pequenos terminais hidroviários e famílias em situação de vulnerabilidade em ilhas de Belém

UNICEF Brasil
Duas mulheres, Lica e Joelma, estão sentadas em um alpendre, ao lado de uma mesa com produtos doados pelo UNICEF.
UNICEF/BRZ/Elias Costa
21 junho 2021

“A comunidade é carente, nem todo dia a gente tem dinheiro pra comprar,” diz Joelma Costa, moradora da Ilha Paquetá, perto de Belém, no Pará. Ela, assim como muitos moradores da Ilha, vive da coleta do açaí, que diminui nos tempos de maré alta. “Então tem dia que não tem nem o alimento, imagina comprar um álcool em gel, uma máscara”, completa.

Para ajudar a diminuir os impactos da pandemia da Covid-19 no Pará, o UNICEF, em parceria com a B3 Social, realizou a entrega de mais de 1.500 kits de higiene em sete ilhas de Belém: Cotijuba, Combu, Ilha das Onças, Ilha Grande, Ilha Nova, Ilha Paquetá, e Ilha Jutuba. “Creio que vai melhorar muito agora, porque a gente vai poder ter o acesso ao álcool em gel, às máscaras, ao material de higiene”, diz Joelma.

Outros 159 kits foram distribuídos para barqueiros que fazem transportes em pequenas embarcações de Belém até as ilhas. Além disso, 13 kits contendo itens como sabonete líquido, água sanitária e totens para álcool em gel foram entregues para pequenos terminais hidroviários, beneficiando espaços comunitários. As entregas contaram com o apoio logístico e o esforço da Cruz Vermelha Brasileira no Pará e do Corpo de Bombeiros do estado, que realizaram a distribuição por meio de barcos e garantiram a chegada de forma segura das doações às ilhas.

Leonília Torres, mais conhecida como Lica, também é moradora da Ilha Paquetá, e tem 15 netos. Ela conta que tenta sempre relembrar os filhos de seguirem os cuidados necessários de prevenção da Covid-19, lavando as mãos, usando a máscara e lavando bem alimentos. Mas, segundo ela, infelizmente isso nem sempre é possível para todos os pais na Ilha. “Muitos pais querem cuidar da higiene dos filhos, mas não têm condições e o material, e não podem dar assistência. Então eu creio que a partir de hoje, com esses kits que eles receberam, a responsabilidade já vai ficar com eles. E creio que vai melhorar muito, muitos não têm nada disso”, diz Lica.

Para Joelma, receber os kits de higiene é uma grande ajuda agora, e que também vai impactar a comunidade por mais tempo. “É bem mais do que só uma pequena colaboração, para a gente representa uma ajuda muito grande”, completa.

Imagem mostra um carregamento de máscaras produzidas por mulheres contratadas por projeto do UNICEF em São Luís
UNICEF/BRZ/Elias Costa

Os kits entregues às famílias nas Ilhas são compostos por itens de higiene pessoal como absorventes, sabonetes e detergentes, água sanitária e álcool em gel. Ainda como parte das doações, os moradores receberam máscaras confeccionadas por uma equipe de profissionais de costura em São Luís, no Maranhão. Eles são parte da iniciativa do UNICEF com a B3 Social para gerar renda a profissionais de costura durante a pandemia, ao mesmo tempo em que produzem máscaras para doação a famílias vulneráveis. >> Conheça aqui essa história


Terminais hidroviários

Foto mostra uma mulher usando máscara parada ao lado de um banner do UNICEF e um totem de higienização
UNICEF/BRZ/Elias Costa

Já nos terminais hidroviários, foram instalados totens de álcool em gel para uso coletivo. Para Cleide, que trabalha vendendo lanches em Belém, no Terminal Portuário de Outeiro, o movimento no local está menor que o normal antes da pandemia. Mesmo assim, todos os cuidados têm sido seguidos tanto pelos clientes quanto pelos trabalhadores do local. “As pessoas têm cuidado, vêm de máscara no barquinho, quando vêm tomar café, passam o álcool, lavam as mãos”, conta.

Mas no começo da pandemia, a adaptação para a nova forma de receber os clientes foi difícil. “Logo no começo eu não tinha álcool, porque eu não tinha condição, depois eu fui comprando. Comprei, botei aqui, sabão também, mas não é suficiente. Então agradeço muito, estou muito feliz”, diz Cleide. “O pessoal vai ficar muito contente, meus clientes e as pessoas que passam aqui no barquinho”, completa.

Eliana Alves também é comerciante no local, mas já do outro lado da travessia, na Ilha Paquetá, e está começando um restaurante na beira do rio. Ela concorda que a iniciativa será uma boa forma de manter o espaço seguro, apesar do movimento constante. “É uma ótima oportunidade para as pessoas que atravessam aqui se higienizar e não espalhar o vírus na ilha”, conclui.