Enchentes no Rio Grande do Sul
Saiba como o UNICEF apoiou o governo e atuou em conjunto com a sociedade civil em 2024
Crianças e adolescentes são os que mais sofrem com as consequências de emergências e sofrem diretamente com o deslocamento forçado, o fechamento de escolas, a exposição a doenças e diversas formas de violência.
Em 2024, em meio às fortes chuvas e inundações que assolaram o Rio Grande do Sul, o UNICEF organizou ações junto aos Governos Federal e Estadual, especialmente Assistência Social, Defesa Civil e Direitos Humanos, e com parceiros da sociedade civil, com foco na proteção integral de crianças e adolescentes.
O UNICEF esteve presente desde o início das enchentes e, após oito meses no estado, concluiu as ações de campo, garantindo a transição das operações aos parceiros e ficando à disposição para as necessidades de assistência técnica no âmbito do processo de reconstrução. Seguimos comprometidos em atender crianças e adolescentes em Emergências.
Responsabilidade com as comunidades afetadas
A atuação do UNICEF foi sendo desenvolvida e adaptada, com foco nas necessidades de crianças, adolescentes e famílias:
- Ações de suporte imediato: Logo no início da crise, a pedido do Governo Federal, o UNICEF entrou na resposta. Naquele momento, havia mais de 800 abrigos e era preciso mapear as crianças, adolescentes, mulheres grávidas, e aquelas em situação de risco. O UNICEF contribuiu para organizar um censo e avaliar as necessidades mais urgentes. Ao mesmo tempo, o UNICEF passou a fornecer capacitação dos atores locais sobre limpeza e desinfecção, fundamental para proteger a saúde de crianças durante emergências, e distribuir kits de higiene, água e limpeza, kits para higiene dos bebês e kits de saúde menstrual para meninas aos abrigos e comunidades, alcançando milhares de famílias.
- Ações de médio prazo: Sabendo que crianças precisam ser prioridade ao longo de toda a Emergência, o UNICEF criou os Espaços da Gurizada. Neles, crianças passaram a participar de atividades lúdicas, educativas e de apoio psicossocial em ambientes criados para protegê-las e promover a recuperação emocional. Além disso, conforme as pessoas retornavam às suas casas, era preciso fazer com que informações seguras chegassem – isso foi feito por meio de multiplicadores de informação.
- Estruturas e aprendizados que vão ficar: Estruturas físicas, incluindo alguns Espaços da Gurizada, agora são gerenciados por ONGs ou pelo poder público. Além disso, o UNICEF trabalhou amplamente com a formação de agentes públicos e organizações da sociedade civil, gerando saberes voltados para a integração das vulnerabilidades e necessidades específicas das crianças e adolescentes durante desastres que vão ficar para o Rio Grande do Sul e para futuras emergências, em outros lugares.
Principais resultados do UNICEF e parceiros
- Mais de 39 mil pessoas foram alcançadas por 60 multiplicadores de informação que foram capacitados para disseminar informações sobre saúde, assistência social, reconstrução de moradias e acesso a benefícios. Essas ações facilitaram o acesso a serviços essenciais, como atualização no Cadastro Único e suporte psicológico;
- Intermediação de doações de itens de primeira necessidade, disponibilizados por empresas a abrigos.
- Distribuição de 4.500 kits de higiene, água e limpeza, kits para higiene dos bebês e kits de saúde menstrual para meninas aos abrigos e comunidades, alcançando milhares de famílias;
- Capacitação de 400 agentes comunitários de saúde e endemia, com base na abordagem WASH (Água, Saneamento e Higiene), para apoiar famílias no consumo seguro de água potável e na limpeza e desinfecção de reservatórios;
- Cerca de 29 mil pessoas tiveram acesso a água segura durante o período de emergência graças a contribuições do UNICEF;
- Apoio técnico e disponibilização de ferramenta para subsidiar avaliação de danos em formas de abastecimento de água para consumo humano, em conjunto com a SES/RS e MS;
- Apoio à coordenação do Grupo de Trabalho (GT), liderado pela SES/RS e com a participação de diversos atores, voltado para ações de acesso e garantia da qualidade da água nos municípios e comunidades;
- Doação de equipamentos e insumos voltados para a melhoria no acesso a água potável nos municípios e comunidades afetadas.
- Foram abertos 33 Espaços da Gurizada, criados junto às Secretarias Estaduais e Municipais de Desenvolvimento Social e Saúde, em Canoas, Porto Alegre e São Leopoldo.
- Os Espaços atenderam mais de 2.600 crianças e adolescentes e se tornaram referência na proteção infantil, proporcionando um lugar acolhedor para recuperação emocional;
- Apoio técnico para identificação, encaminhamento e reunificação de crianças e adolescentes separados dos pais e responsáveis.
- Como parte da transição das suas atividades de campo, o UNICEF doou materiais para a reestruturação de CRAS em Canoas e São Leopoldo, garantindo a continuidade dos atendimentos às famílias. Além disso, voluntários foram capacitados para replicar metodologias dos Espaços da Gurizada em futuras emergências.
O que são
Os Espaços da Gurizada no Rio Grande do Sul são Espaços Seguros e Amigáveis para crianças e adolescentes, a partir da estratégia de intervenções usadas por agências humanitárias para aumentar o acesso das crianças a ambientes seguros, promovendo seu bem-estar psicossocial e atendendo às suas necessidades em situações de calamidades e emergências, dentro de ambientes como os alojamentos temporários.
O Espaço da Gurizada é orientado pelos Compromissos Centrais pelas Crianças em Ações Humanitárias e conta com uma equipe interdisciplinar, treinada para acolher, apoiar, escutar crianças e adolescentes sem revitimização, e pressupõe uma articulação intersetorial com a gestão do serviço de alojamentos e com os serviços públicos locais no território/município.
Os locais foram equipados com kits de materiais pedagógicos e lúdicos, e passaram a contar com o trabalho de profissionais especializados, incluindo assistentes sociais, psicólogos e psicopedagogos. Esses espaços seguros começaram dentro dos abrigos e depois foram sendo implementados em outros locais, nos bairros de retorno das famílias, seguindo a dinâmica da Emergência.
O que oferecem:
Proteção: Esses espaços buscam oferecer um local centrado para as crianças, onde elas possam ter uma rotina de se reunir para brincar, relaxar, se expressar, sentir-se apoiadas e aprender habilidades para lidar com os desafios que enfrentam.
Pela natureza dos espaços seguros, eles se tornaram espaços propícios para garantir uma comunicação transparente com a população afetada pelo desastre, garantindo oportunidade de escuta e posterior aperfeiçoamento das ações de acordo com as visões ouvidas e coletadas.
Saúde mental: Promover a saúde mental e apoiar o bem-estar psicossocial de crianças, adolescentes e cuidadores, para recuperação emocional e socialização, com ações de fortalecimento de habilidades cognitivas, criativas, sociais e de vida que resultarão em capacidades de resiliência fortalecidas.
Educação não formal: Promover a educação não formal pela oferta de ambientes de aprendizagem apropriados, com atenção específica para as meninas e crianças e adolescentes com deficiência. As atividades são elaboradas para apoiar o desenvolvimento de habilidades que ajudem crianças e adolescentes se adaptarem às suas novas rotinas escolares.
Acesso a direitos e serviços: Fortalecer as capacidades de proteção infantil da comunidade, com informações para acesso a direitos e serviços.
Com a conclusão da resposta do UNICEF às chuvas, a partir de janeiro de 2025, oito Espaços da Gurizada serão mantidos, passando à gestão do poder público ou da sociedade civil, sem vínculo com UNICEF.
Acesse alguns materiais de apoio
Saiba mais sobre a atuação do UNICEF
Parceiros estratégicos e doações
Para viabilizar sua resposta emergencial, o UNICEF conta com o apoio de milhares de doadores individuais e a parceria de filantropos e empresas. A resposta do UNICEF tem como parceiros estratégicos MSD e Departamento de Proteção Civil e Ajuda Humanitária da União Europeia (Echo, na sigla em inglês); parceria da Kimberly-Clarck e da Takeda; e apoio de Amanco Wavin; Beiersdorf, casa de NIVEA e Eucerin; Instituto Mosaic; Klabin; Granado e Serena Energia.
Parceiros institucionais
Nesta Emergência, o UNICEF está trabalhando em conjunto com o Ministério de Direitos Humanos e Cidadania, o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, o Ministério da Saúde e o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, bem como órgãos do governo estadual, municipais e parceiros da sociedade civil.
Parceiros implementadores
Para a resposta às chuvas no Rio Grande do Sul, o UNICEF conta com dois parceiros implementadores: a ADRA e a Visão Mundial.