“Água, luz, comida e internet são essenciais para todo mundo”

Moradora da Maré, no Rio de Janeiro, Nívia Chavier recebeu kit de conectividade do UNICEF, conquistou uma vaga na universidade e se tornou jovem mobilizadora do Zona Nossa

UNICEF Brasil
Foto mostra uma jovem em pé em frente a um banner da Luta pela Paz. Ela está usando a camiseta do projeto Zona Nossa e apontado o dedo para o logo que está na camiseta. Ela usa máscara.
UNICEF/BRZ/Douglas Lopes
04 novembro 2021

A busca por melhores condições de vida levou Nívia Rodrigues Chavier e sua mãe ao Complexo da Maré, no Rio de Janeiro. A jovem veio da Bahia aos 3 anos de idade e, hoje, aos 18 anos, vive com a família na comunidade. Com muito esforço, ela trabalhou durante o ensino médio e se dedicou aos estudos como forma de alcançar seus objetivos. A pandemia de covid-19 pareceu chegar para adiar os sonhos da jovem, que driblou as dificuldades e conseguiu assim mesmo se tornar universitária. Em 2020, após passar pelo pré-vestibular comunitário do Redes da Maré, Nívia prestou vestibular para Engenharia Naval e Oceânica na Universidade Federal do Rio de Janeiro e foi aprovada. O caminho até a aprovação não foi fácil. Mas ela recebeu um aliado: o kit conectividade oferecido pelo UNICEF.

“Por causa do trabalho e dos estudos, eu não parava muito em casa. Minha família também tinha esse ritmo. Quando chegou a pandemia, eu entrei em desespero. 2020 era o ano da minha vida e eu não podia deixar de correr atrás. Era muito frustrante me ver em desvantagem em relação aos meus concorrentes. Quando eu recebi o kit com um celular e acesso à internet regular, foi a salvação”, conta.

A jovem relata que sua família não contava com internet fixa em casa e que era muito difícil estar presente nas aulas online da escola no último ano do ensino médio. Hoje, com acesso a uma conexão estável, Nívia afirma: “São itens básicos aos quais todos deveriam ter acesso. Água, luz, comida e internet... São essenciais para todo mundo. Ainda mais com a chegada da pandemia”.

Recentemente, Nívia foi voluntária num projeto que promoveu conscientização e vacinação em massa na comunidade. Ela era responsável por levar informações à população e lamenta muito que boa parte das pessoas não tenha acesso à internet.

“Se a pessoa não tem internet, como acessa o calendário de vacinação? Ela fica sem alternativa. E isso é só um detalhe. É importante trazer esses debates para dentro da favela e fornecer meios para que a informação chegue a todos da mesma forma”, diz a jovem.

O forte posicionamento de Nívia revela o desejo de fazer mais pelo seu território. Após receber o kit conectividade, a jovem se aproximou da Luta pela Paz e, em 2021, se tornou mobilizadora do Zona Nossa, projeto realizado pela ONG em parceria com o UNICEF para fortalecer a rede de proteção e cuidado na Maré e na Pavuna.

“Eu gosto muito de lidar com pessoas, levar debates e provocar questionamentos. O Zona Nossa me permite fazer isso na prática. Eu gosto muito do projeto, da iniciativa, das pessoas que participam. Foram encontros muito ricos”, revela.

Nívia, que já passou por dificuldades durante a vida, considera fundamental lutar para que as pessoas não sejam limitadas pela sua condição social: “Eu me sinto uma agente de mudança. Mesmo que não seja tão visível, eu vejo o dia a dia e percebo as diferenças se manifestando. Mesmo assim, precisamos de mais”. E completa: “A pandemia acentuou a desigualdade. Matou de fome e de doença muita gente do meu território. Por isso, os debates propostos pelo Zona Nossa se tornaram mais importantes ainda”.

A jovem fez parte da primeira turma de meninas do projeto no primeiro semestre de 2021.No segundo semestre, a turma é composta por 20 meninos mobilizadores, que, assim como as meninas, estão produzindo conteúdos multimídia para sensibilizar mais adolescentes e jovens de seus territórios sobre a prevenção das violências, especialmente baseadas em gênero.