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Descobrindo o poder de falar com mais meninas

Participante da Rede de Jovens Comunicadores no Rio de Janeiro, a adolescente Letícia Lucia quer usar a comunicação para alcançar o máximo de pessoas

UNICEF Brasil
Foto mostra uma adolescente em pé, olhando para a câmera sorrindo.
UNICEF/BRZ/Bel Junqueira
02 março 2023

Letícia Lucia mora na Pavuna, Zona Norte do Rio de Janeiro, em uma casa majoritariamente de mulheres, apenas com o seu avô como referência masculina. Aos 17 anos, é com a avó Deosdete, a tia e a irmã mais nova que Letícia convive e aprende a “fazer as coisas certas”, como diz.

Antes de se mudar para a casa dos avós, a adolescente morava na Maré, também na Zona Norte, e conta que passou por períodos conturbados. Com a chegada da pandemia ao Brasil e consequentemente a instauração do ensino a distância nas escolas, ela acabou se afastando dos estudos por um ano.

De volta à sala de aula e morando com Deosdete, na Pavuna, Letícia afirma que retomou o foco. Agora tem como objetivo terminar o ensino médio e fazer um curso de gastronomia, dando corpo aos saberes culinários que teve dentro de casa. “Eu gosto mesmo é de confeitaria”, conta com os olhos brilhando.

Para Letícia, uma virada importante para o seu momento atual aconteceu quando a sua tia Larissa a convidou para participar da Rede de Jovens Comunicadores, no segundo semestre de 2022. Larissa soube da abertura da nova turma e, como já tinha sido uma jovem comunicadora no ano anterior, achou que a sobrinha poderia se interessar.

A Rede de Jovens Comunicadores é uma iniciativa do UNICEF e da BemTV na qual jovens e adolescentes da Pavuna e da Maré utilizam da comunicação comunitária como ferramenta de enfrentamento do racismo e da violência de gênero. Entre os temas abordados, também estão o fortalecimento da rede de proteção contra violências, a promoção da vacinação e o enfrentamento da desinformação.

Durante o percurso, 70 jovens e adolescentes como Letícia discutiram sobre os assuntos sugeridos e produziram lives para disseminar as informações localmente. Letícia reconhece que as atividades foram desafiadoras devido à sua timidez, mas gratificantes pelos resultados obtidos. “A gente, no mínimo, tinha 105 pessoas assistindo às lives. Era uma galera boa, não é?”

A adolescente comenta que a pauta que mais a impactou foi saúde mental, pois, durante as discussões, aprendeu a identificar comportamentos que podem ser considerados alertas de adoecimento. “Eu pude me aprofundar mais nas informações sobre saúde mental. É muito difícil uma pessoa se abrir com a outra. E a gente sendo jovem e tendo a oportunidade de disseminar informações sobre isso é muito importante”, ressalta.

Ao trazer o tema para a sua realidade, Letícia acha significativo que mais meninas estejam a par dessas discussões. “A gente está sendo bastante atingido por essas questões e a maioria que tem passado por isso é jovem. Então é sempre necessário falar sobre isso”.

Hoje, Letícia divide seus dias entre vender trufas, participar de projetos e cursos gratuitos e estudar durante à noite. Já diplomada como a segunda jovem comunicadora da família, incentiva mais meninas a ingressarem no projeto para um desenvolvimento pessoal e também da comunidade, que acessa mais informações de qualidade.

A respeito dos seus próximos passos como comunicadora comunitária, ela planeja: “quero continuar nesse rumo da comunicação, fazendo algumas fotos, e atingir o máximo de pessoa que eu conseguir. Quanto mais gente, melhor”.