“A busca ativa escolar é um esforço necessário”
Mesmo com questões de saúde, Heloísa Souza, de 4 anos, não perdeu o vínculo com a escola por meio de ações de busca ativa
Rosângela Souza Lima tem 40 anos e vive no território da Cidade Tiradentes, no extremo leste do município de São Paulo, desde os cinco anos de idade e é lá que ela cria as filhas Heloísa Souza, de 4 anos, Lorena Souza, de 9 anos, e Laura Souza, de 13 anos.
Em 2023, Heloísa, filha mais nova de Rosângela, ficou doente e precisou se afastar da rotina escolar. Um profissional da Emei Adoniran Barbosa ligou para ela e rapidamente sua filha estava de volta. “Ela precisou ter acompanhamento de um pneumologista, porém não consegui na região, precisei ir até o Hospital Menino Jesus [que fica no centro de São Paulo, a cerca de 30 km de distância] para seguir com o tratamento”, conta Rosângela.
Mesmo durante esse episódio desafiador, Rosângela reconhece que não é o ideal a criança não estar na escola e que a presença escolar é fundamental para todas as suas filhas, incluindo a mais nova, pois acredita que o ambiente escolar é importante para o desenvolvimento de sociabilidade, criatividade, autonomia, entre outros benefícios. “As escolas também funcionam como um espaço de lazer e isso é muito importante para o desenvolvimento na primeira infância”, afirma.
Heloísa confirma que a escola é, para ela, um espaço de aprender, brincar e exercitar a imaginação. “Minha professora fala assim: primeiro vamos comer, depois podemos brincar. Então, eu gosto muito de brincar de correr e de ir ao parquinho. Também gosto de desenho e de brincar com números e às vezes finjo que estou andando de patinete”, conta.
A iniciativa #AgendaCidadeUNICEF promove oportunidades para crianças e adolescentes mais vulneráveis socialmente, contribuindo com a prevenção de violências em sua vida, entre elas, o enfrentamento da evasão escolar. A parceria com a Prefeitura de São Paulo, firmada em maio de 2022, oferece apoio técnico, dados e informações sobre o contexto escolar.
Em São Paulo, a busca ativa escolar é realizada por meio de contatos com a família para entender os motivos da ausência de uma determinada criança na escola e, se for necessário, dar início às ações para levar o estudante de volta para escola, incluindo aqueles que ainda estão na educação infantil. Há outros pontos positivos para a população. Mulheres em situação de vulnerabilidade social são contratadas para realizar o serviço de busca ativa. Na subprefeitura da Cidade Tiradentes, são 157 mães guardiãs, que fazem busca ativa nas unidades da região e recebem uma bolsa auxílio de R$1.386.
“Dentro do meu convívio não é sempre que enxergo negligência familiar quando acontece a evasão escolar. Nem sempre é possível manter a rotina escolar da criança. Saúde debilitada, falta de transporte, vagas indisponíveis e condições financeiras estimulam, infelizmente, a evasão escolar. Não é uma questão simples, mas penso: como será a fase adulta dessa criança?”, observa Rosângela.
“A busca ativa não é algo ruim, pelo contrário, é um esforço necessário, nos ajuda bastante”, finaliza.