Acesso à internet abre janela de oportunidades para adolescentes vulneráveis

Projeto Zona Nossa promove inclusão digital e direito à participação cidadã de 350 adolescentes e jovens na Zona Norte do Rio de Janeiro

UNICEF Brasil
Foto mostra uma jovem lendo um folheto. Atrás dela há um grafite com o rosto de uma jovem.
UNICEF/BRZ/Carol Nunes
18 julho 2022

“Não dá para pensar em fazer Enem sem ter um celular”, diz Eduarda de Morais dos Santos, 19 anos, que deseja ingressar na faculdade de Artes Visuais ou Psicologia. “Com certeza, o celular é algo necessário pra todo jovem, mas ao mesmo tempo a gente tem que batalhar muito para conseguir um”.

Eduarda está fazendo uma faculdade digital de licenciatura e conseguiu uma bolsa para um curso preparatório para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Ela conta que não foi fácil terminar o ensino médio na pandemia, sem ter internet em casa até pouco tempo atrás.

O acesso à internet aumenta oportunidades para reduzir desigualdades, especialmente combinado com práticas educacionais inclusivas, que contribuem para o autoconhecimento e a inteligência emocional. É isso que o projeto Zona Nossa – uma parceria do UNICEF com Luta pela Paz – está proporcionando para Eduarda e 350 adolescentes que moram na Maré e Pavuna, Zona Norte do Rio de Janeiro.

Este ano, a jovem estava usando o celular emprestado do pai, mas agora recebeu um celular com chip. "É muito bom ter essa oportunidade de me conectar, ter mais informações, estar aqui com outros jovens e adolescentes”, diz Eduarda.

O ponto de partida do projeto foi a entrega de kits de conectividade. Com celular, chip com plano de internet e materiais formativos, o kit garante acesso a diferentes conteúdos e trilhas formativas. E, ao longo de seis meses, serão realizados encontros presenciais e virtuais, tendo a internet e as redes sociais como ferramentas centrais para formação e mobilização dos participantes. Debates, trocas e discussão de ideias sobre diversos temas do dia a dia ocorrem por meio de grupos virtuais.

Integrada à iniciativa #AgendaCidadeUNICEF, realizada na Pavuna desde o início deste ano, o projeto Zona Nossa quer criar oportunidades e apoiar adolescentes em situação de vulnerabilidade social para que continuem seus estudos, acessem vagas de formação e emprego, bem como sejam mobilizadores em suas comunidades, por meio do acesso à tecnologia, à internet e a atividades de formação cidadã.

Foto mostra um menino pequeno, uma mulher e um adolescente em pé em um corredor. O adolescente está segurando uma mochila com o logo do UNICEF.
UNICEF/BRZ/Carol Nunes

Diogo Olimpo Santiago de Castro, 14 anos, morador da comunidade do Chapadão, sonha em ser jogador de futebol profissional e também foi um dos beneficiados pelo projeto. Ele tinha um celular, mas quebrou já faz quase um ano, por isso, ficou animado com a notícia de receber o kit, poder acessar cursos e participar da iniciativa. “É bom para eu poder me comunicar com a minha mãe, jogar joguinho e, claro, saber mais sobre futebol”, diz sorrindo.

O futuro esportista está cursando o 9º ano do ensino fundamental e tem o plano de completar o ensino médio. Também gosta das aulas de Artes e Matemática. Com a pandemia, ficou um bom tempo sem aula, nem mesmo online, mas assim que reabriram a escola, ele voltou. “Tenho amigos que não voltaram. Mas eu acho importante ir pra escola, porque vai me trazer muita coisa boa lá na frente”.

Nesse cenário, a pandemia de covid-19 impactou duramente o acesso à educação e agravou a crise de aprendizagem. Diferentes estratégias para aprendizado remoto tiveram que ser desenvolvidas e as competências digitais e acesso à tecnologia se tornaram um direito humano essencial para o desenvolvimento e participação plena da vida em sociedade.

“Tá ruim com estudo, imagina sem? Meu sonho é que meu filho Breno tenha uma profissão boa, que tenha a sorte que eu não tive. Seja honesto e não precise depender de ninguém”, diz Josicleide Ferreira de Araújo, mãe de oito filhos e avó de três netos, que mora há 26 anos no Chapadão, na Zona Norte do Rio de Janeiro.

Atualmente, Josicleide vive com os quatro filhos mais novos, incluindo Breno Luiz Araujo de Oliveira, de 15 anos. Apesar dos desafios, faz questão de que todas as crianças estejam na escola.

Foto mostra um adolescente lendo um panfleto. Ao lado dele está uma mochila com o logo do UNICEF, alguns cadernos, uma caixa de celular e um vidro de álcool em gel. Atrás, pendurado, há um banner do projeto.
UNICEF/BRZ/Carol Nunes

No 9º ano do ensino fundamental, Breno já sabe o caminho que quer seguir: “quero ser arquiteto e ajudar minha mãe”. Começou a desenhar por conta própria aos 10 anos, nunca fez curso, nem teve aula de desenho na escola, mas foi aprendendo. Quando pode, vai à lan house do bairro para ver vídeos sobre desenho no YouTube. Sem computador em casa, até agora ele usava emprestado o celular da mãe para se conectar. Por isso, está tão feliz em receber seu primeiro celular, com chip, na parceria do Projeto Zona Nossa. “Muito maneiro. Minha mãe disse que é pra eu fazer cursos. Vai ser muito bom”.

Projeto Zona Nossa
Uma realização do UNICEF, em parceria técnica com a Luta pela Paz, o projeto Zona Nossa estabelece três áreas de atuação: fortalecimento da rede de proteção, que inclui a formação de profissionais da rede de proteção e o atendimento em saúde mental de crianças e adolescentes; mobilização de jovens; e campanha de comunicação na Maré e na Pavuna, na Cidade do Rio de Janeiro.

Quem nos apoia
O projeto tem o apoio à emergência do Instituto BRF e o apoio da Fundação Mitsui. Com o apoio à emergência do Instituto BRF, o UNICEF está distribuindo kits de conectividade para adolescentes e jovens vulneráveis do Mato Grosso, São Paulo e Rio de Janeiro, além de instalar estação de lavagem de mãos, distribuir kits de higiene e capacitar equipes educacionais no Mato Grosso, Pernambuco, Bahia e Ceará. Em parceria com a Fundação Mitsui, o UNICEF está distribuindo kits de conectividade para adolescentes e jovens do Rio de Janeiro, além de acompanhá-los por cinco meses em um processo de formação voltado para a inclusão no mundo do trabalho e retorno às aulas.

Sobre a #AgendaCidadeUNICEF
#AgendaCidadeUNICEF é uma iniciativa do UNICEF, em parceria com prefeituras municipais de grandes centros urbanos brasileiros, para promover direitos e oportunidades das crianças e dos adolescentes mais vulneráveis, contribuindo com a prevenção de violências em sua vida. Para engajar as administrações municipais, as comunidades, o setor privado, a sociedade civil, as famílias, adolescentes e crianças, o UNICEF elaborou uma estratégia de atuação para um ciclo de três anos.

De 2022 a 2024, a #AgendaCidadeUNICEF está abrindo caminhos de direitos e oportunidades para crianças e adolescentes por meio de estratégias integradas, que ajudam a reduzir e prevenir violências no seu dia a dia, integrará metodologias de diferentes áreas (Educação, Saúde, Proteção, Inclusão Socioprodutiva) e promoverá a mobilização social e o monitoramento de indicadores relacionados à área da infância e da adolescência.

A iniciativa está sendo implementada em oito capitais brasileiras. Em cada uma delas, o UNICEF e a prefeitura municipal escolheram um território prioritário para a atuação, com base em dados de alta prevalência de violência contra crianças e adolescentes.