UNICEF promove formação sobre racismo obstétrico para profissionais da rede pública de Salvador
Profissionais de saúde, pesquisadoras e representantes da sociedade civil participaram de encontro sobre estratégias de prevenção contra violência no parto
Salvador, 11 de dezembro de 2025 – Aconteceu nesta quinta-feira o I Seminário Enfrentamento ao Racismo Obstétrico, uma iniciativa do Fundo das Nações Unidas (UNICEF) dedicada a discutir e sugerir soluções para a violência obstétrica decorrente de racismo. O evento ocorreu no Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB).
No Brasil, cerca de 60% das mulheres que morrem por causas obstétricas são negras, de acordo com dados de estudo da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Dados de 2018 da Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab) indicam que, no estado, 85% dos casos atingiram mulheres negras.
Como a violência obstétrica atinge mais mulheres negras e como essas violências podem marcar a primeira infância e impactar as escolhas reprodutivas das mulheres foram temas predominantes durante o Seminário, refletindo preocupações urgentes para a saúde de mulheres negras e suas crianças.
A Pesquisa Nascer Brasil revelou que a violência obstétrica atinge as mulheres negras de uma forma mais intensa, a saber: mulheres negras possuem 62% maior razão de chance de terem pré-natal inadequado; 67% vivenciaram ausência de acompanhante; 33% viveram peregrinação anteparto; e 23% sofreram falta de vinculação à maternidade.
O evento, que contou com a presença de gestoras públicas, enfermeiras obstétricas, doulas, pesquisadoras e ativistas, entre as quais Helena Oliveira, chefe do escritório do UNICEF em Salvador, Emanuelle Góes, pesquisadora do Cidacs/Fiocruz/Bahia, Eliete Paraguassu, vereadora, e Isabel Jasmin, representando as adolescentes da capital, abordou a interseção crucial entre direitos e planejamento reprodutivo.
Da reflexão à ação: estratégias e compromissos
A oficial de Saúde e Adolescentes do UNICEF, Raquel Guimarães, explicou que a intenção do evento era refletir sobre as boas práticas para o enfrentamento ao racismo obstétrico no contexto de Salvador. Além de conectar diversos atores da saúde em Salvador para apresentar como o tema do racismo foi trabalhado ao longo de 2025, trazendo um panorama das parcerias estruturadas com a Associação de Doulas da Bahia e a escuta realizada em Ilha de Maré. Um dos painéis do Seminário estimulou um conjunto de sugestões para a construção de boas práticas.
“A partir disso, será construída uma cartilha com as referências e discussões sobre racismo obstétrico, incluindo procedimentos futuros para minimizar esse tipo de preconceito e violência”, explicou Raquel. “Este encontro já se firma como um momento estratégico para a construção de alianças e o que precisa ser priorizado para proteger mulheres negras do racismo obstétrico”, completou.
Entre os compromissos firmados destacam-se a cartilha de conscientização sobre racismo obstétrico e boas práticas de combate ao mesmo e a retomada das discussões e construção de mais saberes em uma próxima edição.
Contatos para a imprensa
Sobre o UNICEF
O UNICEF, Fundo das Nações Unidas para a Infância, trabalha para proteger os direitos de cada criança e adolescente, em todos os lugares, especialmente os mais vulneráveis, nos locais mais remotos. Em mais de 190 países e territórios, fazemos o que for preciso para ajudar crianças e adolescentes a sobreviver, prosperar e alcançar seu pleno potencial. Em 2025, o UNICEF comemora 75 anos no Brasil.
O trabalho do UNICEF é financiado inteiramente por contribuições voluntárias.
Acompanhe nossas ações no Facebook, X, Instagram, YouTube, LinkedIn e TikTok.
Você também pode ajudar o UNICEF em suas ações. Faça uma doação agora.