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UNICEF e parceiros lançam iniciativa Unidades Amigas das Adolescências

Em colaboração com o Ministério da Saúde, piloto em Manaus, Recife e Rio de Janeiro vai qualificar o cuidado em saúde de adolescentes no SUS

28 abril 2026
grupo de pessoas posa para foto em auditório
UNICEF

Brasília, 24 abril de 2026 – Brasília, 24 de abril de 2026 – “Minha presença é necessária, e por isso estou presente! Saúde Adolescente!”. Com essa frase, adolescentes abriram o evento de lançamento das Unidades Amigas das Adolescências (UAA), em Brasília, reafirmando seu direito à saúde. A iniciativa do UNICEF, em articulação com o Ministério da Saúde, será implementada como projeto piloto em Manaus, Recife e Rio de Janeiro, com o objetivo de qualificar o cuidado em saúde de adolescentes no Sistema Único de Saúde (SUS).

A proposta das UAA é apoiar as redes municipais de saúde na ampliação do acesso e na qualificação do cuidado e do acolhimento de adolescentes de 10 a 19 anos. Com foco em áreas estratégicas como saúde mental, prevenção das violências, saúde sexual e reprodutiva e promoção de hábitos saudáveis, a iniciativa busca fortalecer a escuta qualificada, ampliar o acesso aos serviços e consolidar uma abordagem centrada em direitos.

A iniciativa representa um avanço importante na Atenção Primária em Saúde voltada aos adolescentes no país, explica Luciana Phebo, chefe de Saúde do UNICEF no Brasil. “Com a qualificação do atendimento e participação dos adolescentes esperamos ampliar a procura dos jovens pelos serviços de saúde de forma integral, já que hoje eles ainda estão entre os grupos que menos acessam proativamente a atenção primária. A expectativa é aumentar a busca por apoio em saúde mental, ações de prevenção da gravidez na adolescência, vacinação, entre outras”, afirma.

O projeto piloto também promoverá maior alinhamento entre gestores e equipes de saúde, apoiando o planejamento nos municípios e incentivando a troca de experiências. Baseada em evidências atualizadas sobre saúde e bem‑estar das adolescências e construída a partir da escuta de adolescentes, a UAA reforça a articulação com políticas públicas já existentes.

Protagonismo das adolescências

grupo de 6 adolescentes posa para foto
UNICEF

O lançamento da UAA contou com a participação ativa de seis adolescentes, que colocaram em pauta suas experiências e demandas no acesso à saúde. Em diálogo com Benito Lourenço, especialista em saúde de adolescentes e professor da Universidade de São Paulo (USP), Gabriela Mora, especialista em Participação de Adolescentes, e Samia Abreu, Oficial de Saúde e Nutrição do UNICEF no Brasil, adolescentes conduziram o encontro e destacaram o que precisa mudar na atenção básica para melhor atender meninas e meninos.

Participaram Michael Logan (18) e Ana Júlia Pereira, conhecida como Lua (15), do Rio de Janeiro; Pollyana Maria da Silva Barbosa (13) e João Marcílio da Silva Lopes (16), de Recife; e Israel Santos da Costa (17), conhecido como Israel Mirawe Huka’i, e Anna Paula Marques (17), de Manaus, reforçando a importância de serviços de saúde que dialoguem com suas realidades.

“A juventude sempre pede o básico, que é a compreensão da sua realidade e do seu modo de ser. O jovem não acessa a UBS não por causa do atendimento, mas porque a estrutura não foi feita para ele. Se o direito existe, mas o jovem não consegue acessar, a falha é nossa. O jovem não é só futuro, ele é presente”, afirmou Israel Mirawe Huka’i, de Manaus.

Já Lua, do Rio de Janeiro, destacou como o ambiente e o acolhimento influenciam o acesso: “Quando a gente fala de adolescentes na saúde, tem muito constrangimento, e isso afasta o jovem. Em algumas unidades de saúde, tem muitas salas vazias, salas que não são usadas, e é dentro dessas salas que a gestão pode modificar e tornar um ambiente para jovens e adolescentes, com grafite, arte, cultura. Não é o adolescente que precisa se adequar para lidar com o sistema de saúde”.

Ao ouvir cada adolescente, o Representante do UNICEF no Brasil, Joaquin Gonzalez-Aleman, reafirmou o protagonismo juvenil na construção da iniciativa. “Estamos aqui para mudar um paradigma, para tirar o estigma dos adolescentes. A participação de vocês não é simbólica, é estruturante. Essa iniciativa é muito importante, uma honra, uma felicidade, um momento histórico”, afirmou.

Compromisso de Manaus, Recife e Rio de Janeiro

colagem de 3 fotografias de duas pessoas segurando um papel em cada
UNICEF

As reivindicações das adolescências também foram destacadas por representantes das três cidades que aderiram ao projeto piloto, ao assinarem o compromisso para a implementação das Unidades Amigas das Adolescências (UAA) em Manaus, Recife e Rio de Janeiro.

O secretário municipal de Saúde do Rio de Janeiro, Rodrigo Prado, enfatizou a importância de reconhecer a diversidade das adolescências e garantir o direito à participação. “É importante reconhecer essas múltiplas adolescências, com especificidades territoriais e raciais, que estão em contato com a questão das violências. As UAA vêm para mudar um paradigma, colocando esses adolescentes como pessoas que vão participar das decisões e se representar nas unidades de saúde”. Segundo ele, no Rio de Janeiro, todas as 241 UBS poderão se inscrever na iniciativa.

Já o secretário municipal de Saúde de Manaus, Nagib Salem, destacou o compromisso do município com a iniciativa. “Fizemos uma revolução na nossa saúde pública pós covid-19, com muita conversa e entendendo a sociedade e a comunidade. Agora, Manaus está muito feliz em ser uma das três cidades do piloto e estamos dispostos a fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para conseguir os melhores resultados para nossos adolescentes”.

Em participação por vídeo, a secretária municipal de Saúde de Recife, Luciana Albuquerque, celebrou a adesão da capital pernambucana. “Ratifico a participação de Recife nessa iniciativa, reforçando o cuidado nessa fase da vida, com qualificação dos profissionais, engajamento dos adolescentes e das famílias e um cuidado intersetorial. Recife está aqui, a postos! Hoje são 15 unidades e não vejo a hora de a gente chegar às 150 UBS”, afirmou.

Engajamento de Consass e Conasems

Além dos secretários das três cidades piloto, representantes das duas organizações que congregam secretários estaduais e municipais de saúde em todo o país participaram do evento e destacaram a importância do trabalho articulado para o fortalecimento da iniciativa.

Marcela Alvarenga de Moraes, assessora técnica do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), ressaltou o papel da capacitação dos profissionais de saúde. “Quero parabenizar o UNICEF por ter esse olhar para as adolescências e trazer esse cuidado para dentro dos serviços. Sabemos da dificuldade, na formação dos profissionais, de ter esse olhar integral. O Conasems tem hoje um envolvimento muito grande com a capacitação de profissionais de saúde e nos colocamos à disposição para ampliar essa formação para outras equipes”, afirmou.

Já Jurandi Frutuoso, secretário‑executivo do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), reforçou a importância do engajamento das Secretarias Estaduais de Saúde e do trabalho integrado. “O Conass pode atuar em três frentes: capacitação das redes sobre a política lançada; monitoramento, já que essa política nasce em cima de indicadores que precisam ser avaliados; e a frente da gestão. Precisamos ter, das 27 secretarias, compromissos para que essa política se associe às equipes da Educação e, juntos, possamos definir estratégias para sua efetivação”, destacou.

Parceria com o Ministério da Saúde

A necessidade de atuação integrada também foi destacada por representantes do Ministério da Saúde, em diálogo com pontos já ressaltados pelo Conass. Katia Souto, Coordenadora de ações intersetoriais na Atenção Primária à Saúde - COAIA, destacou como o Programa Saúde na Escola (PSE) pode contribuir com a iniciativa. “O PSE está em 5.544 municípios. A escola é um território da Atenção Primária à Saúde, que precisa olhar para esse território e a sua potência. Temos que pensar em como trabalhar melhor os adolescentes em situação de vulnerabilidade social e econômica e com a diversidade”, afirmou.

Encerrando as falas das autoridades, Sonia Venâncio, coordenadora‑geral de Atenção à Saúde das Crianças, Adolescentes e Jovens do Ministério da Saúde, reforçou o compromisso da pasta em participar o projeto piloto, já com perspectiva de ampliação. “Os dados mostram a urgência dessa iniciativa. Nós não estamos fazendo o suficiente para lidar com o cenário das adolescências no Brasil. O Ministério da Saúde vem trabalhando com o UNICEF desde 2023 para construir essa estratégia. Vamos apoiar a implementação inicial nessas três capitais, pensando que essa é a primeira etapa. A segunda etapa é ampliar para todas as capitais, como já estamos fazendo com as Unidades Amigas da Primeira Infância (UAPI)”, destacou.

O apoio de parceiros

Presentes no evento, organizações que apoiam o trabalho do UNICEF na área de Saúde, enfatizaram a importância de se investir nas adolescências. “No Infinis, temos visto com muita atenção estratégias que fortalecem o protagonismo juvenil e a educação entre pares. Para nós, é bastante importante acompanhar a UAA, por ser uma iniciativa muito bem construída, junto com os jovens, a partir das realidades deles em diferentes contextos e regiões. É um trabalho baseado em evidências, desde o início, e já vem com esse olhar de longo prazo, em articulação com os territórios, com a política pública municipal e com o Ministério da Saúde”, destacou Sofia Rebehy, Coordenadora de Projetos no Infinis.

“A Pfizer é parceira do UNICEF há vários anos, em projetos de Saúde e imunização, especialmente em municípios com baixa cobertura vacinal, e os resultados têm sido excelentes. Agradecemos essa oportunidade de incentivar a saúde dos adolescentes, para que a gente possa cada vez mais aumentar a cobertura vacinal e proteger mais e mais vidas”, destacou Redson Teodoro da Silva, Gerente de Acesso Institucional na Pfizer, com foco em vacinas e medicamentos.

Para as Unidades Amigas das Adolescências (UAA), o UNICEF Brasil conta com a parceria estratégica do Programa Adolescentes Saudável de Astrazeneca para ações focadas em Doenças não transmissíveis (DNTs) e de Kimberly-Clark para saúde materna de adolescentes.  Para ações gerais de Saúde, o UNICEF conta com a parceria estratégica de Takeda, Infinis e Pfizer. Além disso, o UNICEF tem o Grupo Profarma e XBRI Pneus como parceiros estratégicos para toda sua atuação no Brasil.

Sobre a UAA

A iniciativa Unidades Amigas das Adolescências (UAA) busca qualificar a atenção primária em saúde  voltada a adolescentes, promovendo um cuidado  integral e integrado,  baseada na equidada, em evidência e no engajamento cidadão. Conduzida de forma colaborativa, a UAA conta com o apoio técnico, a coordenação geral e a certificação do UNICEF; a implementação local pelas Secretarias Municipais de Saúde, com adaptação às realidades territoriais; e o acompanhamento do Ministério da Saúde no âmbito das políticas nacionais.

A governança prevê ainda espaços de participação com representantes de conselhos, especialistas, sociedade civil e adolescentes, além de comitês locais nos territórios. A participação adolescente é um pilar transversal da iniciativa, garantindo que suas experiências orientem as decisões e fortaleçam políticas mais alinhadas às suas realidades e perspectivas de futuro.

Contatos para a imprensa

Aline Tavares
Oficial de Comunicação - Media Relations
Telefone: 61 998180250
Elisa Meirelles Reis
Especialista de Comunicação
UNICEF Brasil
Telefone: (61) 98166 1649

Sobre o UNICEF

O UNICEF, Fundo das Nações Unidas para a Infância, trabalha para proteger os direitos de cada criança e adolescente, em todos os lugares, especialmente os mais vulneráveis, nos locais mais remotos. Em mais de 190 países e territórios, fazemos o que for preciso para ajudar crianças e adolescentes a sobreviver, prosperar e alcançar seu pleno potencial. Em 2025, o UNICEF comemora 75 anos no Brasil.

O trabalho do UNICEF é financiado inteiramente por contribuições voluntárias.

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