“A gente vai um ajudando o outro”

Em oito cidades brasileiras, UNICEF e Americanas reforçam medidas de proteção de famílias com idosos vulneráveis

UNICEF Brasil
uma menina coloca sabão líquido na mão enquanto um menino observa. eles estão em frente a uma casa de tijolos e o menino está sentado em uma escada de cimento.
UNICEF/BRZ/Nilson Silva
14 julho 2020

Carlos Henrique observa sua prima Williara enquanto a menina pega um frasco de sabonete líquido e demonstra como lavar bem as mãos. Apesar da pouca idade, os dois já estão aprendendo sobre medidas de prevenção e o que deve ser feito para proteger a família contra o novo coronavírus. As crianças moram na casa com as mães, a avó e duas primas adolescentes no bairro Quintino Cunha, em Fortaleza (CE).

Em junho, 10 mil kits de higiene e limpeza doados pela Americanas foram distribuídos a milhares de famílias com idosos atendidas pelos Centros de Referência em Assistência Social (Cras) na capital cearense, incluindo a de Carlos Henrique e Williara. Essa distribuição faz parte de uma parceria estratégica firmada entre UNICEF e Americanas para garantir que famílias com crianças, adolescentes e idosos tenham acesso a itens críticos para a lavagem de mãos e outras medidas eficazes de prevenção contra o novo coronavírus. Também estão sendo entregues folhetos informativos, com orientações de saúde e proteção das crianças e adolescentes. Ao longo de três meses, estão sendo distribuídos 180 mil kits, somando 1 milhão de produtos doados pela Americanas em oito capitais brasileiras: Belém, Fortaleza, Manaus, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Luís e São Paulo. Sabonetes, sabão em barra, fraldas geriátricas, pasta e escova de dentes, álcool em gel, shampoo, desinfetante e outros itens vêm sendo entregues pelo UNICEF junto com parceiros locais.

uma mulher entrega uma cesta básica para outra mulher mais velha. as duas estão usando máscara.

Em São Luís (MA), Balbina Pereira Rodrigues conta que em seu kit também recebeu lenços umedecidos, desodorante e outros itens de higiene pessoal. “Veio bem completo, recheadinho”. Com 71 anos “muito bem vividos”, ela não vê a hora de a pandemia do novo coronavírus passar para retomar as atividades. “Eu gosto muito de bater perna, das aulas de artesanato, dança e ginástica oferecidas pela prefeitura. Com essa doença, eu fico parada em casa só envelhecendo e criando bucho”, brinca. Ela mora há 30 anos na Cidade Operária, em São Luís (MA), onde os produtos estão sendo distribuídos com o apoio da Secretaria Municipal da Criança e Assistência Social (Semcas).

Com o apoio dos netos, Balbina tem ficado em casa se cuidando: “Minha mão está fininha de tanto lavar. Tenho o maior cuidado. Enquanto eu puder ficar em casa quietinha, eu fico. Sou bem prevenida”.

No entanto, nem todos os moradores do bairro têm a mesma oportunidade de Balbina. Muitos perderam emprego e renda por causa da pandemia. Por isso, ela faz questão de apoiar os vizinhos neste momento. “A crise está grande. O que eu já tinha em casa e veio na cesta, eu dividi com os vizinhos. A gente vai um ajudando o outro. Não dá para encher a barriga sabendo que os vizinhos estão passando fome”. E completa: “Nós temos que ter cuidado com nossos idosos”.